Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Mudam-se os tempos…

 

 

 
Ontem o país assistiu a mais uma importante manifestação de mudança dos tempos. Lisboa transformou-se, por algumas horas, numa aldeia, vila ou pequena cidade do centro e norte de Portugal. A romaria, no seu mais típico traje provinciano, veio para a rua. E todos feitos basbaques ficámos, de boca aberta, a ver.
Lisboa, capital da Europa, deu o exemplo de como se não deve festejar um aniversário de uma estação televisiva.
 
Para já, vale a pena perguntar qual é a importância da SIC ao nível nacional para que se permita a cedência do espaço mais nobre da cidade de Lisboa — a Avenida da Liberdade — para ali se fazer um cortejo de piroseiras entre o começo da tarde e o meio da noite? O que representa nacionalmente uma estação televisiva para que assim se proceda? Que força tem este meio de comunicação entre nós e em particular esta estação?
 
Imagine o leitor qual o significado do encerramento da Avenida dos Campos Elísios, em Paris, numa tarde e noite de sábado para se festejar o décimo quinto aniversário de uma estação de televisão. Imagine o fecho ao trânsito da Praça Cibeles e da Avenida do Prado, em Madrid, por igual motivo. Imagine. Tire conclusões.
Isto não está ao nível da Europa, mas ao de um qualquer Estado do designado Terceiro Mundo. Só num país de papalvos, de pacóvios, de palonços isto é possível!!!
 
Há mais de trinta anos a Avenida da Liberdade é palco, por poucas horas, dos festejos do dia 25 de Abril, uma data com significado nacional. Na noite de S. António encerra para, numa macaqueação do sambódromo do Rio de Janeiro, dar lugar ao pífio desfile das marchas populares. No entanto, a Avenida da Liberdade, há muitos, muitos anos não é palco de uma grande parada militar em data festiva, como acontece nos Campos Elísios, todos os anos, no dia 14 de Julho, ou como ocorre em Madrid, em 12 de Outubro.
 
Esta substituição dos militares por estações televisivas é bastante significativa. Fala da nossa democracia e do nosso sentido de Pátria, do nosso orgulho nacional. Mas, o pior de tudo, é que fala de como um órgão de comunicação social contribui largamente para a inversão de valores na sociedade portuguesa.
Entre o aparato de uma tropa garbosa e segura, mostrando a valia do seu poder como garante da independência e soberania nacionais preferem-se as baboseiras de uma dúzia de fracos apresentadores televisivos e os dislates de cantores de segunda categoria.
 
Repare o leitor consciente da sua nacionalidade que todas as cerimónias militares de certa grandeza relativa têm sido empurradas para o espaço fronteiro ao mosteiro dos Jerónimos, afastadas das vistas e do bulício da cidade e dos cidadãos. É como se tivéssemos vergonha das nossas Forças Armadas. Contudo, pacóvios, tal como ontem fomos, deixamos esta e colaboramos nesta descaracterização dos nossos valores.
 
Sei que, quase cinquenta anos de nacionalismo hiper exaltado pelo chamado Estado Novo, foram motivo para se procurar moderar o que antes era excessivo, mas daí à cedência da nossa principal sala de visitas a uma estação televisiva vai um abismo. Um abismo de conceitos que, por si só, diz muito.
 
Ao que nós chegámos!
É assim que me apetece acabar o apontamento de hoje.
Ao que nós chegámos!

8 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2006
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2005
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D