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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

A corrupção e o medo

 

As semanas vão correndo, umas atrás das outras, e, quando dermos por isso, estamos no dia 4 de Outubro, cujo significado republicano anda quase esquecido, oportunidade única de, organicamente, manifestarmos as nossas opções políticas.

 

Pelo que tenho visto nas diferentes estações de televisão, a corrida à propaganda está a meio gás, embora algumas figuras políticas já tenham mostrado o mote principal das suas campanhas. Numa análise muito simplista, rasteira e sem grandes enredos discursivos, temos mais do mesmo, vindo de todos os quadrantes. As alianças possíveis já estão definidas e só por um “milagre” outras e, até desejáveis, poderiam surgir. Ora, nesta coisa da gestão pública da imagem não há “milagres”! O que há, em grande quantidade, são “fantasias” carnavalescas, que escondem verdadeiras intenções por baixo de brilhos falsos e mentiras. Fazem-me lembrar os disfarces do lobo coberto – mal – com a pele de inocente cordeiro! Recordando João das Regras, o popular defensor da causa do Mestre de Avis, D. João que viria a ser o primeiro de Portugal, os actuais conselheiros políticos cumprem o alvitre do mentor do candidato a rei, que dizia: “Prometei, prometei, Senhor, porque nada é vosso!”. Claro que os de agora sabem que as promessas não são mais do que isso mesmo: promessas! E a prova evidente tivemo-la nas eleições de há quatro anos onde se mentiu descaradamente com a absoluta convicção de não cumprir nada do que se disse! E se não foi mentira, embuste, foi, então, incompetência! Incompetência na avaliação de um quadro político-económico que tinham obrigação de conhecer em pormenor! Presos têm de ser, pois merecem-no, tendo ou não cão!

 

Os que estão ainda no Governo, agora, já não fazem promessas! Preferem uma outra arma que, com excelente sucesso, foi usada durante quarenta e oito anos: o medo!

Assustam o eleitorado com base naquele comezinho e mesquinho pensamento traduzível no aviso: “É pouco, mas está seguro e é nosso”! Ora, esta ideia contém em si uma grossa mentira: é que nem é pouco, nem está seguro, nem é nosso!

E António Costa, porque não quer fazer promessas nunca capazes de cumprir, fica-se pelas meias águas que desaguam mais perto da foz do rio da coligação do que daquilo que poderia ser o contraponto à “prudência” dos que ainda governam.

Qual seria, então, esse contraponto?

 

Antes do mais e bradado a todos os pulmões, com a vontade de levar ao fim o cumprimento da promessa, reformar o que fosse necessário reformar, alterar o que fosse necessário alterar, mas acabar, de uma vez por todas, com a corrupção de alto gabarito que se pratica e se praticou em Portugal. Acelerar os mecanismos da Justiça, pôr a trabalhar, a todo o vapor, os tribunais e agentes judiciários por onde correm os processos já existentes e prometer a imediata abertura de averiguações sobre todos os negócios sujos feitos no passado, a começar pelo da aquisição dos, tão necessários, submarinos. Depois, prometer e cumprir, a revisão de todos os contratos ruinosos para o Estado, entre os quais estão as PPP rodoviárias. Reanalisar a necessidade da carrada de Institutos e Fundações para aí existentes. Reequacionar a distribuição de escolas por esse país fora. Impor obrigações às companhias de transportes públicos de modo a torná-los popularmente mais acessíveis, de maior circulação e de melhor qualidade material. Limitar a quota de assessores provenientes dos aparelhos juvenis das máquinas partidárias. E, por fim, mas não finalmente, reavaliar os termos dos acordos internacionais que, retirando soberania a Portugal, colocam nas mãos de Bruxelas decisões pertencentes ao Governo de Lisboa.

 

Assim seria possível um entendimento político com o PCP e o BE? Tanto melhor, sem comprometer nem hipotecar a liberdade de acção do Governo.

Mas é isto que António Costa quer fazer? Não é! Não é, porque não pode! Não é, porque passaria a “pescar” no eleitorado da esquerda, receando não o conservar durante a governação, e, receando, acima de tudo, perder um eleitorado acomodado a um ramerrame que têm medo – sempre o medo – de ser engolido pela esquerda comunista. Julgo que, acima de tudo, também, António Costa tem medo de “colocar a faca aos peitos” do Partido Comunista, comprometendo-o com um projecto que o faça “sair a terreiro”, abandonando a posição cómoda de crítico permanente.

 

A política nacional está refém dos seus próprios erros, dos seus compadrios, dos seus medos, das suas promessas para não cumprir, ficando-se por propor mais do mesmo ou nada de nada. Chegámos a um ponto em que ou há uma viragem interna ou aceitamos passivamente, bovinamente, a tutela absoluta que nos chega de fora a qual não leva em conta os nossos interesses nacionais, mas os interesses da finança internacional.

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