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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

03.06.10

De vítimas a carrascos


Luís Alves de Fraga

 

Não será exagero dizer-se que o mundo inteiro — pelo menos aquele mundo de gente que nós nos habituámos a sentir como a parte humana da Humanidade — ficou chocado com o ataque de forças navais israelitas aos navios que levavam auxílio humanitário destinado às populações palestinianas da faixa de Gaza as quais vivem o mais horroroso dos bloqueios.

 

O erro histórico da criação do Estado de Israel como pátria dos Judeus, condenado, poucos anos após a independência, pelo historiador e filósofo da História Arnold J. Toynbee — um dos pensadores britânicos que, sem rebuço, se assumiu como anti-marxista e anti-comunista — na obra que, entre nós foi traduzido com o título De Leste a Oeste — é hoje flagrante. Ele, em 1955, de acordo com a sua antevisão do afrontamento entre a cultura cristã e a islâmica, considerou de imediato como uma tremenda arbitrariedade aquilo que poderia ser a correcção da História ao dar um lar aos Judeus, expulsando e tornando errantes os islâmicos da Palestina. E não estava enganado!

 

Foi o complexo de culpa e a pressão judaica global quem, depois da 2.ª Guerra Mundial, e em face do horroroso crime dos nazis praticado nos campos de concentração contra os Judeus, determinou a criação de um Estado para lhes servir de pátria. Era tentar emendar um crime com um potencial crime que se avizinhava. Foi jogar com a emoção colectiva face a um horror, para gerar uma fonte de conflitualidade no Médio Oriente. Contudo, este movimento de pseudojustiça para com um Povo, tradicionalmente perseguido pela Igreja Católica e marginalizado por quase todas as religiões cristãs, tinha um fundamento mais vasto e muitíssimo mais materialista do que as aparências evidenciavam: a influência da comunidade judaica dos EUA aproveitada por Washington para cravar uma cunha de presença no mundo árabe, já então insuspeitável produtor de petróleo. Era a utilização do velho princípio de dividir para reinar. Mas reinar com um pé colocado no meio da praça do potencial adversário; reinar com base numa guarda avançada que gerasse pólos de conflitualidade entre quem não tinha condições de se unir. Quer dizer, Israel depois dos primeiros tempos de fixação e afirmação de poder regional, conseguiu dar ao mundo a imagem de um Estado perseguido pelos povos islâmicos que o cercavam, só que, nessa altura, era já o lobo vestido com a pele do carneiro; anunciando a execução de guerras defensivas, afirmava-se, com o apoio mais ou menos camuflado dos EUA, como um Estado regional de tendências imperialistas. E foi nisso que Israel se tornou graças ao chapéu-de-chuva que evitava que, na época, a, então ainda existente, URSS desse maior e mais declarado apoio aos Estados islâmicos vizinhos de modo a acabarem de vez com o aberrante Estado judaico — aberrante, porque, na perspectiva da História, não faz sentido que exista nas condições em que se afirma: Pátria dos Judeus! Essa desapareceu há, pelo menos, dois mil anos!

 

Desde que os EUA têm afirmado, no Médio Oriente, a sua imensa vontade de estar presentes, sob a capa democratizadora, recordando-nos a irónica e hipócrita afirmação britânica do século XIX, quando, para dominar os povos africanos, os Ingleses chamaram a si o encargo de suportar o fardo do homem branco, civilizando os “pobres” negros da selva, Israel comporta-se, na cena regional, com a mesma falta de humanidade com que os seus mais recentes carrascos os mataram, aos milhões, nas câmaras de gás. Sem dó nem compaixão liquidam um povo que, há cerca de sessenta anos, sem ser ouvido, se tornou errante e, por isso, resistente. Hoje, à luz do mais elementar Direito Internacional e Humanitário, é tão hediondo o crime de Israel como hediondo foi o genocídio hitleriano. O direito à sobrevivência e à salvaguarda da vida impõe a proporcionalidade dos meios usados para a garantir. Ora, isso há muitos anos que se não verifica no conflito que Israel alimenta e os EUA acobertam.

 

O mundo está a ficar um local feio para se viver. A ausência de ética e de valores ou a sua deturpação em nome da prevalência da liberdade do império do dinheiro causam náuseas a quem escuta as notícias nas televisões ou as lê nas folhas dos jornais.

7 comentários

  • Sem imagem de perfil

    Anónimo

    04.06.10

    Caro Rui Saraiva Alves,

    Se de repente, vinda de nenhures, aparecesse uma família de emigrantes ou nómadas, a reclamar a propriedade do meu quintal, munida apenas de um manuscrito (pseudo-testamento sem qualquer fundamento ou efeito legal) feito pelos seus antepassados, "divinamente inspirados" por um qualquer "deus da guerra" ou "senhor dos exércitos". Se depois disso, um qualquer tribunal , por arrependimento de um qualquer anterior acto contra eles ou, simplesmente comovido pelo assassinato de grande parte dessa família, entregasse aos restantes a posse do meu quintal…
    …Eu não ficaria certamente amigo dos meus novos vizinhos!

