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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

04.06.18

Uma explicação do regicídio


Luís Alves de Fraga

Sou, por educação, temperamento e estudo, republicano, contudo, não nego a importância que a Monarquia teve, ao longo da História, para dar forma, consciência, continuidade e identidade ao Povo, que habita o território que, há quase oito séculos, mantém as mesmas fronteiras e dá pelo nome de Portugal.

 

Foi a Monarquia quem formou o nosso país, primeiro, segundo concepções ainda medievais, depois, segundo um modelo absoluto, por fim, liberal. Mas a Monarquia foi perdendo a capacidade de se identificar com o Povo e este deixou de se identificar com a Monarquia e o Rei. A partir de 1834, em pleno Liberalismo, lentamente, foi-se abrindo um terrível fosso entre os interesses das duas partes e, julgo, para isso contribuíram factores que estavam fora das mãos do Rei e um só factor que o Rei não soube utilizar ou não quis deixar de usar: o poder moderador. Este constava na capacidade de o Monarca poder dissolver o Parlamento quando tal lhe fosse solicitado ou as circunstâncias o determinassem. Ou seja, o Rei, não governando, comprometia-se com a governação. Governação que nunca foi totalmente honesta, independentemente dos partidos políticos existentes.

Foi por essa “porta” que “entraram” os republicanos com os ideias do governo do Povo para o Povo e este cada vez mais se sentiu desligado de qualquer laço com o Rei e a Monarquia. Mas, curioso, os monárquicos também já não se sentiam ligados ao Rei. Assim, quase no final da primeira década do século XX, em 1908, o Rei, a Casa Real e toda a Monarquia como instituição, vivendo em paz aparente, estavam moribundos. Faltava concretizar a morte. Faltava derrubar o Rei e a Monarquia. Tal objectivo foi alcançado em dois actos.

 

O regicídio foi a efectivação da “pena de morte” a que o Rei já há muito se havia condenado, por ser Monarca e por ser aquele Monarca. A morte do Príncipe Real foi um “dano colateral”. A aclamação de D. Manuel II foi uma situação inesperada; foi a continuação do estado moribundo da Monarquia.

A “acalmação” que se seguiu até Outubro de 1910 foi o tempo necessário para acabar de “matar” a Monarquia. Esta “morreu” com um golpe civil/militar quase sem oposição das forças tidas como leais ao regime. Para o Povo português já era tormentosa a manutenção da Monarquia. A República surgia no horizonte como uma esperança nova, um futuro novo, uma viragem radical. Já quase ninguém chorava o Rei morto no Terreiro do Paço e poucos foram os que choraram a partida da família real para o exílio.

Ficaram monárquicos para conspirar a partir dos erros da República. Foi isso que ficou e foi isso que a República lhes deu. Mas, por baixo do solo nacional, ficaram também as raízes putrefactas de onde sempre nasceram os maus políticos; aqueles que ajudaram à queda do Absolutismo, à queda do Liberalismo, à queda da 1.ª República e estão a trabalhar para estragar a Democracia que vivemos, nesta 2.ª República.

Parece difícil extrair essa tendência para a condenação de todos os regimes políticos em Portugal.

02.06.18

Salazar e os "outros tempos"


Luís Alves de Fraga

 

Por vezes oiço gente nova – mulheres ou homens que mal haviam nascido por altura do 25 de Abril de 1974 ou nem sequer eram nascidos – afirmar que está fazendo falta um “outro” Salazar cá no “burgo”! Os meus Amigos, por certo, também já ouviram isso ou coisas parecidas, que vêm a dar no mesmo.

 

O que esta gente não sabe é a verdade sobre o que foi a ditadura. Aquela verdade “pequenina” que afectava todos durante todos os dias. Não me refiro à polícia política, nem aos “crimes” políticos! Refiro-me ao dia-a-dia, que vou tentar mencionar na sua crueza mediana.

 

Olhem, meus Caros, essa coisa de um casalinho de “pombinhos” andar na rua todo enlaçado e aos beijinhos, era proibida! Beijinhos “cinéfilos” só em casa ou no vão da escada, quando se levava a “miúda” até à porta de casa dos pais.

Os homossexuais eram reprimidos, porque “doentes”! Então, em relação aos gays era socialmente aceitável que fossem sovados ou espancados em público, quando arriscavam “um avanço” com o tipo “errado”… Que não se fossem queixar à polícia, porque aí a surra era maior!

