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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

A dívida europeia

 

Vamos lá ver se nos entendemos.

A Revolução Industrial, no século XIX, exigia, aos países desenvolvidos da Europa, a ampliação dos mercados de venda dos produtos fabricados e de compra das matérias-primas necessárias ao seu fabrico. Isso, entre outros efeitos, levou à corrida ao continente africano com a não desmentida nem disfarçada intenção de vender e comprar pelos melhores preços, ou seja, vender ao mais alto preço e comprar ao mais baixo preço. Assim nasceram as colónias britânicas, francesas, alemãs e belgas em África.

Mais de cem anos foi o tempo de exploração colonial. Um tempo em que se obteve o melhor lucro e se possibilitou o desenvolvimento industrial e técnico, em geral, da Europa, fazendo da Grã-Bretanha a grande potência mundial, até 1945. Mas, também, fazendo da França e da Bélgica, grandes Estados super desenvolvidos. Todos os Europeus beneficiaram, directa ou indirectamente, desse desenvolvimento.

 

O que aconteceu às colónias foi que aumentaram exponencialmente o seu atraso tecnológico, a sua dependência das respectivas metrópoles. Por lá só têm, e continuam a ter, matérias-primas para vender às potências industriais do Mundo. E esse comércio faz-se sempre, ou quase sempre, através de intermediários altamente corruptos, que enriquecem sem terem em conta a miséria que geram à sua volta.

Nós, aqueles que orgulhosamente gostamos de proclamar a importância da Europa e, em especial, da União Europeia, beneficiamos, continuamos a beneficiar, desse comércio desigual.

 

A consequência era previsível há muito tempo: a invasão dos Africanos desgraçados, miseráveis, à procura da Europa da abundância e das oportunidades. Eles, sem saber, só estão à procura do pagamento da "dívida", que a Europa tem para com África!

 

E a solução encontrada é, ainda, mais uma pulhice: aliciar os Governos dos Estados do Norte de África, onde o desenvolvimento europeu fez chegar umas migalhas, para deportarem para o deserto os milhares de migrantes que demandam a Europa.

 

Não temos responsabilidades? Claro que temos... uns mais do que outros, mas temos.

Imigrantes

 

Fomos um povo de emigrantes, ao longo da História. Mesmo quando partíamos para "colonizar", éramos já emigrantes. Mas fomo-lo mais, em especial, no século XIX, depois da independência do Brasil. Fomos para lá, para os EUA, para o Canadá, para a Venezuela, para a Argentina e, no século XX, em especial na segunda metade, fomos para a França, a Alemanha, o Luxemburgo, a Bélgica, a Suíça.

 

Em todos estes países fomos imigrantes e, às vezes, em condições mais do que humildes, quase miseráveis. Levávamos na bagagem a saudade da terra, da família, dos lugares, dos amigos e uma imensa vontade de voltar, que mais não fosse, para retornar ao trabalho duro com mais coragem e mais ânimo.

 

Fomos imigrantes em terras tão estranhas! Lá deixámos bocadinhos da nossa maneira de estar e de lá trouxemos outras formas de viver e sentir.

Porque fomos imigrantes, sabemos sentir os imigrantes e compreender o que é querer fugir à pobreza de terras que, em vez de mães, são madrastas. Madrastas de má índole. Por isso, compreendemos o sofrimento dos imigrantes em países que foram construídos por imigrantes e hoje se arrogam o direito de ter "tolerância zero" para com aqueles que, oferecendo-se para trabalhar, só querem ter a oportunidade de dar aos filhos um futuro melhor do que aquele que lhes foi dado a eles.

A cimeira do nada

 

Todo o mundo, ou quase, está centrado no resultado da cimeira entre o Presidente dos EUA e o da Coreia do Norte. Parece ser comummente aceite que o acordo é um mero documento cheio de intenções sem nada de concreto e palpável.

Parece terem saído a ganhar deste encontro de alto nível os dois Presidentes e mais o da Coreia do Sul. Parece, digo eu e dizem-no alguns comentadores atentos, mas há algo que, também, parece ter passado despercebido a observadores nacionais e estrangeiros, pelo menos, desde já: a estratégia da China. A Coreia do Norte é o peão no grande tabuleiro onde joga a China.