    Os melhores e mais respeitosos cumprimentos,

    Camoesas
  • Sem imagem de perfil

    Rui Saraiva Alves

    05.06.10

    Caro Camoesas.
    Com "SE´s", cada um de nós põe Lisboa dentro de uma garrafa !
    É evidente.
    Bem compreendo o sentido Bíblico do seu comentário, porém, longe da História do Povo Judeu que nos é contada através dos documentos originais, penso que não teremos bem exactamente a mesma visão das coisas...ou não teremos lido os mesmos documentos !?
    Mas, lá está, uma vez mais, tudo depende da posição do observador...
    Lembro que Israel é a única Nação que sempre cedeu terras (desde 1947) sem nunca ter perdido uma guerra.
    E isto parece-me um detalhe bem importante e que falta na sua análise.
    Não sei se o Camoesas é ou foi militar, todavia, para bom entendedor...
    A alusão que nos oferece sobre o tal quintal a que se refere no não terá antes uma relação mais directa com o Tribunal da Santa Inquisição ?
    Porque, como bem sabemos, os cristãos desse tempo é que ficavam com os "quintais" dos Judeus a troco de simples denúncia.
    Sabe Camoesas, é que se olharmos de longe um campo trabalhado pour um árabe e um campo trabalhado por um Judeu, poderemos saber sem dificuldade quem é árabe e quem á Judeu.
    Uns desenvolvem-se, plantam rosas no deserto, enquanto que outros compram armas e munições e nem seque mandam os filhos à escola.
    Uns protegem-se enquanto que outros, em nome de um torpe Allah (torpe como lhe chamava Camões) decapitam jornalistas a frio...recordo Nicolas Berg, por exemplo.
    Mas coitados; ignorância que a tanto os obriga...!
    O tal velho caquético que antes de morrer distribuiu as terras pelas 12 tribos de Israel, pois Caro Camoesas, ele não estava tão caquético como isso pois daí nos surge (na História do Povo Judeu) o Levítico, entre outros, o terceiro livro de Moisés em que toda a estrutura social, militar e humana (desse tempo) nos é descrita e devidamente estruturada.
    Mas bem sei, olho por olho e dente por dente...esse era o Velho Testamento, todavia, por vezes acho bem que ainda seja assim.
    Agradeço o seu contacto e peço-lhe que aceite uma sincera e bem cordial saudação.
    Despeço-me com amizade.
    Rui Saraiva Alves.
  • Sem imagem de perfil

    Anónimo

    05.06.10


    Caro Rui Saraiva Alves,
    Apenas comento dois dos seus pontos de vista:
    “(…) Israel é a única Nação que sempre cedeu terras (desde 1947) sem nunca ter perdido uma guerra.“
    Pois bem, meu caro, para um povo que guerreia há cerca de 4 mil anos, os povos da região para onde emigrou, sem que tenha tomado e mantido a posse dessas terras através da guerra, ser um vencedor bélico nos últimos 60 anos (depois dessas terras lhe terem sido oferecidas de mão beijada), não me parece ser motivo de orgulho militar (60 em 4.000)…
    Não sei se é ou foi militar, nem vem à conversa mas, parece-me que qualquer um entende.
    “(…)o terceiro livro de Moisés em que toda a estrutura social, militar e humana (desse tempo) nos é descrita e devidamente estruturada.”
    Parece-me que numa clara alusão ao terceiro do Pentateuco, admira a estrutura social dos Hebreus. Eu tenho-lhe aversão e nojo! Não concebo uma sociedade hierarquizada em tribos em que os direitos não são iguais, logo estabelecidos à nascença. Não compreendo uma estrutura militar subjugada aos míticos, uma estrutura militar de arruaceiros, assassinos dos seus pares, revoltosos e dissidentes logo após a mínima derrota (como tantas foram descritas nos seus pergaminhos). Quanto ao lado humano, nunca o tiveram pois, antes dos ataques recebiam ordens “divinas” (de deuses da guerra e dos exércitos) de extermínio total de até mulheres e crianças, não deixando pedra sobre pedra. Logo após as perdidas batalhas, mudavam de crença passando a adorar outros deuses, sendo então chacinados pelos seus pares, por ordens directas e precisas do deus perdedor, através de um seu mítico e tribal representante. De seguida, os harmonizados sobreviventes lá seguiam para outra batalha …
    Quanto aos outros, os árabes, não são nada melhores. No entanto, talvez nós os Europeus tenhamos muitas culpas nesse cartório, pois há um punhado de séculos, fomos nós que os atacámos para os “converter”, éramos nós que lhes chamávamos “infiéis”…
    Estaremos a pagar a factura?
    Parece-me assim que e consigo concordo, “não teremos bem exactamente a mesma visão das coisas...ou não teremos lido os mesmos documentos”, o que é sempre bom para a pluralidade de opiniões e esclarecimento pois, quantas mais forem as fontes e opiniões, mais matéria para reflexão fica à disponibilidade de todos.