Bebedeiras de estudantes em colectivo era coisa que não existia! Até porque não podia haver “colectivos” nas ruas, pois três indivíduos – notem bem, três – em conversa na via pública já era motivo para os cívicos mandarem “circular”.

Cenas cinematográficas com nus masculinos ou femininos não se viam em cinemas! A censura tinha ordens expressas para cortar esses bocados de “fita pecaminosa”.

Filmes ou revistas com cenas de sexo explicito ou tendencialmente explícito eram considerados “materiais pornográficos”, dando direito a prisão por parte da polícia política e julgamento no mesmo tribunal onde eram sentenciados os “comunistas e outros reviralhistas”.

Fatos de banho femininos mais ousados – entenda-se por ousado permitir um vislumbre dos seios ou deixar à mostra um pouco mais das nádegas – eram proibidos e multadas aquelas que os exibissem!

As crianças não podiam pisar a relva nos jardins públicos! Os cães e gatos abandonados eram “caçados” pela chamada “carroça dos cães” e levados para locais onde os abatiam – impressionava como os cães conheciam os seus “caçadores!

 

Não vou aumentar aqui o role de proibições menores, que Salazar consentia e incentivava.

Estou a prever a reacção de alguns meus leitores, que admitem, em tese, uma solução ditatorial:

- Olhe lá, isso foi no passado. Agora não seria assim, pois os tempos evoluíram!

Que engano, meus Caros Amigos! Quem quiser apanhar com uma ditadura, tem de “ficar com todo o pacote”, visto que estas proibições são aquelas que “domesticam” as massas populares, permitindo outras mais pesadas e gravosas! A “domesticação” tem de começar por coisas simples, pois é a abdicação perante as “insignificâncias” que permite levar à “aceitação” das grandes proibições.

 

Cuidado com o que desejam! Cudado com as abstenções cívicas, nomeadamente nas eleições! É por essas “brechas” que penetra o “bichinho” ditatorial.

01.06.18

Vida Internacional


Luís Alves de Fraga

 

Havia, no meu tempo de jovem, antes do 25 de Abril de 1974, uma revista semanal que dava pelo nome de "Vida Mundial"; era uma forma de fazer o contraponto entre a nossa "vida nacional" e o que acontecia no mundo, dando-nos a visão do que era a democracia e de como se podia viver em liberdade. O título ocorreu-me quando pensei em escrever este apontamento, mas, de imediato, o recusei, porque não é de vida mundial o que vou deixar em meia dúzia de linhas. É, isso sim, de vida internacional.

 

Certamente, os meus leitores já reparam que há uma conjugação de forças internacionais que parece apostada em acabar com a União Europeia. Essas forças estão, de momento, centradas na Europa e nos EUA.

Por um lado, vê-se esboroar a UE através do que se passa na Itália, na Espanha e no Reino Unido; por outro, vê-se o claro "ataque" dos EUA, de Trump, à UE.

 

Tanto "ataque" dá-nos que pensar. Será que todos estão errados e só alguns Estados da UE é que estão certos?

É que a ideia de União parece ter nascido directamente de uma outra que resultou bem em duas regiões da Europa, que, por se unirem, se tornaram em Estados. Refiro-me à Itália, do rei Vítor Manuel do Piemonte, e à Alemanha, de Bismarck.

 

Repare-se que nos anos 60 do século XX, quando se começou a delinear a UE, ainda não tinham passado cem anos sobre as unificações em causa e olhava-se para elas como um modelo aceitável e de sucesso. Na sequência, e no bloco de Leste, fez-se a unificação de Jugoslávia, de Tito, e viu-se o descalabro que foi ao fim de algumas dezenas de anos. É que resulta sempre mal tentar unir culturas que se opuseram ao longo da História. O que não foi o caso da Itália e da Alemanha - curiosamente Bismarck nunca pensou unir os Estados germânicos à Áustria e compreende-se o motivo: havia por trás uma cultura de independência e de soberania - pois culturalmente as diferenças eram mínimas.

Agora, coloco eu a questão:

- O sonho de unificação dos Estados europeus não está mais de acordo com o modelo falhado da Jugoslávia do que com os modelos de sucesso da Itália e da Alemanha?

É que, no meu entender, tudo o que está a acontecer, neste momento, na vida internacional, aponta para uma derrocada da UE que, em última análise, pode e deve ficar somente como um grande mercado livre entre Estados europeus.

Opiniões!

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