Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

A guerrilha, o terrorismo e Israel

 

Todos os militares profissionais sabem que é muito difícil um exército regular vencer uma guerrilha. Vem, pelo menos, do tempo dos Romanos esse conhecimento; nós vivemo-lo na Península, aquando da invasões francesas — foram os populares quem corroeu a vontade de combater dos homens de Napoleão —, os Britânicos sabem-no por experiência na Birmânia e no Quénia, os Franceses, na Indochina e na Argélia, os Americanos, na Coreia, no Afeganistão e, Portugal, em Angola, Guiné (especialmente Guiné) e Moçambique. Os EUA tiveram a sua quota parte de experiência mal aprendida no Vietname e, agora, no Iraque.

A guerrilha, e consequentemente o terrorismo, é o modo de os pobres fazerem a guerra. Numa certa perspectiva pode ser considerada uma forma cobarde de combater, mas os fracos têm direito à sua própria defesa. Quantos de nós, em garotos, quando confrontados com companheiros mais velhos e mais fortes, não evitámos a luta corpo-a-corpo para optarmos por um pontapé, uma pedrada, uma inesperada rasteira? Era a forma de entrar no conflito, tirando o melhor proveito da nossa fraqueza ou da nossa pouca idade. Cobardia? Eu diria antes, necessidade que aguça o engenho! Quando as condições bélicas se igualam ou equiparam a tendência é para o guerrilheiro usar dos métodos clássicos de combate. São os conhecidos patamares da luta de guerrilha. Os Portugueses estiveram à beira de viver essa experiência na Guiné, no final de 1973 e nos primeiros meses de 1974.

Fidel Castro mostrou ao mundo como se vencia uma guerra de guerrilha; Mao Tzé-Tung teorizou a guerra conduzida por guerrilheiros.

É necessário explicar que o terrorismo é uma fase primária do conflito de guerrilha; é como que o momento de preparação para a luta armada que se há-de seguir. É um tempo feio (como se na guerra houvesse tempos bonitos!), aparentemente desleal, quase repugnante em virtude das vítimas inocentes que provoca. Isto é certo, mas, olhando na perspectiva da guerrilha, é o único caminho para o adversário levar a sério as ameaças daqueles que normalmente despreza. A etapa do terrorismo tem como equivalente, na guerra clássica, a preparação do assalto levada a cabo pela artilharia e aviação antes do avanço da infantaria: pretende desmoralizar o adversário, destruir-lhe a força anímica.

O guerrilheiro diferencia-se do combatente dito clássico, porque o conflito está onde ele estiver, pois trava uma guerra essencialmente ideológica ao passo que a chamada convencional é um conflito de interesses em que os combatentes raramente o sentem como coisa sua.

Vem tudo isto a propósito dos ataques israelitas contra o Líbano; mais concretamente, contra uma milícia armada que pouco ou quase nada tem a ver com o Governo local (acoita-se por terras libanesas, porque ali encontrou entre uma parte da população o apoio necessário para subsistir e poder desencadear operações de combate contra um inimigo comum: Israel).

Os Judeus conseguiram ser os grandes vencedores regionais enquanto fizeram uma guerra regular contra Estados e exércitos também eles regulares. A virtude dos islamitas (não interessa se sunitas ou xiitas) foi desvincularem os Estados do conflito e transformá-lo numa guerrilha. Israel, só por isto, está condenado à derrota ou a uma negociação diplomática em inferioridade. A alternativa é desencadear-se na zona uma guerra nuclear a qual sabe-se como começa, mas desconhece-se como acaba. E o problema fundamental é que hoje o conflito é, como já disse, meramente ideológico. Os Muçulmanos combatem por uma causa em que acreditam efectivamente; os Israelitas combatem pela sobrevivência do seu Estado, mas não da sua cultura e menos ainda pela da sua religião, pois ambas subsistiram milhares de anos sem precisarem de um território.

Quando na sequência do 11 de Setembro de 2001, os EUA tomaram a decisão de invadir o Iraque e quebrar o equilíbrio instável do Médio Oriente numa luta inicialmente contra um Estado, mas que tinha como pano de fundo a perseguição ao terrorismo (como antes afirmei, uma das primeiras fases da guerra de guerrilha), abriram a caixa de Pandora da luta sem quartel e que vão perder à custa de vítimas inocentes e de soldados que já nem sabem os motivos que os levaram à guerra. E tudo isto, por uma razão, também ela, muito simples: o Islão condena um certo tipo de «Ocidente». Um «Ocidente» imperial, despótico, explorador, gerador de desigualdades e, acima de tudo, já completamente amoral. O Islão bate-se por valores do foro espiritual; o «Ocidente», que ele guerreia, bate-se por valores materiais sem fundamento moral.

O neo-capitalismo, como vitória sobre o marxismo gerou, dialecticamente, uma síntese que se pode enunciar pelo enfrentamento de duas novas teses: a defesa da cultura amoral e a defesa da cultura moral (islâmica).

Se os governantes do mundo «Ocidental» não perceberem isto e não procurarem uma solução reformista do seu próprio sistema estão a votar a sociedade de consumo, que nos devora, a um triste desaparecimento às mãos de uma sociedade que se imporá por valores estranhos, exóticos e quase reprováveis. E nem se espere auxílio do Oriente (China) porque, também eles possuem sistemas sócio-culturais que se afastam diametralmente dos que vão caracterizando o «nosso Ocidente».

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2006
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2005
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D