    Os melhores e mais cordiais cumprimentos
  • Sem imagem de perfil

    Rui Saraiva Alves

    05.06.10

    Reli o que me escrve e sou forçado a concluir que o Camoesas não sabe o que está a bordar e não deve mesmo ter consultado o Pentateutico.
    O seu lado emocional anti-judaico não lhe permite uma opinião clara, mas isso eu compreendo, a emoção ligada a determinados sentimentos acaba por transtornar a nossa análise.
    Pos é claro que Fio de Pruno não será o local indicado para polemicarmos, no entanto bem gostaria que me dissesse porque é que as linhas de Aushwitz nunca foram bomnardeadas...?
    A este aspecto o Camoesas não faz qualquer alusão.
    Porém, esta sua ausencia a esta minha referncia, pois eu já bem compreendi...era para acabar com eles e quanto a isso o Camoesas está-se a carimbar na casca !
    Limita-se à sua contagem de 60 em 4.000, mas, diga-me:
    - De que é que estamos a falar ?

    Cordialmente.
    Rui Saraiva Alves.
  • Sem imagem de perfil

    Anónimo

    06.06.10

    Meu caro Rui Saraiva Alves,

    Eu só estudei a Bíblia de modo científico e para me cultivar, também li o Corao mas nao o estudei. Na altura fiquei deveras surpreso por verificar que o Corao continha personagens, referencias e transcriçoes integrais da Bíblia, da dos Hebreus e também da dos Cristaos!
    Nada mais natural pois foi escrita cerca de 600 anos depois do JC.

    Infelizmente até hoje, ninguém me conseguiu provar (cientificamente) que qualquer religiao tenha salvo uma única vida humana. O que constato da história é que muitos milhoes morreram e continuam a morrer porque elas existem. Nao deveria ser assim!

    Nao tenha tanta ansiedade em saber quem eu sou, isso nao é importante, Eu apenas sou, aquilo que escrevo. Nada mais.

    A minha intervenao neste tópico fica-se por aqui, uma vez que o prezado cavalheiro já estará a divagar em infundadas acusaoes.
    Os melhores cumprimentos,

    Camoesas
  • Sem imagem de perfil

    Rui Saraiva Alves

    06.06.10

    Nao tenha tanta ansiedade em saber quem eu sou, isso nao é importante, Eu apenas sou, aquilo que escrevo. Nada mais.

    Caro Camoesas.
    Só porque gosto de saber a quem me dirijo e como devo situar os meus propósitos, só por esta razão tomei a iniciativa de tentar identificar quem é Camoesas, o que me parece legítimo e claro da minha parte, e também para poder melhor compreender porque nos oferece certas das sua opiniões.
    Base mais do que elementar em matéria de comunicação.
    Só por isto e nada mais.
    Mas já compreendi, o Camoesas é só aquilo que escreve e quando de facto se ousa escrever que se tem "aversão e nojo"...é porque se tem mesmo aversão e nojo e a partir do que me diz, pois agora estou mesmo de acordo:
    - O Camoesas só é o que escreve !
    Acontece que a aversão e o nojo nem são sequer um sentimento; qualquer pequena crise intestinal poderá dar este mesmo efeito...
    Já entendi e agradeço a forte ajuda que me deu.
    O Camoesas tem seguramente problemas gástricos, vem a Fio de Prumo para se libertar do nojo e da aversão com que passará alguns dos seus dias e diz-me que lhe dirijo acusações infundadas.
    Francamente!
    Penso que da minha parte só foi infundado até ao ponto em que me diz que "SÓ É O QUE ESCREVE".
    O que quer que eu pense Cavalheiro ?
    Acho que poderia fazer um pequeno esforço e ser mais do que aquilo que escreve...aversão e nojo não é assim grande coisa...mas reconheço que quem fala assim...enfim, olhe Camoesas, franqueza acima de tudo!
    Gostei mesmo desta sua sinceridade.
    Fico inteiramente à sua disposição para conversas serenas, abordadas com os dois olhos e cheias de "matière grise" e se possível sem nojo nem aversão, como o diz.
    Algumas das suas observações têm análise e são apresentadas com forte alicerce (mas só algumas), todavia, que diabo, nojo e aversão é mesmo de quem pôe o "galão" por cima da razão, não lhe parece ?
    Despeço-me com cordialidade e como não sou um agente secreto, deixo também o meu nome.
    Saudações.
    Rui Saraiva Alves.
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