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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

24.04.24

25 de Abril de 1974/2024


Luís Alves de Fraga

 

Eu tinha 33 anos de idade e muitas certezas quanto à necessidade do derrube da ditadura fascista que nos amordaçava há 48 anos. Não sabia como, mas sabia que a herança dos tenentes do 28 de Maio de 1926 havia de acabar um dia. Também nunca acreditei estar vivo no dia de amanhã. Foi a liberdade, a democracia, o desenvolvimento, a descolonização ‒ eu estava em Moçambique e também tinha a certeza de que nunca mais lá voltaria ‒ que se proclamaram nesse dia. Os portugueses, agora com 60/65 anos, não fazem ideia completa do que era o Portugal de há 50 anos.

 

Não tenho saúde para ir para a rua festejar. Festejar tudo o que aconteceu desde esse dia até os militares acabarem com o Conselho da Revolução.

Houve muito medo do comunismo, mas o comunismo nunca quis o poder ao contrário do que para aí se diz. Foi o populismo ignorante quem fez o chamado PREC; foi o entusiasmo daqueles que queriam mais e mais e tudo; foi a tentativa de inventar um novo socialismo que assustou quem viveu o PREC. Moscovo jamais queria uma “Cuba” na Europa… queria era ter voz activa nas antigas colónias portuguesas. As pessoas assustaram-se e aconteceu a necessidade de pôr cobro ao PREC, afastando os militares que entusiasmavam um populismo de extrema-esquerda.

Houve um 25 de Novembro em 1975, que pôs ordem nos quartéis, e nos sindicatos e nas reivindicações inorgânicas. Um 25 de Novembro que nada tem para festejar, porque, quando a festa descamba em bebedeira de alguns, tem de haver sempre quem grite: “A Festa Acabou!”

 

50 anos depois, a direita, o novo populismo e uns saudosistas sobreviventes, querem festejar um interregno na revolução; aquele que foi o momento do duche de água fria, sem perceberem que não estão a festejar nada. Estão simplesmente a dar a imagem da sua ignorância, do seu oportunismo e da sua velhice mental.

Álvaro Cunhal queria a democracia que temos e fomos tendo nestes 50 anos. O comunismo é um partido com uma linguagem própria, mas que defende a Constituição Política que nos rege; ele não quer, tal como alguns dizem hoje à descarada e à boca cheia, alterar o regime. O Partido Comunista é o sal salgado que tempera a euforia dos que amam os efeitos da lei da oferta e da procura, dos que querem ter direitos e regalias que sejam só seus, dos que esquecem os pobres que trabalham por misérias.

 

Felizmente, passaram 50 anos e tenho lucidez para dizer que o meu corpo se vem degradando ‒ devido à idade ‒ mas o meu cérebro, a minha inteligência e a minha capacidade de raciocínio têm só mais 17 anos do que a idade que eu tinha há 50 anos.

 

Viva o 25 de Abril de 1974!

Vivam a democracia e a liberdade!

Viva Portugal!

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