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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

O Partido Socialista perdeu

 

 
Ontem tivemos a confirmação da prática de uma má política feita pelo PS durante os últimos quatro anos. A derrota deitou por terra todas as sondagens de opinião. E qual o motivo por que se enganaram as empresas de sondagens e se enganou o estado-maior do PS? Aliás, eu diria que o engano foi quase geral em todos os partidos políticos, pois todos foram, de uma maneira ou de outra, apanhados de surpresa pelos resultados das eleições. E porquê?
Acima de tudo, porque os Portugueses votantes quiseram penalizar o PS. Penalizaram-no votando “fora”, isto é, escolhendo um outro partido para recolher o seu boletim de voto ou, o que foi mau, inutilizando o voto, entregando-o em branco ou impossível de ser contado… E foram muitos os que optaram por esta via! Mas foram muitos mais os que se abstiveram! A abstenção ultrapassou os 60% do eleitorado e só isso é suficiente para retirar legitimidade aos resultados obtidos por todos os partidos! Retira legitimidade, porque, afinal, foi uma minoria que votou. Quer dizer, em cada 100 Portugueses houve cerca de 40 que votaram e 60 que não votaram. Ora, pode perguntar-se: — Os resultados representam a vontade dos Portugueses? Claramente, não! Representa a vontade da minoria dos cidadãos.
 
A abstenção mostra à evidência duas coisas muito claras: os cidadãos estão de costas viradas para a Europa — ou, dito de outra maneira, a União Europeia é uma “construção” política feita ao arrepio da vontade dos europeus — e a maioria dos Portugueses está desligada da governação e da política.
Postas as coisas desta forma, poderá afirmar-se que não houve vitoriosos nestas eleições, porque a vitória está cingida a uma minoria de cidadãos. Mas aceitemos como legítimos os resultados eleitorais. Então, como já disse anteriormente, o que salta à vista é a derrota do PS e, de novo, repito a pergunta: — Por que motivo perdeu o PS, ganhou o PPD/PSD e subiram significativamente o Bloco de Esquerda, o PCP e o CDS/PP?
 
A resposta parece-me evidente: — Porque o PS enganou a classe média portuguesa.
 
Se tomarmos como classe média os cidadãos cujos rendimentos mensais se situam entre os mil e os cinco mil euros (os antigos duzentos e os mil contos) temos que os de rendimentos inferiores pertencem já ao grupo social dos pobres e os que os têm superiores fazem parte dos ricos. Claro que há gradações entre os pobres tal como as existem entre os ricos. Então, numa análise simplificada, poder-se-á dizer que a abstenção se situa entre os ricos e os pobres com as devidas excepções que se identificam ideologicamente com o PCP e com o CDS/PP e alguns oportunistas — pois sabem que o centro político é quem governa — que apoiam o PS ou o PPD/PSD. A grande maioria dos votantes do Bloco de Esquerda nem percebe que este agrupamento ideologicamente está muito para a esquerda do PCP (o discurso cordato e simpático dos seus líderes camufla bem a sua doutrina), que, se fosse factível alguma vez ser Poder, iria arrasar a economia e a propriedade, tal como a conhecemos, para implantar a colectivização, os comités de fábrica, de bairro, de escola, de repartição pública, de hospital, de quartel, de navio, etc.. Mas, voltando à análise simplificada, sou de opinião que a grande traição do PS à classe média — traição que se fez sentir na política de saúde, na política de ensino, na Justiça, nos meios militares e nas forças de segurança — favorecendo descaradamente os ricos e não favorecendo os pobres, ditou as movimentações do eleitorado votante, deslocando os boletins de voto do PS para o PPD/PSD e CDS/PP — e aqui situa-se a classe média mais conservadora —, do PS para o PCP — e nestes está a fatia da classe média que sabe que nunca o PCP poderá atingir as cadeiras da governação, mas pode, contudo, ser uma excelente força de contenção das políticas favoráveis aos muito ricos — e do PS para o Bloco de Esquerda — e aqui está a classe média mais ingénua, mais folclórica, menos oportunista e politicamente menos esclarecida.
 
O meu entendimento dos resultados eleitorais de domingo não assenta, por conseguinte, numa vitória, mas numa derrota da democracia — elevadíssima abstenção — e na vingança da classe média — transferência de votos do PS para todos os restantes. Vingança que José Sócrates Pinto de Sousa vai tentar minimizar nos poucos meses que lhe restam de governação através da prática de políticas que arrastem para a votação os ricos e os pobres. Mas essas políticas — porque logicamente teriam de ser antagónicas — vão tentar puxar para os próximos actos eleitorais as franjas dos ricos e pobres mais próximos da verdadeira classe média, ou seja os pouco ricos e os pouco pobres. São esses que, com uma classe média volúvel, poderão dar uma pequena vitória no futuro ao PS. Sócrates, na esperança de um resultado próximo da maioria absoluta, irá jogar com o espantalho da ingovernabilidade, mas os Portugueses já perceberam com duas experiências — a de Cavaco Silva, há mais de vinte anos, e esta do PS — que os Governos de maioria absoluta são pequenas tiranias insuportáveis e prejudiciais da classe média.

 

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