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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Obviamente... punido

Na crónica anterior pretendi realçar somente a coragem de um general espanhol. Coragem para dizer o que pensa e o que os subordinados lhe disseram que pensavam. Tive o cuidado de ressalvar a possibilidade de, politicamente, a atitude desse general não estar correcta. Mas a mim não me interessava esse aspecto! É que em Portugal, um país e um Povo que esteve amordaçado pela força da censura e da repressão policial desde 28 de Maio de 1926 até 25 de Abril de 1974, de há alguns anos a esta parte, tem-se vindo a cultivar a auto-censura, através de medir todos os prós e todos os contras antes de se abrir a boca para dizer o que realmente se pensa.


“As portas que Abril abriu” ao pensamento, fechou-as à livre expressão das ideias. Então para quê, o esforço e Abril?


Esta questão faz-me lembrar a pega que há muitos anos tive com um polícia de trânsito. Eu conto.


Parei a minha viatura na área limitada por um sinal de proibição de estacionamento. Saí do carro e vim esperar à sombra de uma árvore fronteira. Chega o polícia, preparando-se para passar a respectiva multa. Aproximo-me e pergunto se há problema. Respondeu-me, textualmente «O senhor não pode parar a viatura neste local». Disse que ele estava equivocado. Pergunta-me, com ar agastado, se eu conheço o Código da Estrada. Respondi-lhe afirmativamente, colocando-lhe a questão de se ele sabia falar português. O homem bufou, e, já irado, torna a inquirir se eu o estava a gozar. Expliquei-lhe, com toda a tranquilidade, que ele se expressava mal, porque eu podia parar o carro onde quisesse; não devia era fazê-lo, porque, nesse caso, me sujeitava às consequências.


Neste Portugal de hoje, há gente em excesso a pensar nas consequências, facto que cultiva uma forma de cobardia intelectual. Daí que toda a coragem — como oposto à cobardia — seja de elogiar.


O Tenente-general Mena Aguada não foi cobarde, porque, pensando ou não nas consequências do seu acto, disse o que julgou dever afirmar em público. Está, agora, a arcar com o peso da sua atitude altaneira. Curioso é que, ao atingirmos tão avançados cumes civilizacionais, tenhamos perdido a pureza dos Povos Primitivos, antropófagos, pois, após as batalhas, mortos os adversários, em sinal de grande respeito, comiam os órgãos nobres (coração e fígado) daqueles que melhor tinham combatido, na bem determinada intenção de se apossarem das suas virtudes guerreiras. Neste sentido, claro, sou antropófago e primitivo!


Honra aos vencidos e glória para todos os que se souberam bater!


O general José Mena Aguada foi punido com prisão domiciliária e vai ser destituído do cargo de Comandante das Forças Terrestres de Espanha. Foi punido, porque disse das suas preocupações e das dos seus subordinados. Estranhamente, o mesmo sentimento que, nesta altura, o obriga a estar retido na sua residência é exactamente aquele que determinou Miguel de Unamuno a não mais poder sair de casa, por se ter rebelado contra a afirmação de um outro general, que, ao serviço de Franco, gritou, na Universidade de Salamanca, o ignóbil slogan «Viva la muerte, abajo la inteligencia!».

Como o Poder tem medo da Coragem!

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