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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Vinganças, trapaças ou monstruosidade?

 

De ontem para hoje o chamado caso do roubo de armas em Tancos deu uma reviravolta incrível: a Polícia Judiciária Militar (PJM), que havia chegado à recolha do armamento roubado e, aparentemente, solucionado o aspecto mais importante da situação, é acusada, através do seu director, de cumplicidade no crime e passa a ser ré no caso que investigou.

 

Só sei o que li nos jornais de ontem e de hoje, mas tenho por trás de mim uma longa experiência militar e um vasto conhecimento de que a política se faz com base na intriga, seguindo caminhos pouco claros e, quase sempre, ínvios.

 

Vejamos, para começar.

Primeiro, tudo parece envolver “ódios de estimação”, despeitos, invejas e rivalidades mesquinhas.

Porquê? Porque, o director da PJM revelou, em tempo oportuno, que a Procuradoria-Geral da República (PGR) tinha tido conhecimento de que se preparava um assalto para roubo de armamento e não avisou imediata e atempadamente o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA). Isso, no dizer da Polícia Judiciária (PJ) e da PGR prejudicou as investigações.

Segundo, parece haver um “quadro de vingança” por parte das entidades anteriores, porque a PJM conseguiu “resolver” a situação, através da recolha do material roubado, à revelia da PJ.

 

São possíveis estas rivalidades? Sem a menor sombra de dúvida, quando há organismos a pretender ser hegemónicos.

Há razão para desconfiar que a PGR e a PJ se enquadram neste perfil? Aqui, tocamos um aspecto melindroso. Tão melindroso quanto foi pública a polémica da recondução da Senhora Procuradora-Geral da República. E, a este respeito, recordo a argumentação do antigo bastonário da Ordem dos Advogados, Dr. Marinho Pinto, no programa “Expresso da Meia-Noite”, há umas semanas atrás. Dizia ele, que o Ministério Público estava a tornar-se um Estado dentro do Estado, assumindo o papel da judicatura, isto é, dos juízes dos tribunais, únicos agentes do Estado de direito capazes de julgar e condenar em face da descoberta da verdade criminal. Afirmava, e com razão, que hoje em dia, em Portugal, basta que o Ministério Público acuse para parecer, de imediato, que o réu se torna em culpado. Há, parece, uma evidente exorbitância do poder da PGR, restando aos juízes condenar quem vem acusado.

 

Ora, isto levanta uma questão, que merece ser debatida e levada em conta por todos nós: a quem é que interessa um Ministério Público com tantos e tão latos poderes? À Justiça? Não me parece, porque se fosse a esta e somente a esta, deixava-se à judicatura a liberdade de julgar sem pressões da opinião pública, facto que não acontece, já que a falta de segredo de justiça, ainda em fase de instrução do processo, é largamente utilizada para gerar condenação no “tribunal da opinião pública”.

Assim sendo, tudo me faz suspeitar, com a liberdade que me assiste de reflectir e divulgar o resultado da minha reflexão, que o caso do roubo de armamento de Tancos é muitíssimo mais “político” do que criminal, porque está a tentar macular-se, de todas as maneiras, a instituição militar, degradando-lhe a imagem junto da opinião pública. Isso sim, é monstruoso!

Prós e Contras (A Educação em Portugal)

 

Ontem à noite estive a assistir ao programa da Fátima Campos Ferreira, na TV 1. Falou-se de Educação em Portugal.

Confesso que "aprendi" muito sobre o assunto!

 

Primeiro, antes de tudo o mais, "aprendi" que se pode sonhar alto em directo, na televisão!

Sonhar alto foi o que uma série de senhores fizeram naquele tempo de programa. Falaram de um futuro que, segundo afirmaram, vivem já hoje em pleno. O senhor Secretário de Estado falou de uma "escola" que só existe e só pode existir na cabeça dele e na de mais uns quantos visionários presentes ou não presentes no programa. Uma senhora directora de uma escola experimental baralhou-se e deu de novo em ideias curriculares incapazes de serem percebidas por quem quer que fosse. Um jovem, muito jovem, dissertou sobre a "participação dos alunos no processo educativo" nas escolas, tal e qual como eu poderia alvitrar a participação dos doentes internados num hospital sobre o modo de se fazerem operações clínicas e tratamentos de enfermagem. Uns senhores, na plateia, desataram a "delirar" sobre o ensino do presente voltado para o futuro. Às duas por três, pensei que se estava a falar de um outro país e de uns outros jovens bem diferentes de Portugal e dos Portugueses. Essa foi a minha segunda "aprendizagem".

