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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

25.04.07

Um autarca e um general


Luís Alves de Fraga

 
Ontem, ia ao volante da minha viatura e ouvi uma estranha notícia na rádio: o Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), general Pinto Ramalho, havia anunciado aos meios de comunicação social o reforço da guarnição militar de Beja com mais um batalhão operacional e a intenção de guarnecer militarmente Tavira — que foi em tempos um grande centro de formação de sargentos milicianos de Infantaria.
 
O locutor retransmitiu a satisfação do autarca de Beja por ver revalorizada a sua cidade com mais gente, dando-lhe uma maior importância, e ressaltou, com grande ênfase, a posição do autarca de Tavira — o activo político e ministro do tempo do cavaquismo — Macário Correia, que se refugiou no seu couto algarvio há já muitos, muitos anos. E a estação radiofónica reproduziu as palavras do autarca do PSD:
— Não era um qualquer general quem decidia se uma localidade passava a ter ou não mais militares; que, nos seus diálogos com o ministro da Defesa, estava garantido o contrário do que Pinto Ramalho afirmava.
 
É o despudor absoluto! É a arrogância elevada ao mais alto grau!
 
Quem julga que é o senhor engenheiro (a gente até já tem medo…) Macário Correia? Que importância a si mesmo se atribui? Que projectos escondidos tem este autarca de Tavira? Que sonhos acalenta à custa do património militar?
 
Saberá Macário Correia que qualquer Chefe de Estado-Maior dos ramos das Forças Armadas é responsável ao nível nacional — com repercussões internacionais — pela prontidão técnica dos meios que comanda? Saberá que é a ele quem cabe a escolha do dispositivo das forças que tem sob as suas ordens? Que é ele quem diz se uma unidade é mais necessária num determinado local do que noutro?
 
Pelos visto não sabe e não quer saber!
 
Claro que o mais elementar bom-senso leva a que existam um conjunto de decisões que os Chefes militares, ainda que as possam e davam tomar — por ser deles a exclusiva responsabilidade das mesmas — informem o ministro da Defesa, enquanto responsável político e não técnico, como é evidente. Ainda não chegámos ao ponto de as decisões militares, que estão orientadas para a prontidão dos meios, serem tomadas pelos políticos! Isso costuma acontecer em regimes ditatoriais.
Claro que, como é mais fácil fazer revoluções políticas do que revoluções de mentalidades, estas manifestações de políticos influentes só vêm provar que a cultura salazarista, a cultura ditatorial, a cultura fascizante ainda não foi completamente erradicada da cultura portuguesa depois de trinta e três anos de parlamentarismo. Ainda há por aí muita gente que se diz democrática, que ocupa até lugares com relevo no aparelho do Estado, portadora do terrível vírus autoritário inoculado neles, ou nos seus progenitores, no tempo do anterior regime. É que isto de democracia, mais do que nos livros ou na escola, começa por se aprender em casa. Em casa, meus senhores! É no leite materno e sentado à mesa paterna que se deglutem os primeiros sustentáculos de uma mente livre e democrática ou de um espírito retrógrado e autoritário.
Pelos vistos, o senhor engenheiro Macário Correia comeu autoritarismo em excesso!

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