 

Sendo, de alguma forma, errática a estratégia dos EUA não o é a da China e é esta quem está a jogar com Trump sem que ele tome perfeita consciência desse facto.

O que é que quer a China no meio de tudo isto? Ultrapassar, no Pacífico, os EUA? Posicionar-se como a grande potência mundial, arrumando os EUA para o continente americano?

São perguntas para as quais, parece, não haver resposta imediata. Todavia, são perguntas pertinentes, que, levando em conta o comportamento internacional recente de Trump, podem definir a brecha por onde está a entrar a China, uma China em penetração na União Europeia, dominando já uma boa parte da dívida externa americana.

Kim Jong-un foi hoje o peão da China?

O tempo o dirá.

A Esquerda também tem pecados (Endereçado, em especial, para Catarina Martins)

 

Que ninguém se arrisque a dizer que não sou de esquerda! Sou-o com toda a convicção e conhecimento do que é ser de esquerda. Não me vinculo a nenhum dos partidos da esquerda, porque quero manter a minha liberdade de escolha nessa mesma esquerda. Mas nada do que aqui disse me impede, pelo contrário, de reconhecer que a Esquerda, do PS ao BE, está cheia de “pecados”. Basta estar atento e ser isento para os detectar.

 

Agora veio a Catarina Martins largar uma “bojarda” histórica de matriz populista com a qual não posso concordar e que, não sendo exactamente um “pecado” político, é um pecado histórico, só aceitável por quem quer fazer política populista ou “estar no contra” a qualquer preço. Disse ela:

«Virá o dia em que os discursos oficiais serão capazes de reconhecer a enorme violência da expansão portuguesa, a nossa história esclavagista, a responsabilidade no tráfico transatlântico de escravos».

 

Isto demonstra a quase total ignorância de História do Esclavagismo ao longo dos tempos e do que foi a Expansão Portuguesa.

Só tenho uma frase para a Catarina Martins, se acaso ela a lesse:

Vá estudar História de Portugal e História do Colonialismo Europeu!

Claro que ela não vai estudar e, quando muito, vai mandar-me bugiar ou pastar caracóis.

 

Sobre o esclavagismo nada direi, porque toda a gente sabe que nesse tráfico estiveram envolvidos todos os Estados coloniais da Europa e os EUA e não vale a pena explicar que o esclavagismo sempre existiu desde os tempo mais recuados da humanidade e que é bíblico o conhecimento de tal prática e que, por causa disso, toda a gente deveria pedir desculpa a toda a gente… em especial os Estados que sabem e consentem as máfias esclavagistas.

Por aqui, estamos conversados!

Vamos, agora à Expansão.

 

Catarina Martins, já terá pensado que se não tivesse havido Expansão, provavelmente a Senhora, eu e todos nós falaríamos castelhano, por termos sido absorvidos por Castela, do mesmo modo que o reino de Granada o foi em 1492? Ou, talvez antes?

É que – a Senhora não estudou Estratégia ou não sabe aplicá-la ao estudo da História – depois de 1411, ano da paz temporária com Castela, ainda poderia o soberano vizinho vir reivindicar a mal segura coroa de D. João I, o Mestre de Avis! Salvou-o disso, a Expansão Marítima e o aumento de poderio do reino de Portugal… Mas isto passava por ter a humildade de reconhecer que sabe muito pouco de História, Estratégia e Ciência Política!

 

Olhe, este foi mais “um tiro no pé” igual ao do Cartão de Cidadão e cidadã!

Pecados da Esquerda!...

Governantes e diplomatas

 

Já não sei onde li ou ouvi, mas há muito tempo, “travei conhecimento” com esta sábia frase:

«Deve deixar-se aos diplomatas as negociações internacionais, porque eles sabem como conduzi-las, pois, os políticos, por serem amadores, só fazem disparates».

