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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Os "cafés"

 

Ontem fui à "baixa" de Lisboa e sentei-me num "café"... a tomar um chá.

Olhei à minha volta e vi, felizmente, um grupo de jovens portugueses (porque a "baixa" está a rebentar de estrangeiros!) em amena cavaqueira à volta de várias chávenas de café e sem nenhum telemóvel à vista.

Rejubilei! Aleluia! Finalmente, vejo gente a conversar (conversa que me pareceu, por força das frases que fui ouvindo, interessante).

Fiquei a olhar para eles e a recordar os "cafés" da minha juventude... os de "bairro" e os da "baixa".

 

Os "cafés" eram locais onde se bebia a "bica" por um preço acessível, se lia o jornal e se conversava. Havia horas para os frequentar: no fim do dia de trabalho, antes do jantar (comia-se lá para as 20h30) e depois do jantar. No "café" escrevia-se, estudava-se e falava-se. Por lá se contavam as histórias do dia-a-dia, discutia-se futebol e política. Esta sempre em surdina por causa dos "bufos" (havia-os ao serviço da polícia política, mas eram mais ou menos conhecidos dos frequentadores assíduos dos "cafés" de "bairro"). Na "baixa" lisboeta, entre os mais velhos cidadãos, os que haviam vindo do tempo da 1.ª República, traçavam-se planos de revoluções e de golpes de Estado que, normalmente, "morriam" na mesa do "café" quando esses velhos saudosistas se levantavam e iam a caminho de casa, alquebrados ao peso dos anos e das dificuldades da vida consequência das magras reformas.

 

Tenho saudades dos velhos "cafés" da minha Lisboa ainda sem esta chusma de turistas, que fotografam tudo e todos com os seus pequenos telemóveis ou as suas potentes máquinas digitais.

Era uma Lisboa de ronceiros "eléctricos" apinhados à hora de regressar a casa.

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