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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Spínola, Cavaco e a manifestação silenciosa

 

«É necessário que um sobressalto cívico faça despertar os Portugueses para a necessidade de uma sociedade civil forte, dinâmica e, sobretudo, mais autónoma perante os poderes públicos.»

«É altura dos Portugueses despertarem da letargia em que têm vivido e perceberem claramente que só uma grande mobilização da sociedade civil permitirá garantir um rumo de futuro para a legítima ambição de nos aproximarmos do nível de desenvolvimento dos países mais avançados da União Europeia.» (Presidente da República, Cavaco Silva).

 

Os mais novos ainda não eram vivos ou tinham tão pouca idade que não se lembram daquilo de que vou falar, todavia, os mais velhos lembrar-se-ão.

 

Poucos meses após 25 de Abril de 1974 o, então Presidente da República, revolucionária e inocentemente escolhido para o cargo pelos Capitães do Movimento das Forças Armadas, general António de Spínola, homem marcadamente conservador, autoritário e pouco avesso às mudanças que a dinâmica popular impunha logo a seguir ao acto libertador, lembrou-se de fazer um discurso apelando à manifestação daqueles que ele designou por “maioria silenciosa”. Tratava-se, sem dúvida, de fazer sair para a rua todos quantos, habituados à tranquilidade salazarenta do Estado Novo (cada vez mais velho), se sentiam descontentes com o rumo dos acontecimentos que lhes retirava um sossego feito à custa dos silêncios obtidos pela censura e pela repressão policial que tinham vigorado nas quase cinco dezenas de anos que levávamos de ditadura. Foi um apelo à contra-revolução que o Presidente da República fez na tentativa de conseguir adesões ao seu conservadorismo e ao seu autoritarismo. Não foi um acto isento nem, muito menos inocente. Pelo contrário, foi uma chamada à luta com intenções duvidosas. Valeu-lhe as desconfianças de todos os sectores comprometidos com a democratização de Portugal e dos Portugueses e a simpatia de todos os reaccionários de então.

Passaram-se quase trinta e sete anos sobre este acontecimento e, curiosamente, no dia da tomada de posse do segundo mandato do cargo de Presidente da República, o Professor Cavaco Silva, no discurso proferido sem o brilho nem o vigor do general Spínola, fez, veladamente (mas não tanto que não desse para ser entendido), um apelo em quase tudo semelhante ao do seu antecessor militar, sugerindo a manifestação do descontentamento popular em relação à governação em curso.

Há trinta e sete anos, Spínola procurava encontrar uma base de apoio para poder travar um processo que não controlava. Actualmente, Cavaco Silva ofereceu uma base de apoio ao seu partido, o PSD, para lhe dar confiança com vista a poder romper com o Governo e gerar uma crise política na qual ele, Presidente da República, seja o manipulador dos cordões das marionetes que se exibem neste teatro nacional. A direita política vai poder afirmar-se com a ajuda de Cavaco Silva e esse é o acto de “vingança” do falecido general António de Spínola. Claro que o primeiro-ministro José Sócrates e o Partido Socialista nada têm de comum com o Movimento das Forças Armadas de há trinta e sete anos! José Sócrates está a pagar a incapacidade de fazer uma política de oposição à direita e, tal como o povo diz, «Quem o inimigo poupa às mãos lhe morre!».

A lição dos acontecimentos vamos tê-la daqui a alguns meses quando o PSD for governo e mostrar a força de uma direita imparável e insaciável.

Os cortes da despesa do Estado vão fazer-se e afectarão todos os portugueses, porque o Serviço Nacional de Saúde está na mira do PSD, tal como todos os subsídios sociais que dão garantias de sobrevivência aos mais carecidos. Milagres não se fazem e não é Passos Coelho quem os vai fazer, tal como os não fez José Sócrates. Portugal e os Portugueses – todos nós, afinal – têm um largo deserto para atravessar. Isso não o diz nenhum político da esquerda à direita, mas todos o sabem com muita certeza!

Cavaco Silva abriu a caixa de Pandora! O resto se verá…

 

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