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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Os cenários

 

As situações estudam-se e prevêem-se quando, por antecipação, se estabelecem cenários possíveis. A surpresa é o pior adversário do bom decisor.

Vêm os considerandos anteriores ao caso, porque gostaria de deixar aqui o resultado de uma conversa que tive com um Amigo altamente credenciado em Economia e que, para além de ser conselheiro em grandes empresas de renome, ganha a vida como professor universitário. Não revelo de quem se trata, porque não desejo ferir susceptibilidades.

 

Frontalmente, ontem, fiz-lhe a pergunta: - Que cenários se podem prever para Portugal e para os Portugueses se se verificar o desaparecimento do euro ou a saída do nosso país da zona euro?

Respondeu-me com clareza linear: o desaparecimento do euro pode não se dar; o que é possível acontecer é a exclusão de certos países, como Portugal, da zona euro. Contudo, se ficarmos, vamos, com os restantes Estados do sul da Europa, ser reduzidos ao depósito de mão-de-obra barata da União e/ou ao centro de recrutamento de emigrantes; os padrões de consumo vão baixar drasticamente e teremos de passar a saber viver com a nossa pobreza.

E se formos afastados da zona euro? Insisti.

Nesse caso, respondeu o meu Amigo, até ocorrer a implementação da nova moeda — provavelmente outra vez o escudo — atravessaremos um período de gravíssimas conturbações sociais, devido à miséria em que cairemos dado o colapso da economia, e desembocaremos numa ditadura política feroz para recolocar a ordem nas ruas e na sociedade. Depois, iremos, muito lentamente, recuperando a nossa capacidade produtiva até ao patamar do sustentável em consonância com a parca riqueza que possuímos. Ou seja, acrescentei eu, voltaremos aos estádios de subdesenvolvimento que nos caracterizou no passado. Sim, não andaremos longe disso, retorquiu o meu Amigo.

Despedimo-nos. Eu fui dar aulas e ele também.

 

À noite, já depois de regressado a casa, a conversa voltou a matraquear-me os ouvidos. Por mais volta que dê, concordando com as linhas gerais traçadas pelo meu Colega economista, vejo que os cenários delineados são sempre os de miséria relativa a longo prazo e de miséria absoluta no curto; vamos passar dos hábitos de consumo imoderados para os de retenção de gastos a toda a prova. Pior do que isso, pode desenhar-se uma crise social que conduza a uma ditadura política… mesmo fazendo parte da União Europeia – digo eu – pois, fora do euro e baldeados para a situação de Estado periférico, será indiferente à União de amanhã que, por aqui, na Grécia e em Espanha, os governos sejam de matriz ditatorial, tal como foi indiferente à democrática OTAN, no seguimento da 2.ª Guerra Mundial, um Portugal fascista, porque importante e estratégico era ter domínio sobre o arquipélago dos Açores. Amanhã, na União Europeia, as ditaduras pouco ou nada incomodarão se continuarem a ser um mercado de colocação de alguma produção dos países ricos da Europa e, por outro lado, forem os abastecedores de mão-de-obra barata desses mesmos Estados. Não será a União Europeia pensada no final do século XX, mas será a União da primeira metade do século XXI, uma centúria que trará grandes novidades ao mundo, porque o eixo da riqueza se vai deslocar do Atlântico para o Pacífico. O centro do novo planisfério deixará de ser o espaço entre o continente europeu e o continente americano para passar a ser a Grande Ásia e o Oceano Pacífico que a banha.

 

Os cenários estão aí. Discutíveis como tudo o que nunca aconteceu e simplesmente se prevê. Têm a validade que tem. Mas ajudam-nos a poder traçar caminhos e antever soluções.

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