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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

21.05.21

O Regresso das Ditaduras?


Luís Alves de Fraga

 

Este é o título de um pequeno livro de divulgação, da autoria de António Costa Pinto, conhecido politólogo e investigador, editado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos e cujo tema central é o da análise das democracias actuais e das tendências ditatoriais que se vão manifestando por esse mundo fora. Assisti ao lançamento do livro, usando a plataforma Zoom, feito pelo Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas ‒ no qual sou investigador ‒, tendo tido oportunidade de ouvir os comentários feitos à obra e as explicações que o autor deu.

 

Não se trata de um ensaio de nível académico, mas, também, não é uma obra desvalorizada só pelo facto de se destinar a ser lida por gente cuja formação não é a da Ciência Política. Assim, aconselho-a aos que quiserem ter um ponto de situação sobre o estado das democracias actuais e da evolução que sofreram as ditaduras.

Na verdade, o autor dá mais importância a estas últimas e às formas de que se revestem do que às democracias. Ao fazê-lo, fica claro que as ditaduras de hoje ‒ sejam de direita ou de esquerda, porque as iguala, partindo dos métodos utilizados ‒ são bastante diferentes das que vigoraram até ao fim da primeira metade do século XX.

 

O populismo não é determinante de uma ditadura; pode ser um dos ingredientes que a ela conduzem. Também o uso do golpe militar ou da revolução popular não são já as vias escolhidas para a ditadura se implantar ‒ podem ocorrer, mas não são necessários. O partido único dominante só já é utilizado em algumas ditaduras herdeiras do modelo marxista-leninista. Também o modelo corporativo parece esgotado. Assim, as ditaduras de agora aceitam ser democráticas ou seja, espelham uma aparência de democracia através da existência de partidos de importância menor e pouca implantação nas massas populares, assentando os seus vértices estruturais no domínio da comunicação social, que controlam, incluindo as redes sociais, na preponderância de um partido de suporte ao líder ou líderes, podendo assumir o papel de governo, através de se sobrepor ao executivo, no controlo dos sectores fundamentais da economia, na alienação popular, usando diversos modos de execução, numa pouco visível força policial repressiva sem recurso às prisões ou assassinatos em massa e, por fim, na domesticação das Forças Armadas.

 

Ao acabar de ler o livro, reflectindo sobre ele, cheguei a duas conclusões, cujo valor pode ser discutível: primeira, as ditaduras são suaves porque têm de sobreviver no tempo da economia global e do consumo estabelecido pela concorrência do mercado; segunda, para travar o avanço ou implantação destas ditaduras tem de existir um partido de esquerda, suficientemente enraizado na sociedade civil, capaz de acordar a população para a descida aos infernos que se avizinha, porque os partidos de centro e de direita, por natureza e vocação, tendem a desarmar ou desvalorizar o avanço das ditaduras, por um lado, e, por outro, não mobilizam, em continuo, as massas populares.

 

Quem quiser, por ter interesse, leia o livro.