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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Uma palavra de compreensão

Fonte: Blog «O Abrupto»

 
Compreendo que possa ser radical a minha posição classificativa quanto a quem dá a cara nos comentários que faz nos blogs existentes por essa blogosfera imensa. Mas estamos perante um ciclo vicioso: se o anonimato é aconselhável por razões de ordem de sobrevivência, também é certo que ajuda a encobrir os denunciantes, os pusilânimes, incapazes, sempre incapazes, de mostrar-se com coragem perante o mundo.
 
O ciclo tem de ser rompido e só o pode ser através da cultura da coragem. Assim, na minha opinião, deve falar quem se encontra com possibilidades de fazê-lo, isto é, quem resolve arriscar. Se não tem essa possibilidade, deixe-se andar informado, mas remeta-se ao silêncio prudente. Faça, afinal, aquilo que se critica aos chefes militares: resguarde a sua posição, o seu pequeno tacho, a sua vidinha.
 
Não tenho nem mais nem menos coragem do que todos os que são capazes de dar a cara por uma causa, mas permito-me contar uma estória que se passou comigo, nos últimos anos de serviço activo.
 
Os oficiais superiores de uma determinada unidade — de pequena dimensão, mas do comando de um oficial general — almoçavam todos juntos numa sala a eles reservada, numa longa mesa onde não faltava tudo o que deve fazer parte de uma restauração cuidada.
Certo dia o general estava ausente e presidia à mesa o 2.º comandante, um coronel como eu, homem com aspirações a ser general, incapaz de «fazer ondas», hábil para tratar da sua vidinha, mas inábil para cuidar dos deveres mais essenciais de todos nós. Após a refeição falava-se de dignidade e de defesa da dignidade e eu reparei que na longa mesa estava colocada uma longa toalha que apresentava um rasgão no meio do tampo.
Chamei a atenção do 2.º comandante para o facto de ele nem ter coragem para determinar que aquela toalha deixasse de vir à mesa do comando, pois ou se queria dignidade e ela não era usada por estar rota — mas, nesse caso, continuava-se a ter pratinho para o pão e a manteiga e colocava-se uma mesa diferente da de todos os outros militares — ou, então, não se impunham diferenças especiais e distintivas. Havia que ter a coragem de se saber decidir.
Claro, hesitante como sempre, o 2.º comandante, em frente de quem eu estava sentado, por ser o oficial mais antigo dos dez ou doze presentes, arranjou mil desculpas para manter tudo na mesma.
Irritou-me aquela moleza, aquela incapacidade de resolução por receio e, porque sou avesso a indecisões, disse-lhe:
— Olha, meu amigo, há um processo de nunca mais esta toalha vir para a mesa do comandante e continuar-se com a fantochada da dignidade especial para os oficiais superiores! — Levantei-me, meti a mão no buraco da toalha e acabei por, num gesto rápido, a rasgar de forma a não mais ser possível remendá-la.
O silêncio foi total. Até o 2.º comandante ficou atónito.
Alguém, pressurosamente, foi informar o general da ocorrência, mas este conhecia-me, sabia da minha qualidade e nada me disse. Nem nada tinha para dizer, porque, tal como eu, era um homem que sabia decidir na hora certa sem temer consequências.
Passaram-se muitos meses até que, certa vez, o general me fez referência ao acontecimento. Respondi-lhe:
— É pena que não me tenhas interrogado no dia seguinte e que tivesses preferido ouvir relatos de bufos que só desejam «ficar bem» aos teus olhos!
Respondeu-me: — Não devias ter desautorizado o 2.º comandante da maneira que o fizeste. Retorqui: — É quando o burro cai que se lhe dá a varada, não é antes nem depois, e tu sabes isso muito bem, porque sabes o 2.º comandante que tens!
Poucos meses depois deste episódio ter acontecido, estava o general a louvar-me e propor-me, por vários outros motivos, claro, para receber a medalha militar de parta de Serviços Distintos.
 
Dei-me como exemplo para mostrar até que ponto sou coerente e como, quando se não teme e se está dentro da razão, se pode e deve ser frontal. Às vezes, os cobardes apunhalam-nos pelas costas! Ossos do ofício! Há sempre a hipótese de ficar calado!

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