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Fio de Prumo



Terça-feira, 30.01.18

A Menina Olinda

 

Há muitos anos, talvez mais de cinquenta, aluguei um apartamento num prédio, então, ainda quase novo, na zona do Largo da Graça, em Lisboa. Casa não muito grande, mas dentro do comum de uma certa "classe média" com posses financeiras contadas... Eu estava a iniciar a minha carreira profissional e o soldo de oficial era baixo.

O prédio tinha cinco pisos e, por isso, possuía dois elevadores e porteira. Era uma mulher, então, um pouco mais velha do que eu a quem nos habituámos a tratar, como ainda era costume, da forma carinhosa dos velhos bairros de Lisboa: "Menina" Olinda.

Por lá vivi vinte anos e a "Menina" Olinda continuou, já mulher dos seus quarenta e tal, a ser "Menina". Há mais de trinta anos que a não vejo, mas, se a encontrasse, jamais seria Olinda, D. Olinda ou Senhora Olinda... Menina continuaria a ficar-lhe bem.

 

E vem isto a propósito do despropósito dos tratamentos de hoje.

Quando as "meninas", que eram senhoras, eram carinhosamente meninas, os cavalheiros eram tratados por senhor Fulano de Tal, ou seja, pelo sobrenome e jamais pelo nome de baptismo. As senhoras casadas e com quem não se tinha qualquer confiança eram as Senhoras Donas ou, em alternativa, somente Senhoras Qualquer Coisa.

 

Não sei como apareceu esta moda de eu ser o senhor Luís para qualquer "gato sapato" que me liga não sei de onde, em vez de ser o senhor Fraga, nem a de se tratar a damas por senhora Maria ou senhora Antónia.

Havia cortesia onde hoje há aspereza no tratamento. Aspereza que chega a rondar a falta de educação ou, como se dizia, de polimento.

 

Se foi a democracia que trouxe "isto" é bom que se veja como é o tratamento pessoal nas velhas democracias europeias, porque a dos EUA não pode servir de exemplo a ninguém. Para mau exemplo chega o bronco Donald Trump.

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por Luís Alves de Fraga às 11:55

Segunda-feira, 29.01.18

Idade

Os anos passaram por mim num instante, penso eu, às vezes, porque, noutras, tudo foi há muito tempo. Porque os anos passaram eu sou um homem de idade, mas estou longe de me classificar como um idoso ou velho.

 

Vem isto a propósito do que sinto ao olhar para trás no tempo e ao verificar todas as modificações que se operaram na sociedade portuguesa e - porque não? - europeia e mundial.

O que mais me choca é a ausência de princípios éticos ou, a alteração na ética, se preferirem.

 

Não sei bem em nome de que valores coisas quase inocentes, de há umas dezenas de anos atrás, são agora olhadas com verdadeiro atentado aos direitos individuais. E, é claro, estou a pensar no assédio sexual.

 

Esta gente de hoje nunca foi a um baile nos recuados anos de 50 do século passado! Os pares dançavam enlaçados, tocando-se os corpos e as faces, misturando-se odores, murmurando-se palavras ditadas pela excitação e o atrevimento dos dançantes. Isso era assédio? Meu Deus! Isso era a forma galante de expressar desejo, começando pela atracção física para acabar na admiração de tudo o mais que poderia, até, conduzir a um casamento futuro.

Era uma moral castradora? Claro que era! Mas não era uma moral de castrados! Os jovens e os menos jovens conseguiam fazer surgir encantos e encantamentos, que começavam por prender pelo físico e, depois, pela alma.

A mulher aceitava que "tinha de ser conquistada" tendo, contudo, a certeza de que a última palavra, a decisão final, era sempre dela. Ao homem restava a ilusão de que escolhera,quando, ao cabo e ao resto, era escolhido. Mas o "jogo" jogava-se" dentro destes padrões artificiosos.

 

Agora, colocar, com cautela, a mão no joelho de uma mulher é motivo para surgir a acusação de assédio!

Havia uma "poesia" na "conquista" que está a dar lugar a uma frieza total em que desapareceram, sem nunca se terem feito, os fios do enlevo do secular "pé de alferes", como se dizia nos primórdios do século XX.

 

Definitivamente, não estou velho, mas tenho o direito de não gostar dos novos costumes em esboço.

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por Luís Alves de Fraga às 15:07

Quarta-feira, 03.01.18

O mal de Marcelo

 

Fui um dos que não votou no Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa aquando da eleição para a Presidência da República, mas fui daqueles que, passados os primeiros meses, acabei por admirá-lo pela sua capacidade de presença - sublinho, PRESENÇA - junto das gentes anónimas, nos momentos convenientes e necessários. Tempos mais tarde, comecei a achar exagerada essa "hiperactividade", já não tanto por ser simplesmente exagerada, mas por ser "palradora".

Bolas, o Presidente está e, mais do que estar, não está calado!

 

Reparem que Marcelo ao deslocar-se a tanto lado habituou-se, e quase exige, à presença dos órgãos de comunicação social e, estando estes presentes, eles querem ouvir o Presidente sobre a razão da deslocação e sobre tudo o que é mais importante, nesse momento, em Portugal. E Marcelo, que podia escusar-se a responder, responde. Responde constantemente e emite opiniões. Opiniões que são, de imediato, interpretadas, dando oportunidade a transformarem-se em "recados" ou, no mínimo, em "pressão" sobre quem tem de decidir.

 

Deste modo, para a gente anónima, Marcelo Rebelo de Sousa, é o "Presidente dos afectos", todavia, para quem pensar um pouco, ele é o "Presidente das pressões". Pressões que interferem na governação e podem vir a gerar um grave problema de convivência entre S. Bento, Belém e a Assembleia da República.

A hiperactividade de Marcelo Rebelo de Sousa pode transformar-se numa "hiperexplosão" política e social.

Cuidado com o futuro.

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por Luís Alves de Fraga às 20:14


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