Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

As Forças Armadas em números

Numa feliz iniciativa o diário Correio da Manhã, nos últimos dias do ano passado, publicou três artigos sobre os três Ramos das nossas Forças Armadas. Percebeu-se que foi dada a liberdade para cada qual realçar o que melhor entendeu. Todavia, em comum, vieram os números relativos ao pessoal e referências ao material operado.


Seria interessante se igual iniciativa fosse tomada com outros Ministérios que dão corpo ao aparelho do Estado. Talvez assim ficássemos a saber um pouco mais por onde se escoam os impostos pagos pelos cidadãos. Quantos milhares de funcionários terá o Ministério das Finanças? E o da Saúde? E o da Educação? E o da Justiça? E o do Administração Interna? E o das Obras Públicas? E o da Agricultura e Pescas?


Pois as Forças Armadas deste país totalizam qualquer coisa como, em números exactos, 46.928 pessoas, das quais 7.422 são civis. Assim, temos, que militares ou militarizados são 39.506. É sobre este «punhado» de cidadãos que a mão pesada do Governo caiu a roubar parcas regalias detidas por quem se obriga a estar disponível 24 horas em cada dia e a dar a vida, se preciso for, para cumprir o «contrato de trabalho»!


Dirão os mais atentos e rigorosos dos meus leitores: — Sobre esses e todos os outros que estão já na situação de reserva e reforma!


Dizem uma meia verdade, porque, destes trinta e nove milhares e meio de almas só têm direito a regalias vitalícias os graduados do quadro permanente. Ora, se assumirmos que os números fornecidos ao Correio da Manhã, relativos a oficiais e sargentos se referem a militares nesse tipo de situação (o que não é verdade, por estes serem menos), verificamos estar perante qualquer coisa como 16.172 homens e mulheres. Se quisermos, por aproximação, determinar o total de reservistas e reformados poderemos usar como factor de multiplicação o valor 3 (estou a fazer cálculos aleatórios e simplesmente baseado em indícios fundamentados no passado). Assim, chagaremos a 48.516. Adicionando a estes os efectivos militares (39.506) passamos a ter 88.022. Seria, talvez por excesso, este o número de militares beneficiários de algumas regalias dos antigos sistemas de saúde existentes até ao último dia do ano findo. Para maior rigor vamos multiplicá-lo por dois para considerarmos os agregados familiares (temos de contar que muitos são os viúvos, separados e solteiros) e obtemos 176.044 beneficiários. Convenhamos que se trata de uma fatia muito estreita da segurança social de um país com mais de dez milhões de habitantes. E, se o é, a vantagem que o Estado tira dos cortes que fez vai ser, ela também, muito reduzida. Esta conclusão leva-nos a outra: as Forças Armadas serviram de exemplo para depois se corrigirem assimetrias e abusos existentes noutros sectores do funcionalismo público. E foram exemplo, porque têm de estar caladas por força do seu código de conduta. Assim, o Estado, o Governo, não soube, não quis, não foi capaz de se impor sem o sacrifício de quem já anda sacrificado.


Deixando de lado — com dor e pesar — as injustiças feitas à Família Militar, atentemos, agora, nos números que compõem parcelarmente as nossas Forças Armadas.


Na categoria genérica de oficiais, o Exército tem 2.881, a Armada 1.512 e a Força Aérea 1.247; já em sargentos os números são, pela mesma ordem, 5.535, 2.649 e 2.321; ao nível das praças (cabos e soldados) surgem, sequencialmente: 13.900, 6.404 e 2.829.


Quem for minimamente perspicaz percebe aqui aparentes discrepâncias, contudo explicáveis. Assim, parece estranha a pequena diferença entre sargentos e praças no Exército — um pouco mais do dobro. Isto justifica-se, porque devemos atentar que, sendo os sargentos os elementos que enquadram as praças, tem de haver um número capaz de, em caso de necessidade, face a uma mobilização extraordinária, «suportarem» o dobro ou, talvez, o triplo do contingente de cabos e soldados. Por outro lado, 13.900 praças é um número que poderá, no máximo, garantir a formação de duas brigadas e nada mais.


Na Marinha, deve descontar-se na classe de praças 1.692 que são fuzileiros navais o que faz baixar para menos de cinco mil as que vão guarnecer navios e postos em terra.


A especificidade da Força Aérea traz-lhe características muito especiais. Com efeito as maioria dos combatentes — directos e envolvidos na acção de fogo — são oficiais: os pilotos, que totalizam 200, faltando 90 para os quadros estarem preenchidos. Tudo o mais, são técnicos que garantem a operacionalidade dessas duas centenas. Deve acrescentar-se que, em terra, a Polícia Aérea oferece a segurança das infra-estruturas. Curiosamente, é neste Ramo que o número de pessoal em situação de alerta diário atinge um patamar muito elevado de empenhamento: 600. Este envolvimento operacional passa pelos destacamentos permanentes nas ilhas de Porto Santo e S. Tomé; e pela prontidão imediata na Base Aérea de Monte Real, Montijo e Lajes, na ilha Terceira. Os aspectos mais notórios da actividade aérea em alerta são, sem dúvida, os de salvamento, atribuídos aos helicópteros com base no Montijo, nas Lajes e em Porto Santo.


As Forças Armadas de Portugal, hoje reduzidas a uma dimensão quase exígua, apresentam um grau de prontidão que em nada fica atrás das de qualquer grande potência militar, salvaguardadas as proporções e as disponibilidades orçamentais. Ridículo é haver governantes a exigirem mais contenção, discutindo o pouco consumido por quem está apto a, numa situação de caos ou calamidade, manter a ordem e garantir serviços mínimos.


Portugal sempre foi ingrato para os Soldados, embora seja uma Nação que se construiu, chapinhando no sangue dos seus heróis anónimos.

7 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2006
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2005
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D