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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

31.12.18

O peso dos sonhos


Luís Alves de Fraga

 

Em um dos telejornais de ontem vi uma entrevista feita a uma jovem cientista portuguesa. Infelizmente, não recordo o nome, mas recordo bem o conteúdo da conversa.

 

A jovem licenciou-se em Química, no Instituto Superior Técnico, e, depois, para dar corpo a um sonho de infância, escreveu para a NASA e acabou colaborando com aquela instituição numa área extremamente específica e interessante: a descoberta do começo da vida na Terra. A sua tese de doutoramento foi sobre a comprovação da hipótese de a vida no nosso planeta ter sido “importada” através dos asteróides.

Convenhamos, é aliciante fazer investigação nestes domínios! Sinto-me fascinado e, sobre o assunto, tenho duas histórias que vos quero contar, com alguma imodéstia, mas muita sinceridade.

 

Frequentava o quinto ano de escolaridade e o professor de Língua Portuguesa mandou fazer uma composição sobre o que gostaríamos de ser quando fossemos adultos. Como a minha mãe já sofria bastante de doença cardíaca, dominado eu por Morfeu – esse deus grego do sonho – eis que ousei dar liberdade às minhas tendências oníricas e escrever que gostaria de ser cientista para encontrar o medicamento capaz de curar a minha progenitora. O professor, o Dr. Xavier Roberto, director da escola Nuno Gonçalves, lançou, na redacção, que ainda guardo, qualquer coisa como: «Se quiseres e fores persistente, poderás realizar o teu sonho».

Não imaginava eu as imensas aptidões necessárias para conseguir alcançar o caminho sonhado.

 

Em jovem, já aluno dos Pupilos do Exército, fiz opção pela carreira militar e fui defrontado com o grande obstáculo da minha vida: as Matemáticas e Físicas, pois sem elas jamais seria oficial das Forças Armadas. Foram anos de intenso trabalho, de lutas titânicas e de frustrantes classificações meramente suficientes. Mas fiz!

 

Estava, há cinquenta anos, em Moçambique e recordo perfeitamente, nesta época natalícia, as montras de certas lojas mostrarem-se repletas de excelentes máquinas de calcular, marca Texas, dotadas de capacidade para resolver funções algébricas até havia pouco tempo só capazes de ser solucionadas por recurso a tabelas de cálculo. Ficava extasiado a olhar para aqueles “encantos” e, em alguns momentos, já não de sonho, mas de “loucura”, imaginei-me, após o regresso a Portugal, matriculado na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, em Matemáticas, para poder usar aqueles artefactos encantadores.

 

A sensatez prevaleceu em mim e matriculei-me em curso da área das Ciências Sociais, muito mais condizente com as minhas aptidões e vocações. Mas, como se prova, ficou cá dentro o “bichinho” a roer e a dizer baixinho: «Se quisesses, poderias ter lá chegado!»

 

Eis como uma entrevistas a uma cientista de sucesso me veio fazer recordar coisas há muito adormecidas, mas saudosas e nostalgicamente adormecidas no convencimento de que, com muito trabalho e muita perseverança, teimosia, talvez, lá chegaria!

 

O peso dos sonhos é terrível, quando os queremos realizar.