Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Política internacional militar

 

O Governo de Portugal, no prosseguimento de uma política que já vem sendo seguida há uma dezena de anos, quer envolver-se militarmente no conflito do Médio Oriente, fazendo avançar uma força integrada na UNIFIL .

À primeira vista parece lógico que assim proceda, dada a posição de alinhamento com uma falsa política externa comum prosseguida pela UE: se o país é parte integrante da União, se dela colhe os benefícios, porque não contribuir com um contingente militar no momento em que todos parecem estar de acordo? Esta é, se calhar, a pergunta mais acutilante que se coloca para definir a «lógica» da diplomacia europeia e nacional.

Gostaria de ser breve na análise desta temática.

Comecemos pelo que o jornal Público de hoje veicula do semanário Expresso de ontem: «Segundo o semanário, o Executivo de José Sócrates pretende escolher a “solução mais simpática, mais barata e com menos riscos”.

Isto é, no mínimo, escandaloso, por ser a exposição pública da máxima hipocrisia! Um jornal deveria ter vergonha de publicitar tal afirmação, mesmo sendo ela verdadeira, pois, em pouquíssimas palavras, deixa escrito, para que o mundo veja, como Portugal é um país paupérrimo de decisores e de políticos. Mas, afinal, é esta a forma de os nossos governantes governarem. É a política do parece mal se não formos, mas como vamos damos a prenda mais foleira que há na loja, por ser a mais barata e a que não se parte pelo caminho. Tenhamos vergonha! Uma tal posição é própria do esquecido Gervásio Lobato (Lisboa em Camisa) que tão bem soube caracterizar o ridículo dos Portugueses tidos como burgueses comparáveis aos seus congéneres europeus.

Seguindo o caminho que se esboça no horizonte, Portugal dá uma extraordinária prova de ter esquecido a História recente do colonialismo, do qual foi o último a afastar-se, quando, orgulhosamente, afirmou ter derrubado a ditadura imposta pelo autodenominado Estado Novo. Vejamos porquê.

A partir da segunda metade do século XX, quando a Revolução Industrial estava no auge, houve um movimento, por parte das grandes potências europeias e industrializadas, de expansão colonial que se dirigiu para o Oriente, em especial para a China, e para a África tropical. Neste último caso, a hipocrisia assumiu o seu máximo expoente ao procurar disfarça a ganância da conquista sob a capa do humanismo cristão. Dizia-se, na época, que era necessário arrancar os pobres negros ao estado de barbárie em que viviam. O mesmo argumento não podia ser empregue em relação à milenar cultura oriental. Em ambos os casos os interesses dos países industriais e expansionistas uniram-se para obterem o seu quinhão na partilha que se estava a efectuar.

Agora, nos dias que correm, como já não se pode colonizar à maneira do século XX, então, a comunidade internacional industrializada encontrou uma outra forma de esconder a hipócrita ganância das grandes companhias produtoras que recolhem o apoio dos Governos: inventou as operações de paz e as operações de controle da democracia para fazer chegar às zonas de atrito — muitas vezes incentivado do exterior e pelos interesses económicos envolvidos — forças militares que vão impor uma nova ordem que, afinal, beneficia os impérios capitalistas acoitados sob a pele de cordeiro.

O Governo português, incapaz de conduzir com êxito o desenvolvimento económico do país, vai envolver-se militarmente na farsa que satisfaz interesses alheios. A troco de quê? De uma hipotética solidariedade com os Estados integrantes da União Europeia ou da OTAN.

Falta aos nossos políticos profundidade e cultura histórica. Se a tivessem saberiam escolher um caminho internacional muito mais condizente com os interesses do Povo português. Descobrir-se-iam novos meios de revitalizar uma excelente e saudável cooperação internacional que animaria a parca e insegura indústria portuguesa. Do modo como procedemos até agora, só nos tornamos ridículos aos olhos dos políticos das grandes potências que defendem os seus interesses e os das grandes empresas que os apoiam.

Será este o papel que o Povo português quer para a sua Pátria?

1 comentário

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2006
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2005
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D