 

Durante a 2.ª Guerra Mundial começou a gerar-se o hábito dos encontros a “alto nível” entre políticos, chefes de governos ou presidentes, para decidirem os destinos nacionais. A coisa piorou quando se fundou a CEE e as grandes políticas passaram a ser resultado de encontros entre ministros. Pode dizer-se que antes, durante e depois dos encontros há todo um trabalho de negociação, mas já não é o mesmo daquele que estava entregue aos diplomatas quando estes levavam a indicação do objectivo a alcançar e os limites da negociação.

Esta coisa chegou a tal ponto que hoje a política internacional está na mão e vontade de um Trump, uma Merkle, um Macron, um Putin e outros de menor dimensão política e estratégica. E, agora, até usam as redes sociais para mandar recados uns aos outros. Já não há diplomacia… Há só vontades políticas que defendem interesses financeiros.

Estamos a viver o começo de uma nova era.

Telemóvel na sala de aula

 

Estamos num tempo de permissividade absoluta, em especial em relação aos jovens. Eu seu, eu sei, os tempos são outros! Mas…

Mas será que na escola básica e secundária deve ser permitido aos alunos o uso do telemóvel enquanto os professores estão a explicar matéria ou a dar aulas? É que isto tem equivalência a qualquer coisa como alguém estar a falar com um jovem e ele conversar com o amigo do lado sem ligar importância nenhuma ao que lhe estar a ser dito! Ou será que também já isto não é falta de educação?

 

O uso do telemóvel para jogar, para consultar a Internet, para fotografar e para mandar mensagens é fantástico, se for um acto que se faz quando não se está em grupo, em sociedade ou à volta de uma mesa de conversa! Julgo eu…

 

A Internet é útil, mas veio alterar conceitos de educação ou não os veio alterar e sou eu que estou a ver mal o assunto? Devem manter-se os mesmos valores de outrora ou devem alterar-se? O que é, nos tempos de hoje, educação?

Tenho sérias dúvidas sobre tudo isto!

Política de habitação

 

Há coisa de cinquenta e dois anos, era ainda prática entre nós, arrendar casa para se viver. Arrendava-se, em princípio, para habitar o resto da vida, caso a família não crescesse desmesuradamente ou não se mudasse de localidade, por mudança de emprego.

Havia habitações para todos os gostos e para todas as bolsas, pelo menos, em Lisboa. As casas podiam ser velhas ou modernas, situadas em bairros típicos ou nas designadas zonas novas.

Só passados uns dez ou quinze anos, por conseguinte, há quarenta e poucos anos, se generalizou a aquisição de casa própria, normalmente, através de empréstimo bancário. Isto não quer dizer que não houvesse, antes, quem possuísse habitação própria, mas, nesse caso, eram, geralmente, segundas casas e nos arredores de Lisboa: Algueirão, Oeiras, Carcavelos, Estoril e Cascais. Todas as regras têm excepções, é evidente.

 

Foram vários os factores determinantes do hábito de comprar casa de habitação e, julgo, um que poderá ter sido decisivo foi a inflação associada à política de não aumento das rendas de casa.

Com efeito, após o arrendamento inicial, os aumentos das rendas não eram livres e, mesmo em muitos casos, eram inalteráveis, por causa das condições dadas ao proprietário aquando da construção do edifício. Assim, era mais conveniente construir para vender do que para alugar. O negócio descentrou-se da sua característica inicial e veio ao encontro dos desejos pequeno-burgueses de todos terem casa própria.

 

Entretanto houve um novo factor que tornou valioso o negócio da construção civil: o elevado custo do terreno para construção na área urbana. Os proprietários de velhos edifícios com casas arrendadas por baixo valor, por falecimento dos inquilinos, não alugavam os fogos vagos e esperavam a morte de todos os restantes, porque, não tendo tido rendimento notável com os alugueres, iam ter chorudos ganhos com a venda do terreno para construção de novo e moderno prédio.

Como se vê, houve aqui uma deturpação da “lógica” do aluguer de habitação a qual se pode sintetizar em três frases: a estabilização das rendas acompanhou a estabilização das pensões de reforma, porque nestas não se levou em conta a inflação; a falta de casas para alugar determinou a construção de prédios em regime de propriedade horizontal; a conjugação dos dois efeitos determinou o elevado custo dos terrenos urbanos.

