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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Antigamente era mais fácil...

 

Na verdade, até à segunda Guerra Mundial, a vida diplomática dos Estados era mais fácil quando confrontada com conflitos bélicos. A ONU e o Conselho de Segurança vieram permitir uma brutal confusão nas relações internacionais.

Realmente, antes da existência destes pseudo mecanismos de regulação da vida internacional (porque efectivamente o que se regula são interesses estatais, começando pelos grandes!) os Governos dos Estados, face a conflitos bélicos optavam por fazer declarações públicas de beligerância ou de neutralidade. Por vezes, quedavam-se pelo silêncio, quando a situação não estava devidamente esclarecida, aguardando por melhor oportunidade para tornar pública a sua postura internacional.

Se assim ainda fosse, Portugal já teria apresentado, no Parlamento, poucos dias após o começo das hostilidades, a sua declaração de neutralidade face ao conflito no Médio Oriente e, por conseguinte, estariam automaticamente limitadas todas as acções consideradas beligerantes de apoio às partes em confronto. Deste modo, Israel, pura e simplesmente, não teria feito passar pelas Lajes uma aeronave com material bélico de «pouca importância», porque a isso o impedia o estatuto nacional português; a isso o impediria o Governo de Lisboa, por causa da declaração feita. Na ausência desta última, por indecisão do Governo de Sócrates, a simples autorização era considerada internacionalmente como um acto pró-israelita e, deste modo, contra a causa islâmica ou palestiniana ou seja o que for.

Este exemplo, que toda a gente percebe, demonstra como os órgãos internacionais de regulação da vida entre os Estados são frágeis e presas das grandes potências e dos grandes interesses económicos. No final da segunda Guerra Mundial, a criação da ONU pode ter sido um acto extraordinário na crença da bondade humana, tal como pode ter sido o maior logro inventado para consumo de todos os Estados. A prática posterior aponta para a segunda hipótese, pois o tipo de Direito internacional que funciona para apoiar as decisões daquele areópago é o ditado pela voz dos representantes dos mais poderosos Estados.

Quem introduziu este tipo de hipocrisia nas relações internacionais foram os Estados Unidos. Isso também se demonstra, lembrando simplesmente a falência da Sociedade das Nações, onde, por vontade do Congresso americano, o seu Executivo não estava representado. Esse organismo, criado por sugestão do presidente Wilson, correspondeu a uma tentativa de conciliar a velha tradição internacional, onde imperava o direito da força, com uma outra que se norteasse pelo direito da razão. A derrocada foi inevitável, porque, sendo poucos os centros de decisão internacionais (isto é, os Estados independentes) quem possuía a máxima capacidade bélica não precisava de mascarar as suas intenções face a uma opinião pública ainda pouco importante nas decisões externas dos Governos. Recordemos que foi a Alemanha nazi quem, numa perspectiva científica apoiada na exploração prática da psicologia, desenvolveu as técnicas de controle da opinião das massas populares; técnicas que são, nos tempos que correm, tidas como infantis se comparadas com as usadas hoje em dia por qualquer meio de comunicação (como exemplo, veja-se a notícia de Le Figaro de hoje).

A segunda Guerra Mundial foi uma extraordinária escola onde os EUA aprenderam que o isolamento lhes era prejudicial, porque a sua fronteira económica não poderia nem deveria confinar-se ao continente americano, tendo de atingir a dimensão global. Fiéis a essa ideia, têm espalhado o terror e a sua magna ignorância de novos-ricos alcandorados ao patamar do mando. Quem lhes percebeu a artimanha foi o general De Gaule... talvez por ser mais alto que a maioria dos mortais ou por não se conformar com um mediano papel internacional para a França!

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