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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Há 19 anos... Como foi e quem foi

«O Orçamento Geral do Estado para o presente ano apresenta um corte substancial no capítulo das Forças Armadas, que terá de “apertar o cinto” e restringir as suas actividades operacionais. Dos 46 milhões de contos inicialmente pedidos para a “manutenção e logística”, apenas lhe foram concedidos 32 milhões (aproximadamente a mesma verba do ano passado.


Segundo uma fonte oficiosa “criou-se, assim, uma situação que não teve em linha de conta as necessidades reais das Forças Armadas e que as vai obrigar a reduzir os seus níveis de actividade operacional”. Refere ainda o mesmo informador que a verba proposta pelo Governo, acrescida agora com o aumento de 3 por cento, não acompanha a inflação prevista de 14 por cento e destina-se à recomposição dos “stocks”. Sublinhe-se, todavia, que no sector de pessoal o Orçamento prevê um aumento de 16,5 por cento e de 10 por cento no da manutenção de efectivos (milicianos).


Segundo a mesma fonte, este orçamento exíguo significa que “as Forças Armadas que já desenvolvem uma gestão de grande rigor, a tenham de agravar ainda mais, demonstrando a sua capacidade de reajustamento a níveis que eventualmente não lhe permitem o desempenho de missões que lhe estão cometidas, inclusive no quadro dos compromissos com a NATO.»


Esta é a transcrição exacta do que se dizia no dia 13 de Fevereiro de 1986 no jornal O Dia, logo na primeira página que, a toda a largura, destacava: Militares insatisfeitos com verbas orçamentais.


Quem governava o país nesse tempo? Cavaco Silva, que tomara posse no dia 6 de Novembro do ano anterior. Três dias depois desta notícia, Mário Soares ganhará a 2.ª volta das eleições disputadas com Freitas do Amaral (na 1.ª, este conseguira 46,3% e Soares somente 25,4%).


No dia 16 de Janeiro o serviço militar obrigatório havia sido reduzido de 24 para 12 meses.


As Forças Armadas estavam a ser alvo de cortes sucessivos nos orçamentos e de medidas que lhes afectavam gravemente a operacionalidade. Se é certo que do ponto de vista remuneratório a situação parecia não estar a sofrer alterações significativas — trata-se de uma mera aparência, porque, na realidade, os vencimentos vinham sendo limitados desde o fim do Conselho da Revolução, em consequência de baixos aumentos e elevada inflação —, na perspectiva do desempenho, o corte de 14 milhões de contos (mais de 23 por cento do que havia sido pedido) reflectiu-se na modernização e no treino do pessoal.


Importante é perceber que isto acontecia quando outros Ministérios viam “engordar” os seus orçamentos de maneira desmesurada. A “gestão de grande rigor”, que se refere no jornal, é a que sempre pautou o comportamento administrativo castrense. E é ela que continua a sustentar os sucessivos “apertos de cinto” a que os sucessivos Governos vêm obrigando as Forças Armadas. O sentido de cumprimento das obrigações garante a possibilidade de suportar o abuso e a violência que os Governos impõem aos militares.


Neste apontamento quis deixar provado, de forma indesmentível, que as Forças Armadas, realmente têm sido vilipendiadas pelos sucessivos Governos de Portugal. Isso não ocorre só agora... Tem vindo a ser uma constante. Só que, no presente momento, argumenta-se com critérios de equidade, de justiça, de moral.


Que equidade? Que justiça? Que moral? Depois de todos os servidores do Estado terem sido largamente bafejados pelos orçamentos de há mais de vinte anos a esta parte e os militares terem estado a viver em regime de dieta financeira, vêm-se invocar esses valores! Meu Deus, que hipocrisia!

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