 

⸺ Como é que se “fura” este ciclo?

Parece-me, poder-se-ia começar por fazer aquilo que não foi feito na sequência do 25 de Abril de 1974: a municipalização dos solos urbanos, ou seja, os terrenos são, por natureza, da propriedade das câmaras municipais – todos os terrenos – e a propriedade dos edifícios é de quem neles constrói. Assim, acabava-se com a especulação sobre os terrenos e o valor das rendas era função da localização do prédio associada ao tipo de construção do mesmo. O prédio tinha de ser bem conservado para o proprietário usufruir dele uma boa renda. Mas, para as rendas poderem ser actualizadas, havia que, ou actualizar as pensões dos velhos inquilinos já reformados, ou o Estado pagar o diferencial de aumento da renda ao senhorio. Deste modo, havia controlo sobre as rendas, sobre a especulação dos alugueres e sobre o mercado imobiliário.

Tem inconvenientes? Claro que os há-de ter! Mas tudo na vida tem reverso e anverso.

Descongelar

 

Há anos foi necessário entrar em contenção de despesas estatais e uma das medidas, que se visualizou, aparentemente, menos gravosa em termos, então, imediatos foi a congelação das carreiras dos funcionários públicos. Isto consistia em manter sem promoções todos aqueles que tinham direito a serem promovidos. A medida poderia durar um ou dois ou mesmo três anos, facto que, embora causando transtorno, não iria prejudicar muita gente. Era, em nome da “salvação nacional”, aceitável. Mas, na verdade, a medida prolongou-se por nove anos e mais alguns meses e, assim sendo, ela tornou-se insuportável para todos e, em particular, para os professores, cujos escalões de progressão são mais numerosos e cuja carreira é bastante desgastante (só quem não esteve a dar aulas a crianças e jovens é que admite ser “fácil” a vida de um professor).

 

Ora, o actual Governo comprometeu descongelar as carreiras dos docentes do ensino básico e secundário e haveria que repor as condições perdidas para aqueles que ainda as podem recuperar nos exactos moldes em que as viram interrompidas. Já basta o facto de o tempo ter passado e não ser possível progredir como seria espectável se a medida não tivesse sido adoptada.

Mas o Governo propõe aos professores só descongelar o período em que assumiu a tutela dos negócios públicos, desresponsabilizando-se pelo passado! Isto é desonesto!

 

Desonesto, porque quando o Governo assumiu funções foi para dar continuidade à “herança” recebida do Governo anterior e de todos os que o antecederam. Isso é que é governar! E não se venha argumentar de outra forma, porque o que se disser não passa de um simples jogo de retórica. Recordemos que a primeira coisa que o Movimento das Forças Armadas (MFA) fez, tal como o fez o Governo Provisório da República, em Outubro de 1910, ou a Junta Militar que assumiu o poder no dia 28 de Maio de 1926, foi declarar que cumpria todos os compromissos herdados do Estado Novo ou da Monarquia ou da 1.ª República. É regra nas relações sociais e internacionais assumir as responsabilidades recebidas do passado.

Não aceitando cumprir o que deve cumprir António Costa e o seu Gabinete ministerial dão provas de desonestidade política. A falta de dinheiro não é justificação. Pode pagar-se “aos bochechos” o que é devido aos professores, pode fazer-se a progressão segundo um critério equilibrado e negociado, mas que seja justo e que dê continuidade às expectativas dos professores que foram prejudicados. Depois disto feito, alterem-se as regras, mas só depois disto concluído.

 

Esta é a minha opinião, que não sou político, mas julgo reger-me por princípios sociais correctos.

Fazer História

 

Sobre o modo de fazer História há inúmeros livros, mas quase todos dizem, de maneiras diferentes, o mesmo: a História faz-se com documentos e, ao fazer História, deve-se ter como objectivos contar, explicar e reproduzir a verdade tão próxima do que foi de modo a que nem mesmo os actores da História a pudessem contar tão perfeitamente como está contada.

