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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

O ministro da Defesa Nacional

 

Provavelmente os meus Caros leitores nunca se deram ao trabalho — a não ser algumas raras personalidades de excepção, que fazem o favor de lerem o que escrevo — de pensar o que compreende a ideia de defesa nacional. Ora deixem-me que, sendo sintético, vos esclareça.

 

A defesa nacional tem como finalidade todo o conjunto de actividades que, de forma directa ou indirecta, garantam a segurança do território e de toda a população. Sendo que por segurança, para este efeito, se deve entender a acção ou conjunto de acções que permitem o exercício livre da vontade e do interesse nacionais, anulando, reduzindo ou limitando o exercício da vontade e interesses de Estados estrangeiros amigos ou/e potencial ou declaradamente inimigos. Assim, neste sentido, o Ministério da Defesa Nacional terá de ser olhado como um “super Ministério”, pois são muitas as vertentes por onde se pode pôr em risco a vontade e o interesse de um Estado. Como mero exemplo, apontam-se casos que, em Portugal, atentam ou atentaram contra a segurança nacional, sem que ninguém manifestasse qualquer tipo de interesse ou preocupação. Vejamos.

 

A ponte 25 de Abril, sobre o rio Tejo, é uma ameaça nacional: ela, se derrubada por efeito de um bombardeamento aéreo de precisão cirúrgica, impede imediatamente o trânsito naval de todo o estuário do Tejo e, muito em especial, aquele que lhe está a montante e onde se situam as infra-estruturas portuária de Lisboa. A Base Naval do Alfeite, estando onde está, é outra ameaça para a segurança nacional, porque, sendo o porto de abrigo da nossa esquadra é um excelente e compensatório alvo para um bombardeamento aéreo. Logo ao lado, a Base Aérea n.º 6, no Montijo, está nas mesmas condições, porque é, também, um alvo desejável facilmente atingível por todas as aeronaves que tenham por missão destruir a Base Naval do Alfeite. Do mesmo modo, no passado, os estaleiros da Lisnave estavam “à mão de semear” do bombardeamento e, logo um pouco ao lado, o complexo da CUF satisfazia e simplificava a acção do “inimigo” e, ainda no passado, a refinaria da Sacor, daria oportunidade às aeronaves adversárias “despistadas” de se satisfazerem através da destruição de mais de metade da nossa indústria petrolífera. A isto sempre eu chamei “ser amigo do inimigo”, poupando-lhe esforços e preocupações de maior com planeamentos militares.

 

Como se pode ver, a simples implantação de uma infra-estrutura produtiva em determinado local está relacionada com a defesa nacional, tal como está uma rodovia, uma ferrovia, um aeroporto, uma grande indústria ou uma pequena fábrica produtora de material estratégico. Claro que, entre nós, prevalece sobre tudo isto o facto de, a alguns quilómetros a norte de Lisboa, se situar o mais importante reduto defensivo de Portugal: o santuário de Fátima! E não se ofendam os católicos, porque só com ironia se podem perdoar tantos e tão graves atentados à segurança de todos nós.

 

É por causa de o Ministério da Defesa Nacional estar vazio de conteúdo estratégico e de cá, por esta terrinha, tais questões estarem entregues ao âmbito taumatúrgico de Santo António ou de Nossa Senhora, que o senhor ministro Aguiar Branco e toda a inútil cambada de assessores que o rodeia — provavelmente de uma absoluta ignorância estratégica merecedora do maior dó possível — achar que ser ministro de tal pasta se resume a ser, afinal, “ministro das Forças Armadas”!!!!!

 

Ora, porque o Dr. Aguiar Branco e todos os seus antecessores nada percebem de verdadeira defesa nacional têm mostrado uma pressurosa atenção, reduzindo a NADA as nossas Forças Armadas, pois também não sabem qual as razões de elas existirem, especialmente num Estado de pequenas dimensões territoriais, mas ainda com posições estratégicas invejáveis e invejadas pelas grandes potências militares da Europa e do mundo. Eles não sabem, mas, julgo, — na presunção de que o estudaram nesses múltiplos cursos frequentados no estrangeiro — devem sabê-lo os mais responsáveis e graduados quadros das mesmas Forças Armadas: antes e acima de tudo, constituírem um elemento dissuasor de qualquer acção militar contra a independência, soberania e segurança de Portugal. E pode dissuadir-se de muitas maneiras, desde que sejam eficientes e eficazes. Mas também se pode fazer muita asneira se a segurança e defesa não forem tomadas na sua mais ampla acepção! Como exemplo, basta pensar se, quando o afrontamento entre o mundo ocidental e o islâmico está a atingir um ponto próximo da ruptura, será conveniente mandar para o Iraque uma força militar, chamando a atenção das acções extremistas muçulmanas para Portugal?

 

O senhor Dr. Aguiar Branco, em vez de impor a condição de “super ministro”, nas suas deambulações políticas, remete-se à de “mini ministro”, cujo alvo é a redução dos recursos financeiros das nossas Força Armadas para, um dia, “sacudindo a água do capote”, dizer que a responsabilidade de uma falta de segurança é da responsabilidade dos comandos agora condicionados pela política de austeridade!

Tenho pena de viver num país onde se passeiam lado a lado a incompetência e a arrogância. E mais não digo, porque muito mais poderia dizer!

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