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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

08.03.20

A nossa dimensão


Luís Alves de Fraga

 

Realmente o Presidente da República tem razão. O desentendimento parlamentar parece estar instalado em todas as bancadas da direita à esquerda!

Pessoalmente, face ao panorama existente, estou a ficar desinteressado da política nacional, porque a acho desconjuntada. E, desconjuntada, deveria ter estado no tempo da Geringonça, que, por definição, supõe o desconjunto. Mas não esteve!

Não tendo estado, gerou em todos nós, gente que quer o melhor para os Portugueses, uma esperança, uma luz ao fundo do túnel. Contudo, a luz apagou-se.

 

Não quero fazer juízos para culpar este ou aquele. Não, porque com juízos não vamos a lado nenhum. Quero recordar que teremos de fazer uma exigência única aos partidos ‒ e aqui excluo o Chega, por razões óbvias: eles existem não para se digladiarem, não para governarem, governando-se, mas, tão-só, para conseguirem governar-nos, dando-nos o melhor do possível. Mas um possível que não seja obtusamente visto e exposto como o melhor para as ideologias que defendem. Um possível que seja o nosso possível, o de todos os Portugueses!

 

O melhor para todos os Portugueses terá de ser o máximo divisor comum entre as ideologias e programas de TODOS os partidos políticos.

Tem de ser ‒ um tem de ser fatalista ‒ porque, efectivamente, a democracia está em crise, não só em Portugal, mas no mundo onde ainda se pratica fora dos populismos que a afogam.

 

Somos SÓ dez milhões e não temos riqueza de jeito! Dez milhões é a população de já muitas cidades do mundo. Cidades que conseguem encontrar equilíbrios ‒ outras não ‒ de forma a serem urbes para toda a gente (com diferenças, mas onde se vive com relativa segurança e conforto).

Gerir estes dez milhões ‒ quase metade alheados da política ‒ não é tarefa difícil, se se compreender que a democracia é a arte do possível dentro dos consensos desejáveis.

 

Fazer barulho e extremar posições por causa de um aeroporto, por causa do SNS, por causa da ordem e segurança de profissionais, que correm o risco de serem agredidos; porque, porque, porque, quando, tudo isto, olhado de cima e de fora, parece quase ridículo!

 

Bolas, Beja é já ali ‒ à escala dos grandes países ‒ e tem uma excelente pista, Alcochete é ao virar da esquina; o SNS só existe para servir dez milhões de utentes ‒ é ridículo se pensarmos em muitos, muitos milhões de pessoas; a segurança de profissionais é só destinada a uns milhares.

 

Redimensionemo-nos. Tenhamos consciência do nosso ridículo tamanho!

Do mesmo modo que não faz sentido ter uma passadeira para peões em cada vinte metros de rua, não faz sentido termos inúmeras universidades públicas, escolas ao virar de cada esquina, mas não termos polícias suficientes em cada bairro problemático, não faz sentido não termos transportes públicos de dez em dez minutos e com variadíssimos percursos nas grandes e médias cidades ‒ somos imensamente pequenos!

 

Senhores políticos donos dos partidos, olhem para a nossa real dimensão. Vejam-se como coisas pequenas para servir pouca gente, olhem que o país é um espaço diminuto, quase exíguo, que pode ter de tudo e de boa qualidade se se não quiser que seja grande, porque, na verdade, o interior do país é já ali; do mar à fronteira com a Espanha vão pouco mais de duzentos quilómetros! Meu Deus, duzentos quilómetros!

Olhem para Portugal como um pequeno país, com a dimensão real que ele tem e com a percepção do quanto se pode fazer num espaço tão exíguo.

 

Será que para tão pouca gente se justifica tantos partidos políticos? Já pensaram nisto?

Aprendam a comparar-nos com o que realmente é grande e, então, quase de certeza, chegarão ‒ chegaremos ‒ à conclusão de quanto ridículos são os nossos problemas!

Ainda estamos a tempo de perceber coisas simples.

06.03.20

Covid 19


Luís Alves de Fraga

 

É próprio da natureza humana correr riscos e, quantos mais se correm ou quanto mais desafiantes eles forem, mais se está disposto a arriscar. Veja-se o caso dos corredores de automóvel, dos escaladores de montanhas, dos soldados em combate e, de certa maneira, dos profissionais de saúde… É natural que, todos quantos estabelecem um pacto com o perigo, queiram testar o seu limite.

Nunca virei a cara ao perigo e sempre dei resposta aos desafios da minha vida, mas sempre fui prudente, usando de cautelas e pesando riscos.

 

Não quis ser alarmista quando o alarme nos meios de comunicação social era o prato do dia. Nessa altura, o novo vírus ainda dava os primeiros passos na Europa, mas, quando atingiu as fronteiras nacionais e, antes, já estava em Espanha, pus-me de prevenção. A mesma prevenção que me leva a já não conduzir a cento e cinquenta quilómetros hora, nas autoestradas, como fazia há vinte ou trinta anos atrás. Assumo os desgastes próprios da minha idade.

 

Julgo que a prevenção passa, nos mais velhos, por não se exporem, desnecessariamente, a situações onde o risco pode estar atrás da porta: grande reuniões de gente, em espaços fechados, sobre a qual se sabe quase nada, almoçaradas, convívios com apertos de mão e abraços, visitas a doentes e mais coisas no género.

Se uma constipação vulgar, num idoso, pode degenerar em pneumonia, o que será com este vírus?

Evidentemente, procuro fazer uma vida quase normal: vou à rua passear, vou ao supermercado, vou à livraria, mas, tudo isto, mantendo uma distância segura das pessoas e estando muito atento a quem me parece doente.

 

Tenho acompanhado mais a imprensa espanhola do que a nossa e verifico que, no país vizinho, as autoridades sanitárias não levaram em conta os primeiros casos ‒ que mataram idosos ‒ e eram já resultado do Covid 19. Em prova do que digo, chamo a vossa atenção para o jornal que menciono em baixo.

 

Por cá, ouvem-se rumores de coisas que correm mal e muitas afirmações de que correm bem. Claro, só um cidadão politicamente desinformado é que aceita como seguras as palavras das autoridades responsáveis, pois, é da mais elementar ciência saber que os governantes evitam, tanto quanto podem, estabelecer o pânico. Assim, temos de gerir um equilíbrio entre o que a comunicação social informa e o que dizem os políticos.

 

Eu faço a minha prevenção, porque gosto muito de viver e de andar por cá.

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