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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Forças Armadas profissionais

Desfile militar - 2.JPG


Há mais de vinte anos o general Loureiro dos Santos batia-se publicamente contra a ideia de, no nosso país, acabar o sistema de conscrição nacional, isto é, do serviço militar obrigatório. Não via com bons olhos umas Forças Armadas profissionais ou profissionalizadas. E justificava-se com boas e saudáveis razões.


Não quero repetir o que tão brilhante oficial disse na altura. Seria, como o Povo diz, «chover no molhado». Prefiro repescar dois argumentos que na época Loureiro dos Santos não estava ainda em condições de prever: o avanço acelerado para a profissionalização das Forças Armadas dos países da Europa e a elevação da taxa de desemprego generalizada. Comecemos pelo primeiro.


Na Europa, depois dos anos 70 do século findo, no apogeu do desenvolvimento e do bem-estar, quando ainda não se fazia sentir a falta de trabalho para os jovens qualificados com diplomas, garantindo habilitações do âmbito superior universitário ou politécnico, os políticos deixaram que ganhasse foros de cidadania a ideia da quase inutilidade dos exércitos. As descolonizações estavam feitas e não exigiam presenças de tropas em terras distantes, o alargamento do mercado garantia altos índices de consumo acompanhados de bons níveis salariais, o possível confronto entre os blocos de Leste e o ocidental começava a ganhar os contornos de um mito que jamais passaria disso mesmo (neste campo, as grandes preocupações residiam entre os estados-maiores e os políticos mais cépticos de um clima de paz instável).


Neste contexto, justificavam-se grandes exércitos na Europa? Não viriam os Estados Unidos imediatamente em apoio dos europeus, se a ameaça de guerra caminhasse para a concretização? Foi dentro de tais parâmetros de pensamento e dos condicionalismos de um clima de paz que, um após outro, os países da Europa foram aceitando a ideia de modificarem o sistema de recrutamento militar. Além do mais, a sofisticação do armamento parecia avançar para a redução dos efectivos a empenhar em conflito — se este ocorresse.


Na década de 80 e na de 90 todo o cenário internacional se desmoronou e assumiu novos contornos. As grandes guerras entre grandes potências nunca mais seriam uma realidade. Curiosamente o conflito das Malvinas veio, numa perspectiva geoestratégica, confirmar que, no bloco ocidental, os alinhamentos estavam há muito traçados e não se repetiriam os erros das teias de alianças que desembocam em guerras generalizadas: os mais fortes punham rapidamente na ordem os mais fracos, embora dissidentes!


Para a Europa, e para os europeus, os exércitos haviam ganho, aos olhos das populações, uma utilidade relativa e circunscrita a enfrentar conflitos regionais, de pequena dimensão e, acima de tudo, com a queda do bloco de Leste, a tornarem-se meros elementos de reposição da paz onde ela estava ameaçada. Daí à imposição do serviço militar voluntário foi um passo que se deu num instante.


Nas mesmas décadas em que se acelerava o processo antes descrito começava a esboçar-se o fenómeno da globalização — primeiro com a banalização dos computadores pessoais e da facilidade de comunicação rápida e personalizada entre distantes pontos do globo e, mais tarde, já depois do ano de 2000, com o claro domínio de uma economia capitalista lançada à escala planetária. Esta nova realidade veio trazer novos fenómenos geoestratégicos: o aparente domínio militar do globo pelos Estados Unidos da América. A invasão de Granada deu o sinal de partida para a nova postura e a primeira guerra do Golfo foi o corolário de uma globalização que se consolidou nas intervenções nos Balcãs. A par disto, o desemprego, tanto na Europa como na América vai disparando em flecha. Há um instante em que jovens mal habilitados para o mundo do trabalho ou receosos da ampla concorrência que se desenha maior e mais intensa, começam a optar por servir como voluntários nas Forças Armadas dos seus países.


As perguntas que, sob forma retórica, a mim próprio faço, ficam aqui: — Que género de jovens são estes? Que grau de desenvolvimento intelectual possuem? Que capacidades para a aprendizagem apresentam? Que perfil psicológico demonstram? Que valores realmente os animam? Com que hostilidade sentem uma sociedade que lhes não proporciona outra profissão?


Não vou responder, mas vou deixar aos meus leitores um desassossego. Coloco-o, também, sob a forma de interrogação: — O que se pode esperar de quem serve nas Forças Armadas, buscando uma alternativa em um contexto de dificuldades?

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