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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

08.12.05

Soldados apolíticos ou apartidários?


Luís Alves de Fraga

É uma verdade insofismável o dizer-se que o homem é um ser eminentemente social e sociável. Esta condição impõe-lhe a de ser, em concomitância, político visto a vida em sociedade não dispensar a política como meio de organizar a convivência. No entanto, um dos modos de a conseguir ordenar é, partindo da execução da política como desejo de intervenção dos cidadãos na res publica, caminhar para a democracia, podendo esta ser entendida não no sentido amplo, mas no restrito onde todos participam enquadrados ou sugestionados por engrenagens sociais às quais resolvemos chamar partidos.


De uma forma simples dir-se-á, então, que o Homem é um ser político, podendo ou não ser partidário (isto é, aceita ou não integrar um partido, ou, aceita ou não seguir as sugestões da organização da sociedade segundo a perspectiva de um certo partido). Na prática, quando se apela ao sentido de cidadania de cada um de nós, está-se a pedir que se seja político para que se viva dentro e em consonância com os valores gerais da polis (cidade). Os partidos separam e a política une. Se se preferir, os partidos separam a política.


Ao Soldado cabe defender a polis dos seus inimigos exteriores e, em casos excepcionais, dos internos. Querer que os Soldados profissionais não sejam políticos é uma impossibilidade absoluta, porque só pode servir a polis quem tenha verdadeira consciência da sociedade e de quais os valores comuns a defender. Dotar a polis de uma força armada onde a cada Soldado é dada a liberdade de escolher a facção partidária com a qual mais se identifica é condená-la ao caos, à guerra civil, à desordem e à perda de soberania. O Soldado pode, como qualquer cidadão, simpatizar mais com este partido do que com aquele outro; pode e deve fazer a sua escolha enquanto membro da polis, mas como Soldado terá de possuir uma consciência superior, levando-o a desdobrar-se numa dupla personalidade, distinguindo a sua obrigação para com os concidadãos e a sua opção individual. O Soldado não pode ser apolítico embora exteriormente tenha de ser apartidário. É nisto que também reside a grandeza e a nobreza de se ser Soldado. Esta é, também, uma das componentes da condição militar!


Se o Soldado souber ser íntegro na sua postura então é, de certeza absoluta, superior aos seus concidadãos, porque possui as mesmas virtudes mais a de anular a sua vontade para cumprir a demokratía grega.


A polis não deve honrar só os seus heróis quando, vivendo o perigo de se perder, eles se sacrificam por ela. Não! A polis tem de render sempre profundo tributo a quem sacrifica diariamente os seus interesses e as suas escolhas pessoais às escolhas da colectividade. É legítima a revolta dos Soldados contra aquele que sendo partidário, governa a polis não percebendo este apurado sentido de Serviço, pois governar sem ter em conta o sacrifício de quem é grande, por se ter libertado dos valores mesquinhos, não merece sentar-se nas cadeiras do Poder.

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