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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Os nomes nos blogs

 
Há dias fiz uma passagem completa por todos os blogs guardados nos “meus favoritos”. Depois, fui rever todos os comentários deixados nas minhas postagens e verifiquei uma constante muito curiosa: só há dois tipos de autores de blogs, tal como só há, também, dois tipos de comentadores dos blogs alheios: os anónimos e os não anónimos.
 
Realmente há entre autores e comentadores aqueles que deixam o seu verdadeiro nome bem visível para que todo e qualquer internauta os possam identificar; alguns, até publicitam a sua fotografia. Eu sou desses.
Não é por ser desses, mas tenho de classificá-los com o epíteto de “corajosos”; dão-se a conhecer e não têm medo do que dizem nem das consequências do que dizem. Assumem-se por inteiro.
Para esses, valeu a pena fazer-se o 25 de Abril no ano de 1974. São cidadãos responsáveis que não temem, nem a Justiça do Estado nem a justiça dos homens. Encaram a sociedade de consciência tranquila.
 
Depois vem os anónimos. Sem rebuço de qualquer espécie, classifico-os de “medricas” e de “medrosos”.
“Medricas” são todos os que escolhem um pseudónimo e se escondem atrás dessa identidade não identificável, tornando-se, de repente, “corajosos”! Cheios de uma falsa coragem, evidentemente!
Fazem-me lembrar aquela frase que se dizia quando eu andava na instrução primária e algum lingrinhas vinha acompanhado de um matulão ameaçar-nos; respondíamos: — Com as calças do meu pai, até eu era homem!
Na verdade, escondido atrás de um pseudónimo, todo o cidadão pode ser corajoso, pois sabe que, pelo menos, por processos comuns, não é identificável. Diz o que quer, mas esquiva-se de poder ser incomodado. E se for, por força de algum comentário mais desabrido, está sempre incógnito. Lembra-me todos quantos iam às “manifestações espontâneas” de apoio a Salazar, mas levavam a aba do chapéu baixa para não lhe identificarem a cara; no dia seguinte, no café do bairro, podiam dizer baixinho que Salazar era um fascista, depois de terem, na repartição, assegurado ao chefe que estavam inteiramente de acordo com o Estado Novo.
“Medricas”, porque têm medo e nem aceitam que o têm.
 
“Medrosos” são os que, pelo menos com coerência, não assumem identidade de espécie alguma. Esses, no tempo do Estado Novo, não iam à manifestação, mas, em privado, muito em privado, juravam ao chefe total fidelidade à “situação”, a Salazar, à Santa Madre Igreja e a tudo e todos… Até usavam o emblema da Mocidade Portuguesa, mas escondido pelo lado de dentro da lapela do casaco!
 
A mentalidade dos “medricas” e dos “medrosos” já vem muito de trás. Tem séculos de existência entre nós. Deve-se à Inquisição e ao Tribunal do Santo Ofício.
Nesses tempos recuados, essa terrífica instituição, que zelava pela pureza da religião Católica, aceitava a denúncia anónima dos trânsfugas. Anónima para a sociedade e para o pobre denunciado, mas identificada pelos esbirros da Inquisição. Identificada para o denunciante poder receber a parte que lhe competia dos bens do denunciado!
 
Foi este padrão comportamental que ganhou raízes entre nós. Desta laia saíram os bufos que alimentavam os arquivos da PIDE/DGS, desta laia saem os autores dos blogs e dos comentários que se assinam com pseudónimos ou se mantêm anónimos.
Voltasse a haver Tribunal do Santo Ofício e vê-los-íamos em fila, embuçados, pela calada da noite, ir entregar a sua denúncia aos pressurosos defensores da fé de Roma.
 
Se têm medo, acho que os “medricas” e os “medrosos” faziam um favor a todos nós e à blogosfera se deixassem de sobrecarregá-la com as suas palavras. Se deixassem de proclamar o direito ao contraditório — que contraditório? Aquele onde não se sabe quem se contradita? — Deixem de escrever. Ao menos, aprendiam com todos os que, arrostando com ventos e tempestades, assinam com o seu nome e mostram a cara nos blogs que alimentam!
 
Realmente, faz falta uma revolução cultural! Uma revolução que ensine que o medo é a mais traiçoeira arma que pode ser usada contra quem se couraçou com o peitoral da coragem e é apunhalado pelas costas.
 
Claro que estão isentos desta dura acusação todos quantos sustentam blogs literários, onde se cultiva meramente a arte de escrever em prosa ou em verso, mas já não fogem ao meu gládio os que mantêm blogs humorísticos, pois é sabido que o humor pode ser tão corrosivo como uma longa página de sérias críticas.
 
Agora, estou de bem com a minha consciência, por isso, se calhar, de mal com os homens. Pelo menos, com alguns homens.

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