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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

O discurso de Cavaco

 

Elogiado por vários quadrantes da opinião política nacional, o discurso de hoje do Presidente da República foi um verdadeiro bluff demagógico, ainda mais por ter saído da boca de um Professor de Economia e Finanças. E vejamos porquê.

Cavaco Silva pede, por um lado, austeridade por parte das famílias, redução dos consumos desnecessários, mais trabalho, menos gastos supérfluos, nomeadamente em viagens ao estrangeiro e, por outro deseja que haja um crescimento da economia nacional, mais emprego e mais poupança.

Qualquer estudante de Economia sabe que, praticando-se uma política financeira de estrangulamento dos rendimentos através da brutal redução dos consumos públicos e do aumento desmesurado dos impostos, se caminha a passos largos para uma recessão económica – o contrário de crescimento económico – e para o aumento do desemprego.

Cavaco Silva, como qualquer ilusionista de segunda categoria, meteu dois ou três coelhos na cartola, antes do espectáculo começar, e, depois de alguns passes de hipotética magia, tirou-os de dentro dela e exibi-os como se fosse verdadeiro o efeito mágico.

Cavaco Silva, o Primeiro-Ministro incapaz de ter negociado e traçado uma estratégia aquando da adesão de Portugal à CEE, vem, agora, como Presidente da República, aureolado de uma autoridade académica que não tem, dar lições de boa governação ao carrasco que se limita a apertar o garrote em volta do pescoço dos Portugueses à ordem da já tristemente célebre troika que nos asfixia em nome de uma falsa medicina financeira.

Cavaco Silva não tem perdão!

A República: 1911 – 2011

 

Há cem anos, em Portugal, havia esperança - e também revolta -, havia um forte desejo de tirar o país da posição de Estado semi-africano, aproximando-o da Europa e especialmente da França. Abatiam-se os poderes que agiam reaccionariamente contra a marcha de uma revolução que se queria burguesa, e já então, socializante. Lutava-se contra poderes instalados e ancilosados. Portugal era, na Europa, a segunda República.

Até 1914 lutou-se contra a reacção monárquica e, depois, passou a lutar-se, também, contra todos os que não eram capazes de compreender que a participação na Grande Guerra, para além de garantir a inviolabilidade do património colonial (cobiçado por alemães, ingleses e até belgas), oferecia a possibilidade única de, lutando ao lado da Inglaterra, se desvincular da tutela humilhante que ela exercia sobre Portugal e, mais do que tudo, de ser aceite na Europa como Estado com soberania e estatuto moral semelhante aos dos restantes aliados. A Grande Guerra, esperava-se, podia ser um momento de união de esforços entre portugueses.

Tudo foi diferente, porque os Portugueses não foram capazes de manter um ideal elevado e deixaram-se arrastar na luta política interna. E isso foi o princípio do fim da República. O grande ideólogo da modernidade nacional, Afonso Costa, perdeu as esperanças nos Portugueses e deixou-se ficar pelo estrangeiro e, internamente, começou a imperar a baixa política, depois da demagógica ditadura presidencialista de Sidónio Pais. De1919 a1926, pouco mais de seis anos, Portugal, em consequência da terrível crise financeira que se seguiu à Grande Guerra, chegou a um ponto que muito se assemelha ao presente. Estava escancarada a porta de entrada da ditadura militar que deu lugar à ditadura financeira de Salazar e, depois, ao Estado Novo. Venceram as forças da reacção, do imobilismo social, do atraso cultural. O resto é nosso conhecido.

Não acredito na repetição da História segundo um círculo, mas admito-a segundo uma espiral que se alonga no tempo perante cenários semelhantes.

Pobre Portugal e pobres Portugueses. A espiral histórica evita-se quando a vontade colectiva é capaz de apresentar novos cenários a partir de rupturas consentidas.

Saberemos, cem anos depois da esperança, encontrar um ponto de ruptura para arrepiarmos caminho neste nosso fado político? O abismo ditará as suas regras.

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