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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

A tolerância

 

A liberdade assenta na tolerância, por esta ser um pilar fundamental da possibilidade da livre exposição das ideias.

Aquilo que falta nos agrupamentos sociais humanos que tendem para o monolitismo opinativo é tolerância.

Tolerância é aceitar o diferente como diferente, mas a aceitação não significa concordância, porque ser tolerante é ser vertical na defesa dos seus pontos de vista. A tolerância não é passiva, porque não é indiferente nem pratica a indiferença. A tolerância é complacente, ou seja, convive bem com a diferença. Por causa da ausência de complacência as religiões – particularmente as que fomentam o fundamentalismo – renegam a tolerância. E os regimes políticos detentores únicos da verdade única não praticam a tolerância nem a permitem. Mas não é necessário, neste mundo político cada vez mais subtil onde o obscurantismo tende a ser uma arma sinuosa, que se viva em ditadura para que se cultive a intolerância! Não. A falta de tolerância é praticada em democracia através da provocação, da insinuação, da ausência de frontalidade e de energia na defesa das ideias.

A tolerância só floresce em ambientes sociais que lhe não são hostis, porque supõe compreensão, que não pode nem deve ser confundida com conciliação. Tolerar não é pactuar; é aceitar reconhecendo a diferença, mas não a repudiando. A democracia para ser bem praticada tem de ser tolerante, mas não pode ser concordante e, muito menos, amorfa. Tem de ser inteligente.

Hitler ascendeu ao Poder – tal como outros tantos ditadores – através de processos democráticos – mas, depois, passou a usar de métodos que, obscurecendo as mentes dos Alemães, desenvolveram a intolerância. É contra esses mecanismos subtis que a tolerância tem de saber desenvolver as suas capacidades defensivas.

Pactuar com quem defende a intolerância não é ser tolerante; é ser ingénuo. A tolerância é uma linha estreita que permite a prática da liberdade dentro de limites que não atentem contra a esta e, consequentemente, contra quem a pratica, por isso a tolerância exige confiança no outro, no diferente, para que este, usando das facilidades que lhe são concedidas, não imponha o seu ponto de vista de modo intolerante. A tolerância exige reciprocidade. Eis porque a prática da tolerância só é possível quando não há segundas intenções e, por conseguinte, só é alcançável plenamente em grupos restritos ou muito bem identificados com interesses superiores que ultrapassam as diferenças menores. A tolerância, no mundo ardiloso do presente, tem de ser desconfiada para garantir a sua sobrevivência.

Sejamos tolerantes, mas não ingénuos, mas não estúpidos, mas não suicidas.

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