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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Do tendão de Aquiles ao joelho de Sócrates

Aquiles, guerreiro em quem os Gregos confiaram para conquistar Tróia, foi mortalmente atingido por uma seta disparada por Páris, que Apolo desviou de modo a atingir o calcanhar, ponto frágil do semi-deus.


As minhas dúvidas profundas sobre as divindades com que tantas religiões nos presenteiam, impondo-as nos seus templos como os bons peritos de marketing fazem hoje aos produtos supérfluos que enchem as catedrais do consumo chamadas shopping centers, levam-me a ser um agnóstico limitado (pela força da cultura católica envolvente dos cidadãos em Portugal). Mesmo agnóstico, ou por causa disso, ao ler nos jornais a notícia de que o primeiro-ministro tinha sido intervencionado no Hospital da Força Aérea, por um médico ortopedista a quem, há muitos anos, na Academia, em Sintra, ensinei algumas coisas de história militar, dei comigo a pensar se, afinal, os deuses não escrevem, realmente, direito por linhas tortas. Terá sido Apolo quem deu um empurrão, contribuindo para o desequilíbrio de Sócrates, na descida da pista de gelo? Assim, no Olimpo, Ares, o deus da guerra, terá estado ao lado da justa causa dos seus servidores portugueses, trazendo Sócrates a um hospital militar para que visse e sentisse quanto estes estabelecimentos são necessários a quem à mavórtica actividade se dedica.


Irá Luís Amado manter-se caprichoso na fusão dos hospitais militares e dos serviços de saúde, sem perceber que cada um tem valências específicas, como tão bem ficou provado após este recente episódio com José Sócrates? Não estarão os deuses a indicar a estes governantes o caminho certo a trilhar? Há mais mundos para além do económico e nós bem precisamos de manter os vários hospitais militares em funcionamento quando a tendência é para acabar com os seus equivalentes civis, vista a furiosa decisão do Estado para transformar em empresas aquilo que tanta falta faz aos Portugueses.


— Senhores ministros, estraguem-se todos, partam-se, desloquem-se, inchem-se, vomitem-se, porque cá estarão os médicos militares, nos seus hospitais, para vos tratar da saúde. Os deuses estão de atalaia!

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