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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Já bateu no fundo?

 

O meu silêncio no «Fio de Prumo» deve-se, especialmente, ao espanto com que estou a olhar para a decadência geral da economia e, em especial, para a situação portuguesa.

Tenho-me perguntado:

— Quantos palmos faltam para batermos no fundo? Um? Dois? Será que ainda três?

De uma coisa estou certo: a unidade de medida é o palmo, e dos pequenos!

 

Ontem vi e ouvi o Dr. Medina Carreira no Jornal das 9, convidado pelo Mário Crespo. Mostrou três pequenos gráficos. Não podiam ser mais explícitos.

Em um deles via-se que a década em que tinha havido maior crescimento económico no país foi a de 1960/70 e a de menor a de 2000/10. O espaço entre elas decrescia sempre.

Num outro gráfico mostrou que na década de 1960/70 o número de pessoas dependentes de rendimentos do Estado era francamente menor do que os da década de 2000/10; talvez cerca de metade.

No último gráfico, mostrou que 70% do orçamento do Estado é absorvido pelo pagamento a funcionários dele dependentes.

Quer dizer, em cerca de 40 anos, a economia sofreu seríssimas reduções, tornando-se quase improdutiva e o Estado tornou-se no grande agente de empregos em Portugal. Isto corresponde a uma imagem que me assaltou o espírito. Ela aí vai: Portugal “socializou-se” enquanto se desnacionalizavam as empresas nacionalizadas na sequência de 11 de Março de 1975. Ora, com uma economia anémica, o “socialismo” só pode ser de miséria, de mais nada, porque, para haver socialização justa tem de haver um bom nível de produção económica. Venha Deus ou o Diabo explicarem-me o contrário, que eu não acredito! Nem eu nem ninguém que saiba um pouco de economia. Quando há miséria só se pode distribuir miséria.

 

Ah, e os rendimentos milionários da banca?! E os salários opíparos dos gestores?! E as pensões milionárias?!

Meus amigos, sejamos realistas. Os grandes cortes nos rendimentos milionários da banca, nos salários dos gestores muitíssimo bem pagos e nas pensões milionárias só servem para uma coisa: moralizar a administração financeira de Portugal!!! O que se vai buscar de excesso a cada um destes grupos, distribuído por todos os portugueses, não dá para cada um de nós comprar dez “cafés” no final do mês!!! É isso que resolve o problema? Desculpem, mas não é! Podem e devem tomar-se medidas moralizadoras, mas elas não resolvem o problema de fundo. E o problema de fundo é que Portugal tem gente a mais a “comer à conta do orçamento do Estado”!!! Esse é o problema!!!

 

Como é que “emagrece” o Estado? Acabando com serviços desnecessários, reduzindo o número de funcionários da Administração Central e Municipal, eliminando despesas desnecessárias, acabando com gastos supérfluos, reduzindo salários elevados. Numa palavra: fazendo o que se fez às Forças Armadas nestes últimos trinta e seis anos! É simples! Olhe-se para a receita e aplique-se… mas não mais a elas!!! Já chega!!! Para elas já chega!!! Agora chegou a vez de todos os outros, começando nos professores de todos os níveis de ensino, passando pelos médicos, pelos juízes, pelos bombeiros, pelos polícias, pelos militares da GNR, pelos assessores de todos os parasitas da Administração Central, Regional e Municipal, incluindo deputados, ministros, subsecretários de Estado, secretários de Estado, directores-gerais, administradores de empresas públicas, consultores e assessores, chefes de serviço, chefes de repartição, chefes de secção e tudo o que por aí fora vai de gente que se banqueteia com os dinheiros públicos. Chegou a vez deles, para se emagrecerem os orçamentos!

E é bom que os Portugueses, todos os Portugueses, da direita à esquerda, aceitem e tomem a iniciativa de denunciar esta bagunça para que sejam, ainda — note-se que digo, ainda — os Portugueses a remediá-la, porque pode vir um tempo — que está muito próximo, um palmo, dois ou três — em que nos seja imposta pelos poderes estrangeiros a obrigação de o fazermos sem contemplações, assim como quem manda carneiros para o matadouro…

 

Neste momento o “milagre” — coisa na qual eu não acredito — económico só se pode dar quando se emagrecer o orçamento e para o emagrecer têm de se tirar as tetas das bocas de muitos milhares de comilões ou racionar-lhes, muito bem, as quantidades de “leite” para mamar, porque o investimento que podia salvar a economia nacional foge de nós como o Diabo da cruz. E sem grande, mas muito grande, investimento não pode haver impostos que salvem este tipo de orçamento, porque o que vai acontecer é que os funcionários com baixos salários — que são os que existem em maior número — vão passar a pagar impostos para que o Estado possa pagar bastante menos aos funcionários que, tendo categorias mais elevadas — e que são em menor número — passem a auferir vencimentos menos chorudos. E isto torna-se numa espécie de “toma lá, dá cá” semelhante a uma “pescadinha de rabo na boca” ou, então, o que é pior, numa “Dona Branca” que vai à falência em três tempos.

 

Eu gostaria de poder escrever coisas diferentes destas, mas estaria a mentir e ficaria de mal com a minha consciência. Aliás, há alguns meses atrás, eu deixei aqui um apontamento intitulado «Capitalistas, precisa-se». Hoje penso que, para além de se precisar de capitalistas, precisa-se de muita coragem política para acabar com o actual estado de coisas ou, como dizia o saudoso Salgueiro Maia, acabar com o «estado a que isto chegou».

Claro que não serão de desprezar as medidas que tendam a estabelecer obras públicas — não megalómanas, tais como o TGV — mas isso só, não resolve, tal como não resolve a abertura de uma, duas, três, quatro fábricas de não sei o quê em Alguidares de Baixo. O que resolve é avançar decididamente para um orçamento base-zero, isto é, verificar-se uma por uma, a necessidade de todas as despesas do Estado e da Administração em todas as suas vertentes e, depois, anular as que não fazem falta.

Vamos ter desemprego, claro que vamos, mas iremos tê-lo, mais tarde ou mais cedo, mesmo que se não queira. Porquê? Porque se deu emprego em excesso e se pagou em excesso e principescamente quando, no tempo da negociação da adesão à CEE não se soube acautelar o futuro e se estimulou o consumo das famílias, levando-as até à máxima exaustão, o mesmo é dizer, ao máximo endividamento à custa da ideia de que o dinheiro era barato. O dinheiro é muito caro, porque a banca nacional o vai comprar no estrangeiro para o facilitar internamente. E não se julgue que estaríamos melhores se estivéssemos fora da União Europeia ou fora da zona euro!

Temos de nos convencer de que somos um país pobre ou um país à procura da sua vocação económica.

 

Temos a corda na garganta e a pena é que paguem muitos “justos” por alguns — poucos “pecadores”.

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