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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Os preços

 

Na generalidade, é verdade que, aos diferentes níveis sociais, os Portugueses, nestes últimos vinte a trinta anos, habituaram-se a ganhar acima daquilo que a nossa economia real pode suportar. Até os mais indigentes dos indigentes conseguiram subsídios que noutras circunstâncias não teriam (e quando digo outras circunstâncias estou a pensar em tempos mais recuados como seja há quarenta ou cinquenta anos). Naturalmente que a falta de orientação para a definição de políticas económicas apropriadas não pode ser assacada a qualquer um de nós, meros cidadãos. Os Governos que fomos escolhendo, através do nosso voto (o voto dos que votaram e a abstenção dos que ficaram calados), ao contrário de fazer o que devia ser feito, foram desgovernando, permitindo que umas dúzias de “bons rapazes” se governassem à custa do erário público e que a maioria fosse fazendo a sua vidinha. Ninguém avisou para os excessos de despesismo, nem para a necessidade de poupança, nem para a armadilha do crédito fácil, nem para cilada da aquisição de casa própria a preços disparatados, nem para o ardil montado pela banca para as facilidades de compra de segunda casa, nem para as prestações das viagens ao estrangeiro com férias em praias exóticas, nem para o facto de os cartões de crédito se pagarem a preços elevadíssimos, nem para os encargos dos telemóveis, dos computadores e de toda a parafernália de apelativos electrónicos e não só que a publicidade anuncia e os incautos adquirem, endividando-se. Os Governos e os Portugueses embarcaram nos gastos mais inúteis como se, de facto, a economia nacional estivesse a viver no melhor estado de saúde que imaginar se possa. Como se a economia e o tecido económico português não tivessem sido destruídos com a adesão à CEE. Só se viu o lado imediatista dos milhões a entrarem-nos porta dentro e a política do lucro fácil através do compadrio na implantação de betão por todo o território sem cuidar de lançar indústrias e empreendimentos estratégicos capazes de darem emprego e terem sustentabilidade num futuro mais distante. Estamos agora a viver a força da crise e os ais e rangeres de dentes vêm de todos os lados. Fomos todos, mas todos, pouco previdentes: uns, porque fizeram más escolhas eleitorais, outros, porque não foram honestos na governação.

Metidos agora na engrenagem da crise e na da economia neoliberal temos de viver com esta situação e suportá-la da melhor forma que for possível, ainda que dolorosa para a esmagadora maioria dos Portugueses. Tem de haver um ajuste económico salvaguardando, no entanto, os valores mais essenciais do Estado social: o Serviço Nacional de Saúde, a Segurança Social e, dentro possível, a educação tendencialmente gratuita, com as inerentes bolsas de estudo para os alunos que maiores méritos demonstrem e menores rendimentos possuam.

Mas, ainda obcecados pelos lucros fáceis, estamos a assistir a um novo fenómeno económico que o Governo tem de evitar de qualquer maneira: a elevação dos preços dos produtos, não por via da carga fiscal a que estão sujeitos, mas por força da ganância dos comerciantes que não desejam ver baixar os seus habituais rendimentos. A este efeito nefasto do mercado interno está a associar-se um outro: o da baixa dos salários, aproveitando os cortes que o Estado faz aos seus trabalhadores.

A conjugação destes dois movimentos a curto/médio prazo vai conduzir à retracção do consumo nos bens mais essenciais. Ora, a falta de demanda no mercado induz uma retracção na produção, a qual, por seu turno, provoca um aumento dos preços e, tal como uma espiral, o processo vai acelerar-se, conduzindo a uma clara e marcada recessão económica. Esta, se se limitasse aos bens não essenciais, não representaria perigo de maior, pois teria, até, o efeito benéfico de repor o consumo dentro dos padrões do aconselhável para a capacidade produtiva nacional, mas tudo se modifica quando se faz sentir naquilo que for absolutamente necessário. Chegados a esse ponto entraremos na zona vermelha da revolta social descontrolada. Nessa altura que ninguém venha dizer que são os sindicatos que destabilizam o sistema, pois já não estará na mãos deles nem nas dos partidos políticos de esquerda a sustentação da vontade popular!

O Governo ou olha de frente para a contenção da subida dos preços e para a redução incontrolada dos salários ou vai ter sérios amargos de boca. O oportunismo económico espreita nestas alturas. Se os políticos não sabem, vão estudar o que aconteceu em Portugal nos anos subsequentes a 1916, particularmente em 1917 e 1918, e nos anos da 2.ª Guerra Mundial, em especial, em 1943 (ainda que deste período pouca informação haja por força da acção da censura prévia). A desordem na rua é muito má conselheira para a política e nem tudo se resolve à bastonada, pois os polícias também comem e têm família a quem precisam alimentar!

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