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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

13.10.18

Ministro e armas de Tancos


Luís Alves de Fraga

 

Demitiu-se o ministro da Defesa Nacional e a pergunta pode fazer-se:

- Porquê?

A explicação dada pelo detentor da pasta ministerial não chega para satisfazer a Nação ou, pelo menos, para me satisfazer. Basta pensar sobre todas as contradições deste processo. Será que o Ministério Público não terá de ouvir o ex-ministro?

 

Depois, acima de tudo, há que perceber se a "protecção" dada a um dos presumíveis autores do roubo não foi um método para "matar dois coelhos com uma só cajadada", ou seja, conhecer o "peixe miúdo" e agarrar o "peixe graúdo". É que negócio de armas roubadas e clandestinas não é para um (UM) ex-fuzileiro! É coisa para alguém com muito mais gabarito...

 

Depois, há que perceber se existe alguém, no "mercado" de armamento roubado, interessado em armas obsoletas...

 

Depois, há que compreender a oportunidade política da data do "roubo" e das consequências do mesmo...

 

Bom, meus caros leitores, a pergunta chave está por fazer:

- A quem interessava o roubo e quem dele beneficiava?

 

Tudo o que está à vista do vulgar cidadão só nos leva até uma conclusão: LUTA DE UMA POLÍCIA para se sobrepor a outra.

E se a minha hipótese de conclusão tiver algum fundamento, há ainda uma pergunta que resta sem resposta:

- Quem está, e porquê, por detrás de todas estas manobras?

 

Assim, coloca-se, ainda, outra questão:

Qual a razão determinante da demissão do ministro?

12.10.18

E agora?


Luís Alves de Fraga

Só me resta deixar uma pergunta, depois da anterior:
- Para quando um militar como ministro da Defesa?

É que já é tempo de haver quem saiba alguma coisa sobre defesa nacional e não só de Forças Armadas... se é que alguém, entre os políticos, sabe alguma coisa deste assunto!

11.10.18

Tempos que correm


Luís Alves de Fraga

 

Ainda tenho bem presente na memória o que era o mundo – pelo menos a parte chamada ocidental – no fim da década de 50 do século passado: na Europa vivia-se a euforia da reconstrução e industrialização do pós-guerra, usufruindo a democracia em pleno; a Itália continuava à procura do “seu destino” entre o capitalismo e uma “outra via” para o comunismo; a França sentia a vontade pesada do velho general De Gaulle sustido por uma democracia com algum músculo; a Suécia impunha o modelo social-democrata de justiça equitativa; a Grã-Bretanha, mantendo tradições, era o exemplo de uma democracia consolidada. Nos EUA o boom económico justificava, em pleno, o auxílio financeiro à Europa dado através do Plano Marshall; por lá, definia-se o modo de vida designada por “american way of life”.

Do outro lado, no lado oriental, o mundo estava fechado às alegrias do consumo e da acção da justiça concorrencial, mas tinha, em compensação, um mercado planificado onde imperava mais pobreza do que abundância e a liberdade era tida como colectiva em oposição às liberdades individuais do capitalismo.

 

O mundo estava definido, espartilhado, explicado e, acima de tudo, “feliz”, fosse qual fosse o ponto cardeal por onde era olhado. As poucas manchas, na Europa, que “emporcalhavam” o panorama político e democrático situavam-se na Península Ibérica: as ditaduras de Franco e Salazar constituíam uma lembrança do fascismo derrotado, anos antes, pelos Aliados.

 

Tudo se manteve mais ou menos estático até ao começo dos anos 70 – embora com sobressaltos no Médio Oriente, por causa do “perturbador judaico” –, porque a exploração de petróleo ainda não constituía elemento de preocupação para nenhuma das partes: Ocidente, Oriente e Estados produtores. Mas foi logo no começo da década, que uma “nova ordem” se impôs: o preço do “ouro negro” não podia continuar a ser fonte de riqueza para uns e fonte de miséria para outros. A OPEP apostou na subida do preço do barril, impôs condições e a crise instalou-se.

 

Em África, as últimas colónias – que eram portuguesas – ascenderam ao estatuto de Estados independentes. O Bloco de Leste intrometeu-se e comprometeu-se fortemente no continente agora liberto. Foi, talvez, a última grande “ofensiva” estratégica de partilha do mundo. A URSS mostrava a sua debilidade face à corrida desigual com os EUA, com uma economia de mercado, e a sua economia planificada para o mercado interno e altamente concorrencial para se defender dos desafios ocidentais. Os dez ou quinze anos que se seguiram foram determinantes para deixar a descoberto a impossibilidade de manter o desafio Leste-Oeste. A derrocada era uma questão de tempo.

