Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Nós e os Ingleses

 
O tempo passou, mas a mágoa deles
e de tantos outros com o mesmo drama
não desapareceu. São dores profundas
que ficam para sempre.
Já quase não são notícia no jornal e, por isso mesmo,
são motivo para a nossa reflexão.
 
 
Vieram passar umas pequenas férias ao Algarve e alguém raptou-lhes a filha de tenra idade. São ingleses.
 
São inúmeras as crianças portuguesas que desaparecem em Portugal. Se calhar também é elevado o número de crianças africanas desaparecidas no nosso território. Mas o caso da criança inglesa passou, de imediato, para as primeiras folhas dos nossos jornais e para a dos jornais ingleses.
 
Será que em Inglaterra não desaparecem crianças? Pelo que parece, até dá a sensação de que não.
 
Não quero imaginar a dor, a aflição dos pais da criança desaparecida; nem a desses pais, nem a de todos os que passam pelo mesmo! Deve ser horrível!
Mas parece-me que deve, ainda, ser mais horrível os pais de todas as crianças desaparecidas em Portugal assistirem à visibilidade que foi dada ao caso da criança inglesa quando os seus dramas familiares não passaram de uma notícia nas páginas interiores dos jornais e, se calhar, nem chamou a atenção das estações televisivas.
A esses, os pais cujo drama não teve visibilidade, assiste-lhes o direito de se sentirem revoltados. Revoltados contra os órgãos de comunicação social nacionais, porque se prontificaram a dar um extraordinário destaque a um drama semelhante ou mesmo igual ao seu, quando o deles não passou de uma mera notícia; revoltados contra o empenhamento das forças policiais e de investigação criminal, quando nos seus casos, se calhar, se depararam com montanhas de burocracia.
Respeito a revolta desses pais e desses familiares que não foram recebidos pelo papa, que não tiveram direito à circulação da fotografia dos seus pequenos desaparecidos na Internet, que não foram longamente entrevistados por jornais ou estações de rádio. Respeito e até compreendo.
 
O que não compreendo é esta nacional vocação para estarmos sempre prontos a satisfazer as reclamações dos Ingleses, a atendermos todos os seus caprichos, a ouvirmos todos os seus remoques, a acatarmos as suas críticas, a fazermos eco das suas notícias, dos seus mexericos.
Já foi assim no século XIX quando eles escravizavam a sua própria população, explorando-a até à morte, através do seu sistema capitalista que sustentou a mais iníqua economia europeia e, muito preocupados com o bem-estar da humanidade, perseguiam os navios portugueses suspeitos de transporte de escravos para o Novo Continente. Foi assim quando o maior chocolateiro do mundo resolveu fazer “guerra” ao maior produtor de cacau do mundo — Portugal, através de S. Tomé — acusando-o de os trabalhadores estarem sujeitos a um regime de escravatura. Foi assim, quando, umas dezenas de anos antes, desembarcaram os exércitos ingleses em Portugal para ajudar na luta contra as hostes napoleónicas e a primeira coisa que fizeram foi destruir todos os teares e toda a pequena indústria de tecidos nacionais… Impunha-se que importássemos os tecidos das suas fábricas.
De rol de humilhações basta, embora a imprensa britânica esteja disposta a desenterrar a vida passada dos nossos inspectores da Polícia Judiciária para os julgar no tribunal da opinião pública por alegada incompetência! E o descaramento vai ao ponto de se verificar quanto tempo estes esforçados lutadores do bem contra o mal gastam a almoçar e quantos copos de cerveja bebem durante a refeição! E quem o diz são os jornais ingleses, incapazes de medirem os litros de vinho, de cerveja e de gin consumidos na sua isolada, orgulhos e altiva ilha.
Para quando os nossos jornais e televisões destinam grandes espaços para desmascarem a prática de xenofobismo contra os trabalhadores portugueses no Reino Unido? E para mostrarem, até às últimas consequências, o trabalho escravo a que os nossos emigrantes se sujeitam para ganharem umas míseras libras? E para desmascarem toda a perfídia dos empregadores ingleses? E para porem a descoberto a barbárie das claques de futebol?
Não será já tempo? Não será já tempo de mostrar que temos orgulho do que é nosso e que não aceitamos lições da Inglaterra?

7 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2006
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2005
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D