 

Esta última parte é a mais difícil de todo o trabalho do historiador, porque é a aquela por onde entram as críticas, pois, em regra, habituámo-nos à chamada história apologética, ou seja, a que é feita segundo a perspectiva do “vencedor” ou, também chamada, história oficial.

 

Não escondo nem envergonho o facto de ser historiador, porque, realmente, tenho publicados, e criticados no âmbito académico, vários trabalhos de investigação histórica. A minha especialidade é a História contemporânea portuguesa, isto é, aquela que está compreendida entre o começo do século XIX e os nossos dias (História da Actualidade). Contudo, onde me foquei com muito mais empenho foi, desde sempre, na segunda metade do século XIX até ao fim do período revolucionário pós-25 de Abril de 1974.

 

Sei que muita gente tem “opiniões” sobre o que aconteceu em Portugal entre 1974 e 1975; “opiniões” e “experiências”. Eu procuro reunir documentos e informações para escrever aquilo que nem todos concordam, mas que corresponde à visão geral das ocorrências. Não me fico pela minha “trincheira”, ou seja, pelo meu “saber”. E, em História, os depoimentos individuais de quem esteve muito longe dos centros de decisão, só valem pelo que nos dão da percepção individual do geral; não podem ser tomados como visões gerais sobre o geral.

 

Historiar não é exercício fácil nem, algumas vezes, agradável.

Franck Carlucci

 

Morreu há dias o político e diplomata que foi embaixador dos EUA em Portugal, na altura do chamado PREC (Processo Revolucionário em Curso), ou seja, o período das grandes transformações democráticas resultantes do acto libertador de 25 de Abril de 1974.

 

Era o homem que podia ter desencadeado um processo contra-revolucionário idêntico ao que pôs fim a Allende, no Chile, e colocou no poder o general Pinochet. Não o fez, porque soube cativar e foi cativado por Mário Soares, que lhe deu garantias de que jamais Portugal seria a Cuba da Europa. Deram, segundo se diz, as mãos para evitar o “avanço” do PCP na conquista do poder. Esta será a história que ficará para a História da democracia portuguesa. Mas não é a verdade factual.

 

Não é verdade, porque quem desestabilizou a democratização em Portugal não foi o PCP, nem Moscovo apoiava a conquista do poder por parte dos comunistas. O que o PCP e Moscovo desejavam era algo muito mais simples: conseguir levar o mais longe possível o desmantelamento do fascismo, ampliar as conquistas democráticas até onde elas pudessem chegar, garantir a democracia plural e assegurar que o PCP faria parte dessa democracia. Estes é que eram os objectivos do PCP, que, para os alcançar, falava em nome dos trabalhadores e do Povo.

 

Quem desestabilizou a democratização em Portugal foi uma incontrolada e descontrolada extrema-esquerda, que exaltou os ânimos de todas camadas sociais e, em especial, as mais desfavorecidas, através de exigir medidas utópicas e capazes de gerar o pânico na classe burguesa, desde os sectores mais endinheirados até aos mais modestos, mas com anseios de tranquilidade para as suas parcas economias. Houve, por conseguinte, vários “andamentos” na revolução portuguesa e, é certo, nem sempre nos apercebemos disso mesmo, nós os que vivemos esses quase dois anos de instabilidade.

 

Carlucci teve a percepção dessas derivas revolucionárias e conteve a vontade de Washington “vacinar” Portugal e os Portugueses. A sua “manobra diplomática” consistiu em envolver o PS no pseudo ataque aos “comunistas”, criando uma clivagem entre “bons” e “maus”, empurrando os últimos para um extremo que, “naturalmente” sairia fora do leque “democrático”. Seria uma “democracia” em tudo semelhante àquela que se viveu, até há poucos anos, na região autónoma da Madeira.

 

Os vários golpes dentro do golpe de 25 de Novembro de 1975 permitiram que, logo de seguida, o PCP se tivesse demarcado da extrema esquerda e a acusasse da destabilização do processo democrático. Isso valeu-lhe conseguir a aceitação no leque partidário. Carlucci e Washington ficaram tranquilizados. Portugal progrediu na democracia e na liberdade e pôde entrar na CEE, ainda que sem acautelar convenientemente o seu futuro.

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