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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

08.01.19

História da Resistência


Luís Alves de Fraga

 

Após o fim da 2.ª Guerra Mundial, pelo menos na Bélgica, houve gente que ficou privada dos direitos de cidadania, por ter colaborado com os alemães invasores, portadores da ideologia nazi. Não sei se na Itália algo de semelhante aconteceu, mas sei que os fascistas, declarados apoiantes de Mussolini, foram perseguidos. Sei que em França foram fuzilados colaboracionistas e às mulheres que mantiveram relações amorosas com alemães foi-lhes rapado o cabelo de modo a facilmente serem identificadas nos meses mais próximos da Libertação.

Curiosamente, em nenhum destes Estados foram perseguidos os comunistas, que combateram e se empenharam convictamente na luta contra os poderes ditatoriais, então, nascentes. E, contudo, sabia-se o que se havia passado antes na União Soviética (URSS) às ordens do ditador Estaline.

 

Em Portugal, entre 1926 e 1974, ainda que, de início, tenha havido várias tentativas antifascistas conduzidas por militantes republicanos, vindos do período anterior, depois do final da Guerra Civil de Espanha e, em especial, depois da 2.ª Guerra Mundial foi o Partido Comunista (PC) quem manteve organizada, disciplinada e continuada a luta contra o fascismo. Logo após a data de 25 de Abril, recordo-me, o somatório de anos de prisão a que haviam sido condenados os membros do comité central ultrapassava a centena.

Só já depois do começo da Guerra Colonial, em 1961, é que surgiram movimentos de luta cuja iniciativa, sendo marxista, não estava ligada ao PC. Todavia, infelizmente, não houve nenhuma tentativa cuja direcção fosse da exclusiva responsabilidade do Partido Socialista (PS), aliás inexistente, tal como todos os outros partidos da nossa democracia.

 

Seria faltar à verdade histórica não referir a acusação dos chamados antifascistas democratas contra o PC que, em algumas das várias tentativas de golpe contra a ditadura (“revolta” da Sé, “assalto” ao quartel de Beja), desaconselhavam os seus militantes e as estruturas do partido a envolverem-se. E, na realidade, os comunistas tinham razão, pois a verdadeira luta antifascista não podia ser feita sem preparação e sem um apertado controlo, que o amadorismo dos conspiradores deixava à mostra. É compreensível que o comité central não quisesse fazer passar pela prisão mais militantes do que aqueles que, todos os dias, nos seus locais de trabalho, arriscavam a vida para divulgar propaganda destinada a manter viva a resistência e a luta.

 

Esquecer o que foi o combate contra o fascismo, esquecendo o papel do PC e dos seus militantes e simpatizantes, é uma injustiça histórica, que o facto do não alinhamento político com o pensamento marxista-leninista não pode justificar. Por não ser católico jamais condenarei a moral da Igreja de Roma… O resto deixarei para discussão mais pormenorizada.

07.01.19

Pobreza e Leis


Luís Alves de Fraga

 

Ouvi, anteontem, o anúncio de uma proposta legislativa a fazer pelo Bloco de Esquerda (BE) ao Parlamento. Talvez a ideia possa parecer demagógica ou populista, mas, não tenho dúvidas, é, por aquilo que se propõe, que se deve começar a luta contra a pobreza.

 

Disse Catarina Martins que iam recomendar que todas as Leis, antes de serem aprovadas, devam indicar o impacto que terão sobre a pobreza em Portugal.

Esta é uma medida que eu esperaria viesse do lado do PP/CDS, na medida em que se diz identificado com a democracia-cristã! Mas não! Veio, para consolo de uma certa esquerda, do lado do Bloco.

