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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Vamos lá a ver...

 

Morreu o coronel Varela Gomes. Conheci-o pessoalmente, mas nunca trabalhei com ele nem tivemos relações de proximidade. Todavia, do que me foi possível observar, tirei algumas conclusões sobre o Homem.

 

O capitão Varela Gomes do assalto ao quartel de Beja, em 1961, não era, ideologicamente, o mesmo que o coronel reformado Varela Gomes, depois do 25 de Novembro de 1975.

 

Na primeira data ele era, como tantos outros militares e civis, um declarado opositor ao regime fascista de Oliveira Salazar e de todo o aparelho repressivo por ele mandado ou deixado montar para silenciar os Portugueses, mantendo-os na mais obscura ignorância política que se possa imaginar. Ousou juntar-se ao grupo que conspirava contra a situação e chefiar a parte operacional do assalto ao quartel de infantaria de Beja. Mas, é preciso dizer, o golpe projectado ia muito mais longe do que o mero assalto a Beja. Nele se incluía a acção dinamizadora do general Humberto Delgado, que, na altura e sempre, foi contrário a entendimentos com o Partido Comunista.

 

O coronel Varela Gomes depois do 25 de Abril de 1974 era um homem angustiado pela prisão e perseguição constante da polícia política. Era já, então, um militar politizado e consciente do que seria mais conveniente para a evolução política dos Portugueses. Era um militar que percebia que a Democracia não cai dos céus aos trambolhões, nem se aprende com uma prática anárquica. Era um militar que conhecia o estado de ignorância dos Portugueses em geral e de como podiam ser manipulados. Era um democrata com posições de esquerda, mas ciente da necessidade da pluralidade democrática e partidária.

 

O coronel reformado Varela Gomes, depois do 25 de Novembro de 1975 era um homem desiludido pelo rumo que o golpe militar daquela data havia tomado, travando a possibilidade de se democratizar os sectores mais ignorantes da população, os quais se haviam iludido com as ideias bonitas do esquerdismo extremista, que, diga-se em abono da verdade, estragou a evolução natural para a implantação de uma democracia plural, mas justa e equilibrada. E nessa travagem o Partido Socialista tem uma grande responsabilidade, pois nele estavam os mais conscientes e esclarecidos oposicionistas do fascismo. O Partido Socialista aproveitou-se eleitoralmente do medo que o regime totalitário de Salazar havia criado nos Portugueses em relação aos comunistas. Pessoalmente, sempre defendi e agora com garantias seguras, que os comunistas não tinham "autorização" de Moscovo para aqui tentarem a implantação de uma regime socialista-comunista. Moscovo sabia o que representava, do ponto de vista estratégico global, uma tal viragem e como ela poderia provocar uma mudança na "Guerra Fria" aceite pelas duas super-potências. Se Varela Gomes olhava com simpatia para o Partido Comunista, nessa época, isso é uma outra coisa! Mas foi a "viragem" feita no 25 de Novembro de 1975 quem o virou, claramente, para a aceitação de uma identificação com o Partido Comunista, mas com a postura de um homem livre e livre de pensar pela sua cabeça.

 

Morreu um Militar e um Homem que nos merece todo o respeito e consideração. Um Homem que amava Portugal.

Inclino-me respeitosamente perante a sua memória.

As minhas injustiças

 

Nasci em Lisboa, em casa, no andar de um prédio construído, talvez, no final do século XIX ou começo do século XX. Era uma casa que não obedecia a nenhum dos actuais critérios de construção, mas tinha tudo o que fazia falta para uma família, composta por quatro pessoas, nela viver: casa-de-banho, cozinha, sala de jantar e quatro outras divisões, que serviam de quartos e sala de visitas.

Foi lá que nasci e cresci e da janela habituei-me a ver Lisboa, pois a vista era soberba.

 

Nunca me dei conta de ser grande ou pequena essa casa onde vivi até à idade dos vinte e quatro anos. Era a casa dos meus Pais, a minha casa. Tudo isso bastou-me. Mas, a verdade, é que há coisa de vinte ou trinta anos atrás, dei por mim a pensar nas reais dimensões dessa casa da qual tenho saudades. Pensei e conclui: era, realmente pequena. As divisões, ainda que espaçosas para a altura, tinham áreas diminutas se comparadas com as casas que vim a conhecer ao longo da minha vida. Todavia, para mim, na minha memória, a casa era grande, bastante grande e confortável. O meu sentido de justiça esteve, durante muitos anos, embotado pela minha consciência infantil, aquela que eu tinha quando tudo era imenso, porque medido à escala do meu próprio tamanho de criança.

 

Mas a injustiça continuou.

Conclui o curso da Academia Militar e fui promovido a alferes, a tenente, a capitão, a major e, porque, para mim, o meu Pai tinha uma dimensão enorme, igual à da casa onde nasci, nunca estabeleci a relação entre o facto de ele ser somente 1.º sargento reformado e eu auferir um vencimento bastante superior ao seu. Ele, para mim, na minha imaginação e mente, sempre foi mais capaz financeiramente do que eu! Nunca tive por hábito pedir-lhe dinheiro, emprestado ou não, mas se fosse necessário teria pedido, porque, para mim, ele ganhava "mais" do que eu! Ele era, financeiramente, "mais poderoso" do que eu!

 

Como fui injusto! Injusto, porque tive, durante demasiado tempo, uma visão infantil da casa onde nasci e do meu Pai. Injusto, porque tudo o que me foi familiar na infância, era grande, demasiado grande, quando me comparava com esse "tudo"!

 

Agora, que os anos passaram, pergunto-me se esta distorção só me afectou a mim ou é comum a mais gente?

Às vezes, somos injustos sem nos darmos conta!

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