 

Caí na realidade quando a Fátima Campos Ferreira deu a palavra a uma jovem de dezoito anos, aluna de uma qualquer escola, que participou, ou liderou, um grupo de trabalho para fornecer "ideias" para o "novo método de ensino" a pôr a funcionar nos nossos estabelecimentos.

Foi um balde de água fria! A menina mal sabia falar; baralhava-se nas ideias e usava palavras em inglês para dizer coisas que se podem dizer em língua nacional. A jovem foi, de modo bastante eloquente, o "bom" retrato dos nossos maus alunos do ensino básico e secundário!

 

É tão lindo quando ouvimos falar gente que está longe da realidade!

É que a realidade situa-se na incapacidade da esmagadora maioria dos nossos jovens serem capazes de "dar uma para a caixa"; não se sabem expressar, não têm ideias consolidadas, não tem determinação nem sonhos de futuro, porque, realmente, têm um total deficit de leitura seguida e continuada... sabem ler os textos de telemóvel e pouco mais e, nesses, somente aqueles que lhes despertam algum interesse.

 

O único interveniente no painel com os "pés no chão", bem desperto para a realidade do que são a escola e os alunos em Portugal, foi o Professor Paulo Guinote. Esse falou com conhecimento de causa e sem estar a "fazer fretes" ao Governo nem ao Ministério! Esse, sem mencionar a pobreza intelectual dos alunos, mencionou a pobreza material das escolas onde querem utilizar métodos de ensino que exigem uma riqueza que não existe. Esse referiu os milagres que os professores têm de fazer para interessar alunos desinteressados dos programas de ensino e desinteressados de saber seja o que for, a não ser generalidades, que não os integram em sociedade nenhuma e, menos ainda, em trabalho qualquer.

 

Depois de Paulo Guinote a única voz lúcida naquele painel feito de sonhadores, que desejavam ficar bem na fotografia, foi a de um director de uma escola profissional. E foi lúcido, porque tem de laborar com uma "massa" especialmente orientada para o mercado de trabalho, com objectivos bem determinados. Foi lúcido, porque chamou a atenção para aquilo que dá a possibilidade de cumprir com algum êxito o ensino: a ausência de programas rígidos impostos pelo Ministério, com latitude para acrescentar mais conhecimento teórico ao conhecimento prático.

 

Mas, o que não foi dito por nenhum dos intervenientes, é que, no ensino em Portugal, tem de haver, sem complexos e sem receios, a clara distinção entre duas "velocidades": a dos alunos sem capacidades de grandes progressos cognitivos, para quem o ensino de coisas "complexas" e "esquisitas" tem de parar por volta do nono ano e a dos alunos capazes de "irem mais além" e, por isso, com aptidões para entrarem em domínios mais exigentes do saber. Temos de aceitar que a grande maioria dos nossos jovens terá de ficar de fora do ensino superior, pelo menos, enquanto não tiver maturidade para "aprender a saber o que é saber".

Não é vergonha não ser capaz de se chegar ao ensino superior! Vergonha é "fazer" um curso superior e não conseguir expressar-se por escrito ou oralmente com correcção; ficar sem competências para exercer aquilo para que, supostamente, se devia estar preparado para fazer; ter um diploma e título académico e acabar em caixa de um supermercado. Isso é que é vergonha!

Vergonha é não criar escolas profissionais capazes de habilitar para o desempenho de actividades onde se ganhe a vida sem complexos de inferioridade, porque vergonha é não trabalhar!

 

Quando é que a Fátima Campos Ferreira faz um programa sobre ensino onde os teóricos cedam o lugar aos práticos?

