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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

14.07.18

NATO


Luís Alves de Fraga

 

Tenho tido certa relutância em divulgar o que penso sobre este assunto, porque não quero ser mal entendido, nem conotado com grupos políticos cujas opiniões são conhecidas.

 

A NATO ou OTAN foi criada num contexto especial: o da Guerra-Fria, quando se esperava um possível ataque da URSS, na Europa Central. Foi uma aliança defensiva, com características dissuasoras e, em certa medida, ofensivas. Tinha como limites geográficos de actuação o Atlântico Norte e toda a sua bacia.

Com a implosão da URSS e do bloco de Leste, perdeu significado e razão de ser.

 

Mas a verdade é diferente do que se observa. Primeiro, porque à sombra da OTAN, os Estados da Europa descuidaram a sua máquina de defesa e dissuasão, com excepção do Reino Unido e da França. Segundo, porque, em caso de ataque sobre a Europa, se contava com o auxílio dos EUA. Terceiro, porque as diferentes colocações no âmbito dos cargos da OTAN são excepcionalmente bem remunerados e são apetecíveis por muita gente.

 

Assim, a OTAN continuou a existir, agora sem os seus limites geográficos nem a sua missão original. Passou a ser um instrumento da política externa norte-americana e, em certas circunstâncias, da política externa de alguns grandes Estados da Europa.

 

A política externa de Trump parece vir tentar modificar a finalidade da OTAN, em especial, porque essa mesma política, em certa medida, aponta para uma retomada da tese de Monroe, isto é, para o fecho da política externa americana sobre aquilo e só aquilo que pode afectar directamente os interesses dos EUA dentro do seu território ou "dentro" da sua economia.

 

O discurso de Trump, no primeiro dia da cimeira, em Bruxelas, veio, de repente, colocar a Europa perante a sua própria fraqueza militar e a excessiva confiança no auxílio norte-americano.

A resposta, que ninguém deu a Trump, era só uma: fique lá com a "sua" OTAN, que nós vamos criar a nossa defesa comum.

Ninguém deu esta resposta, porque todos os políticos europeus sabem uma coisa: a Europa unida é uma ficção, porque jamais ela será uma União verdadeira. Esta Europa "unida" não cai e não desaparece, porque os tecnocratas da política europeia, também eles, não querem perder o que lhes rende bastante. O Reino Unido teve a coragem de dizer não a "esta" Europa, porque, também, entrou tarde nela e nela não acreditou o suficiente.

Fico à espera da reacção da Alemanha, da França e pouco mais.