 

Mas a derrocada do Bloco de Leste, por razões de desmedida inércia do mundo capitalista, trazia, no seu seio, a derrocada do Bloco Ocidental. É a ela que estamos a assistir nos tempos que passam. A democracia política gerou dentro de si a “ditadura do capital”, através da globalização, que, por seu turno, assenta na prática, sem ética, de crimes sociais, económicos e políticos. Esta ditadura está a engendrar o monstro das próximas ditaduras políticas que, ou deixarão rédea livre para todas as imoralidades sociais e económicas ou, pelo contrário, redundarão em opressões iguais ou piores às que a História nos relata.

Parece não haver mais oportunidade para meios-termos.

08.10.18

Brasil e o fascismo


Luís Alves de Fraga

 

Propositadamente, guardei-me de tecer comentários sobre a situação política brasileira, antes das eleições, porque havia que perceber o acontecimento depois de ocorrer.

Pode perguntar-se qual o fundamento justificativo dos resultados eleitorais de ontem. E a resposta é consequência da escolha dos Brasileiros. Vejamos.

 

Embora a grande maioria de nós, que estamos fora do Brasil e não somos brasileiros, pensasse que a derrota de Bolsonaro era o mais conveniente, temos de verificar que aquele imenso país da América do Sul atingiu o patamar mais baixo da democracia, quando os valores éticos e morais quase desapareceram no plano individual e estão em fase de decréscimo no plano colectivo. A corrupção atravessa toda a sociedade civil brasileira, o “vale tudo” é a moeda corrente no Brasil, a começar na Justiça, que devia ser o último bastião do equilíbrio da nação.

Bolsonaro surgiu a fazer o discurso dos valores – mesmo que medíocres –, da moral – mesmo que falsa –, de liberdade – mesmo que reduzida –, da virtude – mesmo que ausente. Bolsonaro fez o discurso messiânico de salvador da Pátria. Apoiou o seu discurso no exemplo – absolutamente falso – das “virtudes” dos militares que impuseram a ditadura aos Brasileiros. Apoiou o seu discurso na condenação do maltrapilho, na aceitação da xenofobia, no apoio à tortura, à prisão discricionária, no combate à “imoralidade” de costumes.

 

Quando Bolsonaro usa toda esta panóplia de argumentos ele está a discursar para uma maioria muito bem definida: a classe média brasileira, aquela que se sente lesada com a corrupção, que admira a ordem e o recato, a moral de costumes tradicionais, a segurança em casa e na rua, que valoriza a tradição, seja ela o que for.

E Bolsonaro ganhou, como era de esperar, a maioria relativa. Acima de tudo, porque as Forças Armadas brasileiras, colectivamente, acham que chegou a “sua hora” para repor a disciplina na sociedade.

 

Curiosamente, o que vai acontecer, se Bolsonaro vencer e puser em marcha a sua “máquina de repressão”, é que a mesma classe média, que agora votou e poderá votar nele, vai repudiar a “mão pesada e forte” de um Governo “musculado”, um Governo que vai governar anulando as oposições, as vozes discordantes. Mas, nessa altura, já vai ser tarde!

 

Assim, resta à classe média brasileira, uma só oportunidade de evitar o descalabro: negar o voto a Bolsonaro, dando-o a quem for preciso para manter, mesmo com todos os defeitos, a democracia no Brasil.

03.10.18

Ensino Superior Privado


Luís Alves de Fraga

 

Vem hoje noticiado que aumentou a frequência de alunos nos estabelecimentos de ensino superior privado. Fico satisfeito com o facto. Todavia, isto leva-me a tecer algumas considerações sobre este tipo de ensino.

 

Começo pelo evidente.

Há estabelecimentos de ensino superior privado que são de muito boa qualidade e há-os de muito má qualidade; algo semelhante se passa nos similares públicos. Ora, esta distinção não justifica a segregação que ainda se faz entre os diplomados no "privado" e no "público", pois há universidades e politécnicos do Estado que, em alguns cursos, só estariam bem se fossem encerrados.

 

Passemos ao menos evidente.