 

Especular-se-á que, as leis em geral, não têm impacto sobre a pobreza. Nada de mais errado! Todas as leis, ainda as que parecem tratar de assuntos distantes dos económicos, acabam com reflexos na vida financeira de toda a gente. Esta preocupação pode ser até conveniente para perceber outros impactos esquecidos de quem legisla. Passa a ser uma questão de metodologia obrigar a esta análise. Permite uma aproximação à tomada de consciência dos efeitos.

 

Esta pluralidade de esquerda, que nos governa, apresenta extraordinárias vantagens para o país, com alguns inconvenientes, em especial ao nível das reivindicações salariais e grevistas, porque, por aí, parece haver uma descolagem entre a realidade possível e a realidade desejada, contudo, inviável. É neste campo que começam a esboçar-se as lutas para o posicionamento na “grelha” de partida da campanha eleitoral. Julgo, o maior erro cometido pelo eleitorado será o de dar a maioria ao Partido Socialista (PS); a melhor solução parece ser a de manter a “geringonça” dentro de um equilíbrio semelhante ao presente. Será possível? A abstenção é um dos elemento mais importantes a tomar em consideração.

 

A próxima legislatura poderá ser determinante para o aparecimento desse fenómeno, que assalta o mundo e está a colocar em causa os valores da democracia, chamado populismo. Valham-nos todos os anjos, santos e arcanjos se entrarmos por esse trilho apertado e perigoso.

03.01.19

Marcelo Rebelo de Sousa e a tomada de posse


Luís Alves de Fraga

 

Amigos meus, que considero de total e inatacável integridade intelectual, têm-se interrogado sobre a vantagem da ida do Presidente da República à tomada de posse de Bolsonaro. Não ponho em causa as suas razões nem as suas dúvidas. Simplesmente, pretendo recordar que as razões de Estado não se justificam com o estado da razão individual e. menos ainda, com rancores, raivas ou arrufos corriqueiros em situações de conflito social. Por esse motivo, a diplomacia é a arte de saber aceitar, lidar e resolver situações que facilmente, sem ela, iriam conduzir ao conflito.

 

O capitão para-quedista reformado Jair Bolsonaro é, por vontade dos Brasileiros, com ou sem fraudes eleitorais, com ou sem manipulações populistas, o Presidente da República do Brasil. Esta é uma realidade à qual se não pode dar volta, tal como não se dá com um tal Dolnad Trump, nos EUA.

Adoptar comportamentos censuráveis no plano das relações políticas internacionais obriga a uma análise prévia e cautelosa de riscos e vantagens, pois o que se põe em causa não é somente o sentimento de um Governo, mas, principalmente, a economia do Estado.

 

A relação diplomáticas de Portugal com o Brasil, feita uma análise sumária ao longo dos anos do século XX e começo da actual centúria, leva-nos a conclusões já esquecidas, mas muito peculiares: aquando da proclamação da República, em 5 de Outubro de 1910, estava em visita oficial a Lisboa o Presidente da República do Brasil, recebido, primeiro, pelo Rei e aclamado, depois pelo Governo Provisório; o Brasil foi o primeiro Estado a reconhecer a República Portuguesa; tal como, também, foi um dos primeiros Estados a reconhecer o regime democrático logo após o golpe militar de 25 de Abril de 1974. Durante a ditadura fascista portuguesa foram muitos os Presidentes eleitos que, no périplo pelos Estados europeus, visitaram Lisboa e conversaram com Salazar: recordo Café Filho, Juscelino Kubitschec de Oliveira, entre outros. E, contudo, o Brasil era o país de exílio de uma boa parte dos mais activos oposicionistas da ditadura.

 

Agora, não era altura de faltar à tomada de posse de Bolsonaro! Julgo, pois, bastante avisada a atitude do Presidente da República Portuguesa, que, certamente, terá ouvido a opinião do Governo e, em particular, a do Primeiro-Ministro e do ministro dos Negócios Estrangeiros.

 

Política não é, realmente, mentir ao eleitorado, fazer promessas ou discursos exaltados; é, também, conduzir relações externas com cautela e prudência.

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