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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

12.04.07

Agente Técnico e Engenheiro Técnico


Luís Alves de Fraga

 
Não ouvi nem vi a entrevista de José Sócrates dada à RTV. Acho que não tenho de me justificar sobre os motivos. Contudo, vi e ouvi os comentários que foram feitos, logo de seguida, por vários comentadores.
Houve quem acusasse o primeiro-ministro de grave falta de carácter por permitir e deixar divulgar, associado ao seu nome, o título de engenheiro e houve, também, quem desvalorizasse o mesmo facto, atribuindo-o à euforia da juventude de José Sócrates quando foi deputado, em 1991.
 
Neste blog tenho deixado clara a minha opinião quanto à postura política do primeiro-ministro e secretário-geral do PS. Ninguém pode ter dúvidas quanto ao que eu penso a respeito de José Sócrates. Eis o motivo por que, em meu entender, muita gente está a criar um facto político à volta de um assunto que não deveria merecer mais do que duas ou três linhas no jornal dos mexericos nacionais.
 
É sabido que, antes da reforma do ensino na sequência da mudança política ocorrida depois de 25 de Abril de 1974, havia o chamado ensino médio — de comércio e de indústria — que habilitava para o exercício de funções de contabilista e de agente técnico de engenharia. Após a reforma, por extinção dos cursos gerais de comércio e de indústria, os antigos Institutos Comerciais e Industriais passaram a ministrar cursos de três anos e a habilitar com os alunos com o título académico de bacharel em Contabilidade e Administração e em Engenharia Técnica.
Na ausência de tradição recente no uso do título de bacharel todos os diplomados «subiram» um degrau académico e passaram a ser designados por Drs., os bacharéis em Contabilidade e Administração e por Engs., os bacharéis em Engenharia Técnica.
 
É aqui que muita gente está a ser desonesta ao explorar o risível «caso do Eng. José Sócrates». Claro que o homem se intitulava Eng., porque era Engenheiro Técnico e era e é assim que os seus colegas do ISEC (Instituto Superior de Engenharia de Coimbra, cuja fotografia encima esta crónica) se intitulam e deixam intitular. Tão simples como isto. Não são engenheiros inscritos na Ordem dos Engenheiros, mas são Engenheiros Técnicos diplomados com o bacharelato pelos respectivos Institutos, que até, oficialmente, se designam de Engenharia.
 
Era isto, com simplicidade linear e frontal honestidade que o bacharel em Engenharia Técnica e licenciado em Engenharia Civil José Sócrates, primeiro-ministro de Portugal, deveria ter explicado a todos os Portugueses:
— Sou engenheiro, porque por tradição e erradamente, neste país se chama engenheiro aos bacharéis diplomados pelos Institutos Superiores de Engenharia! Mal ou bem, para o mal ou para o bem, usei um título tradicional entre os meus colegas de formação!
 
Por que motivo José Sócrates não optou por dar esta explicação que toda a gente compreenderia e que lhe granjearia uma imagem de homem simples e honesto? Por que razão os seus apaniguados de partido não explicam assim o patético episódio do engenheiro José Sócrates?
 
Para mim, são as respostas a estas duas perguntas que me fazem confusão. Tudo o mais não interessa, porque está explicado por natureza.

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