Hoje em dia o nível de exigência exercido pela A3ES (Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior) no âmbito das universidades e politécnicos privados é de tal ordem que chegam a cometer-se injustiças gritantes, pelo excesso de zelo. Contudo, nem mesmo assim, se altera a visão vulgar da falta de qualidade do ensino superior privado.

Acresce que, actualmente, todos as universidades e institutos politécnicos privados têm já centros de investigação que lhes dão credibilização no domínio da pesquisa científica. Claro que, muitas vezes, ficam aquém dos seus congéneres estatais, mas compreende-se o motivo: o financiamento não é igual aquele que o ensino superior público recebe do Estado.

 

Vejamos, agora, os pontos negativos (pelo menos, na minha opinião).

No ensino superior privado ainda se contratam, para leccionar, doutores com graus obtidos no estrangeiro, algumas vezes, em universidades de duvidosa credibilidade, sem provas evidentes de competência pedagógica e didáctica para o tipo de ensino oferecido pelos estabelecimentos contratantes. Segundo aquilo que penso, devia recorrer-se, mais largamente, aos doutores "feitos" em Portugal.

Depois, ainda é bastante comum, contratarem-se, a título de docente "convidado", "personalidades de reconhecido mérito científico" sem o grau académico, nem as provas necessárias, para o cargo que lhes é atribuído. Por este crivo, que daria entrada a personalidades de notória competência no meio do ensino superior, "abre-se a porta" à admissão dos "convidados" a quem se quer pagar "favores" pessoais ou institucionais.

Por fim, ainda não está definida uma carreira docente com contrato garantido por tempo indeterminado a todos os docentes do ensino superior privado, facto que leva a que bastantes professores façam da actividade lectiva uma ocupação "complementar" das suas funções primárias. Claro que se compreendem as razões para esta precariedade contratual - a falta de garantia de rendimentos para assegurar continuidades - mas isso resolver-se-ia através da redução da oferta de tantos estabelecimentos superiores privados levada a efeito através de sistemas de associação.

 

Traçado o panorama geral, não me canso de repetir, fico contente com o facto de a procura ter aumentado. Esperemos que o resultado final não envergonhe todos aqueles docentes do ensino superior privado dedicados e empenhados, que o desejam com um tipo de qualidade igual ou superior ao do ensino público.

02.10.18

Cargos públicos


Luís Alves de Fraga

 

Há uma geral tendência para usar de especiais deferências para com os cidadãos políticos que desempenham cargos públicos resultantes de actos eleitorais. Não é só em Portugal; é um pouco por todo o mundo. Ora, acontece que discordo frontalmente desta atitude deferente. Passo a explicar.

 

Um cidadão, que se envolve politicamente num partido, pode ter um de dois objectivos ou os dois ao mesmo tempo: activamente contribuir para a aceitação da ideologia do partido e/ou para conseguir alcandorar-se a um cargo político por simples escolha ou por eleição popular.

 

Seja qual for o objectivo pessoal há sempre, na aparência, um objectivo nacional mais vasto e dignificante: servir a causa pública. Esse é o motivo que os futuros servidores do Povo e do Estado invocam para conseguirem votos suficientes para se alcandorarem aos lugares ansiados.

Alcançado o objectivo, verifica-se um fenómeno curioso: o eleito, que se propunha servir o Povo eleitor, ganha uma “importância” que o leva a distanciar-se do eleitorado, tornando-o de difícil acesso a quem nele confiou. Mas, muito pior, ocorre um outro fenómeno: os eleitores aceitam pacificamente esse distanciamento e esse ganhar de “importância”, reverenciando, quase sempre, aquele que se fez eleger para os servir.

 

Como se vê, há uma perversa inversão de valores por parte de todos os actores no processo de eleição dos servidores do Estado. Isto acontece, como já antes disse, geralmente, em todos os países democráticos. É uma inércia que, quanto a mim, provém do regime monárquico absoluto, quando o rei era o soberano e a nobreza recebia poderes senhoriais sobre o Povo.

 

Imaginemos qual seria o nosso tipo de comportamento se aceitássemos, em sentido absoluto, que os políticos eleitos são, somente, nossos SERVIDORES, e que, por isso, são eles a deverem-nos respeito, estando sempre disponíveis para tudo aquilo que lhes fosse exigido.

Reparem como tudo se inverteria e como o nosso comportamento se alteraria.

Ainda estamos muito longe de viver, REALMENTE, a democracia.

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