Uma história de coisas militares

 

Há muitos anos, era eu ainda um garoto, criou-se a chamada Obra Social do Exército, cuja finalidade era, num tempo em que não havia apoios de espécie alguma para os militares, ajudar todos aqueles que serviam naquele ramo das Forças Armadas, quer através de empréstimos financeiros, quer de apoios ou subsídios para os filhos estudantes, quer noutras actividades devidamente justificadas.

 

Creio que, com a criação da Força Aérea, em 1952, a Obra Social do Exército foi transformada em Serviços Sociais das Forças Armadas (SSFA), integrando no seu seio um outro organismo de finalidade sanitária: a Assistência aos Tuberculosos das Forças Armadas. Todos os militares dos quadros permanentes continuaram a descontar para os SSFA, cuja gestão pertencia a oficiais dos três ramos, tendo-se ampliado um pouco mais o seu âmbito de actuação: passou a haver casas para arrendar, mediante concurso e regulamento próprio, aos militares, indiferentemente da graduação, a gerir o antigo asilo militar de Runa, proporcionando razoáveis condições de vida para os velhos militares inválidos ou sem família e a dar mais generosos apoios ao filhos estudantes dos militares, independentemente da graduação do progenitor.

Mas os SSFA viram aumentados os seus rendimentos à custa de uma manobra que saía directamente dos bolsos dos militares dos quadros permanentes. Vamos contá-la.

 

O fornecimento dos diferentes combustíveis para consumo das Forças Armadas fazia-se mediante concurso público, optando-se pela gasolineira que apresentava os preços mais baixos. Estabeleceram, os Ministérios gestores dos três ramos, que se poderia vender aos militares uma certa quantidade de combustível (180 litros mensais) para abastecimento das suas viaturas particulares, acrescendo ao preço de custo uma pequena margem, que constituiria receita de duas entidades, em partes iguais: o ramo respectivo e os SSFA.

A contabilização destes dinheiros estava a cargo dos respectivos serviços financeiros das Forças Armadas e dos SSFA. Na Força Aérea, com esses fundos, no final da década de setenta do século passado, construíram-se os edifícios do Estado-Maior e grande parte da Academia, em Sintra, nos terrenos da Granja do Marquês.

Parte do nosso dinheiro foi aplicado nessas edificações, por isso, elas pertencem-nos! Mas, nos SSFA, a outra parte do dinheiro foi utilizada para construir o complexo designado por CASOeiras, onde existe um excelente centro de acolhimento de militares e familiares doentes ou incapacitados, um magnífico lar para recolhimento daqueles que já não têm condições para viver sozinhos e, ainda, um conjunto de edifícios de apartamentos destinados a arrendar a militares idosos com esposa. Também isso nos pertence!

 

Mas os tempos rodaram e, na década de oitenta do século passado, por força da acção dos meios de comunicação social e da maledicência popular, acabou-se o combustível mais barato para os militares! Era uma regalia que os diferençava de todos os restantes cidadãos, dizia-se.

Que tristeza de país! Tristeza, porque foi comum passarem muitas empresas a fazer pagamentos de parte dos salários em senhas de almoço e senhas de gasolina. Depois, veio, para ficar, a moda dos automóveis de empresa! Para esses, já não é uma regalia! Ora bolas!

Mas o combustível mais barato para venda aos militares era uma benesse imerecida! Ora bolas!

Ora bolas, porque a pagavam e com a diferença de custo possibilitaram investimentos que o Estado não tinha condições de levar a cabo!

 

Em 30 de Outubro de 1995, o Governo Cavaco Silva, transformou os SSFA em Instituto de Acção Social das Forças Armadas (IASFA), e considerou património do Estado o património do CASOeiras. Sucessivas administrações, incluindo civis, levaram à ruína o que antes era rentável. Parece que não se fica pela ruína o destino do IASFA.

 

É conveniente tornar pública esta história, para memória dos militares do presente, constituindo fundamento para melhor poderem reivindicar junto de todas as autoridades que sobre eles exercem tutela, em especial o ministro da Defesa e do Presidente da República.

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