Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Arma de arremesso

As associações militares e os seus dirigentes têm feito tudo o que eticamente está ao seu alcance para protegerem os interesses dos profissionais castrenses. E têm-no feito no respeito pela mais estrita legalidade, mesmo quando ela é de uma profunda injustiça. O esforço e o sacrifício, bem como o seu saber, merecem de todos nós muita estima e muita consideração.


Entre as várias movimentações que os dirigentes associativos levaram a cabo uma teve mais impacto na resolução do diferendo que nos opõe ao Governo José Sócrates: a audição por parte dos grupos parlamentares minoritários, na Assembleia da República.


É curioso o facto de todos se terem entendido — e pelos vistos, bem — para conseguir que sejam feitas reapreciações da legislação recentemente saída, a qual tanto lesa os nossos interesses — pequenos interesses, diga-se em abono da verdade — capazes de minorarem os baixos vencimentos que nos são pagos.


Isto prova à saciedade, por um lado, a injustiça das medidas governamentais, por outro, o enorme poder de argumentação dos líderes associativos que nos defendem. Mas prova, também, outra coisa: é que os problemas das Forças Armadas ainda são uma excelente arma de arremesso entre os políticos. Hoje são estes que a usam contra aqueles; amanhã, se preciso for, são aqueles que a usam contra estes. No meio, estamos nós e, pior do que tudo, estão os reais interesses da defesa da Nação.


Neste vai e vem de cá para lá entre políticos e grupos com assento no parlamento é possível que haja ainda algum benefício para os militares, mas eticamente não deveria ser assim. A classe política teria de ter vergonha do jogo que está a fazer, porque toda ela, ao longo de mais de vinte anos, contribuiu para a degradação das nossas condições de vida e, mais grave, deixou que, como força, fossemos ficando obsoletos e incapazes de desempenhar com eficiência — conceito que os políticos desconhecem, pois, socorrem-se frequentemente da eficácia, em alternativa! — a missão a nós confiada pelo Povo português.


As Forças Armadas não podem ser arma de arremesso entre políticos. São assunto demasiado sério para que lhe dêem tal utilidade. As Forças Armadas e tudo o que a elas respeita deveriam merecer o consenso da classe política, porque não havendo esse entendimento entre quem governa e quem, no parlamento, critica o Governo, deixa evidenciado o antipatriotismo dos que, afinal, dizem defender os altos interesses de Portugal. Há valores que não se discutem, porque estão muito acima da política corriqueira pronta à satisfação de desejos vis e particulares. Um desses valores é o da defesa da Pátria e, para que tal seja possível, em última instância, as Forças Armadas têm de estar cercadas de uma aureola de intocabilidade absoluta. Mas o governantes nacionais sempre pecaram por descuidarem a magna questão castrense. Assim se ligaram à História Militar nomes como o conde de Schomberg, o conde de Lippe, o marechal Beresford, todos estrangeiros, que, em momentos de grande perigo, vieram organizar a defesa descuidada pelos Portugueses. Nos tempo modernos, basta recordar todo o improviso que foi a mobilização para a participação na 1.ª Guerra Mundial, para a manutenção da neutralidade armada nos Açores e Cabo Verde, durante a 2.ª, bem como, mais recentemente, a instalação das Forças Armadas em Angola, no ano de 1961. Esta constante é própria de um país onde quem governa desleixa o fundamental e assim se perdeu Olivença, se deixou invadir duas vezes Timor, durante a 2.ª Guerra Mundial, e se permitiram os cruéis massacres de Março de 1961, no Norte de Angola. Depois, quando o «fogo» já consome os haveres, pede-se aos militares profissionais que façam «milagres», desdobrando-se em múltiplas tarefas, improvisando o que a cautela e cuidadosa consciência devia, atempadamente, ter prevenido. Os governantes, em Portugal, cultivam a imprevidência. Por isso, enquanto os Portugueses se podem orgulhar das suas Forças Armadas, as Forças Armadas não se devem orgulhar dos governantes portugueses. Triste sina!


 

6 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2006
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2005
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D