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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

06.06.18

Descongelar


Luís Alves de Fraga

 

Há anos foi necessário entrar em contenção de despesas estatais e uma das medidas, que se visualizou, aparentemente, menos gravosa em termos, então, imediatos foi a congelação das carreiras dos funcionários públicos. Isto consistia em manter sem promoções todos aqueles que tinham direito a serem promovidos. A medida poderia durar um ou dois ou mesmo três anos, facto que, embora causando transtorno, não iria prejudicar muita gente. Era, em nome da “salvação nacional”, aceitável. Mas, na verdade, a medida prolongou-se por nove anos e mais alguns meses e, assim sendo, ela tornou-se insuportável para todos e, em particular, para os professores, cujos escalões de progressão são mais numerosos e cuja carreira é bastante desgastante (só quem não esteve a dar aulas a crianças e jovens é que admite ser “fácil” a vida de um professor).

 

Ora, o actual Governo comprometeu descongelar as carreiras dos docentes do ensino básico e secundário e haveria que repor as condições perdidas para aqueles que ainda as podem recuperar nos exactos moldes em que as viram interrompidas. Já basta o facto de o tempo ter passado e não ser possível progredir como seria espectável se a medida não tivesse sido adoptada.

Mas o Governo propõe aos professores só descongelar o período em que assumiu a tutela dos negócios públicos, desresponsabilizando-se pelo passado! Isto é desonesto!

 

Desonesto, porque quando o Governo assumiu funções foi para dar continuidade à “herança” recebida do Governo anterior e de todos os que o antecederam. Isso é que é governar! E não se venha argumentar de outra forma, porque o que se disser não passa de um simples jogo de retórica. Recordemos que a primeira coisa que o Movimento das Forças Armadas (MFA) fez, tal como o fez o Governo Provisório da República, em Outubro de 1910, ou a Junta Militar que assumiu o poder no dia 28 de Maio de 1926, foi declarar que cumpria todos os compromissos herdados do Estado Novo ou da Monarquia ou da 1.ª República. É regra nas relações sociais e internacionais assumir as responsabilidades recebidas do passado.

Não aceitando cumprir o que deve cumprir António Costa e o seu Gabinete ministerial dão provas de desonestidade política. A falta de dinheiro não é justificação. Pode pagar-se “aos bochechos” o que é devido aos professores, pode fazer-se a progressão segundo um critério equilibrado e negociado, mas que seja justo e que dê continuidade às expectativas dos professores que foram prejudicados. Depois disto feito, alterem-se as regras, mas só depois disto concluído.

 

Esta é a minha opinião, que não sou político, mas julgo reger-me por princípios sociais correctos.

06.06.18

Fazer História


Luís Alves de Fraga

 

Sobre o modo de fazer História há inúmeros livros, mas quase todos dizem, de maneiras diferentes, o mesmo: a História faz-se com documentos e, ao fazer História, deve-se ter como objectivos contar, explicar e reproduzir a verdade tão próxima do que foi de modo a que nem mesmo os actores da História a pudessem contar tão perfeitamente como está contada.

 

Esta última parte é a mais difícil de todo o trabalho do historiador, porque é a aquela por onde entram as críticas, pois, em regra, habituámo-nos à chamada história apologética, ou seja, a que é feita segundo a perspectiva do “vencedor” ou, também chamada, história oficial.

 

Não escondo nem envergonho o facto de ser historiador, porque, realmente, tenho publicados, e criticados no âmbito académico, vários trabalhos de investigação histórica. A minha especialidade é a História contemporânea portuguesa, isto é, aquela que está compreendida entre o começo do século XIX e os nossos dias (História da Actualidade). Contudo, onde me foquei com muito mais empenho foi, desde sempre, na segunda metade do século XIX até ao fim do período revolucionário pós-25 de Abril de 1974.

 

Sei que muita gente tem “opiniões” sobre o que aconteceu em Portugal entre 1974 e 1975; “opiniões” e “experiências”. Eu procuro reunir documentos e informações para escrever aquilo que nem todos concordam, mas que corresponde à visão geral das ocorrências. Não me fico pela minha “trincheira”, ou seja, pelo meu “saber”. E, em História, os depoimentos individuais de quem esteve muito longe dos centros de decisão, só valem pelo que nos dão da percepção individual do geral; não podem ser tomados como visões gerais sobre o geral.

 

Historiar não é exercício fácil nem, algumas vezes, agradável.