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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Condição militar

Ontem perguntava-me, com ar jocoso, um amigo — ou será que é só um conhecido? — o que é essa «coisa» de «condição militar», — mas, por favor. uma definição simples... Nada desses longos discursos que toda a gente anda, agora, a fazer por aí!


Respondi-lhe:


— Condição militar: total disponibilidade para servir a Pátria, sem restrições nem altercações.


Olhou-me, com aquele ar, que a educação dada pelos meus pais não me permite definir em consonância com a vernaculidade de Fernão Lopes, e retorquiu:


— Pátria?!!! O que é isso?


Deve-me ter lido no rosto os sentimentos mal contidos na alma, porque arrastou para mais longe da mesa a cadeira onde estava sentado.


— Não sabes o que é a Pátria?! Olha, meu caro, de certeza que saberás no dia em que vires ameaçados os rendimentos que auferes dos múltiplos empregos de capital que fizeste em bens e sociedades neste país. Quando sentires que estás a ir para a mediania de onde provéns, tal como eu, mas que, ao contrário de mim, tu, por artes desconhecidas, em trinta anos, conseguiste uma fortuna confortável, mas por mim não invejada, quando sentires isso, sabes logo o que é a Pátria. Sabes tão bem que passas a exigir que outros, os mais novos, os mais preparados para o fazerem, a defendam.


Emudeceu. Tinha-lhe atirado forte e feio, como se usa dizer.


Sinto que precisava sentar à minha volta a grande maioria (não estou a falar da maioria parlamentar, mas esses também estão incluídos) dos políticos deste desgraçado Portugal para lhes recordar que há, em todas as gerações, em todos os anos, em todos os dias de vida deste milenar país, uns «palermas» que, levados por diferentes motivações, resolvem tornar-se militares (gostaria mais de dizer, soldados, mas os tempos hierarquizaram o significado deste vocábulo) dispostos a tudo sacrificarem para estarem sempre prontos a defender, de armas em punho, os interesses de uma multidão que, bem instalada na vida, acha muito o pouco que tem de pagar por este «seguro de bem-estar».


Condição militar é «» isto!


Prometo que voltarei ao assunto.

Quatro estrelas por um prato de lentilhas

Há dias o Presidente da República, comandante supremo das Forças Armadas por inerência de funções, convidou para com ele almoçarem, no palácio de Belém, o primeiro ministro, o ministro da Defesa Nacional e mais os quatro generais ¾ generais de quatro estrelas ¾ chefes, respectivamente, do Estado-Maior General das Forças Armadas, do Estado-Maior da Armada, do Estado-Maior do Exército e do Estado-Maior da Força Aérea. Não foi um repasto de mera cortesia. Foi, de acordo com as notícias trazidas a público pelos órgãos de comunicação, uma oportunidade de, sentando à mesma mesa, ouvir os responsáveis governamentais e os comandantes militares sobre as medidas anunciadas e aprovadas em conselho de ministros quanto à redução de algumas regalias de carácter social/assistencial de que os militares usufruem como forma de compensação da condição especial que lhes é imposta.


No final do almoço, interrogado pelos jornalistas, o ministro da Defesa Nacional, uma vez mais, veio reforçar a ideia de que havia perfeita sintonia entre os generais e o Governo e que competia aos militares cumprirem as obrigações e os direitos que lhes são impostos pela sua condição.


Salvaguardando a inocência ou/e verdadeira boa vontade do Presidente da República, este almoço foi a armadilha na qual caíram os chefes militares os quais tinham plena obrigação de a perceber, antes de aceitarem o convite, tanto mais que foram oficiais que ainda fizeram a guerra em África! Vejamos, porquê.


Ao sentar à mesma mesa o primeiro ministro e o ministro da Defesa Nacional com os altos comandos militares o Presidente Jorge Sampaio hierarquizou os convivas e, ao fazê-lo, limitou-lhes a capacidade de manobra: os generais estão subordinados ao ministro da respectiva tutela. Ou discordavam ali, ou nunca mais poderiam opor-se-lhe. Das palavras do ministro aos jornalistas transpareceu a unanimidade de pontos de vista e a absoluta concordância. Mas há mais.


Ao sentarem-se estes convivas à mesa de refeições do Presidente Sampaio os generais aceitaram que as associações representativas dos militares não tinham legitimidade para discutirem as medidas do Governo em paridade com eles, chefes militares. Ao fazerem isto esqueceram vários aspectos: em primeiro lugar, que vão ser estas associações que os vão representar quando passarem à inactividade ¾ o que para alguns deles não faltará muito; em segundo lugar, que, transparecendo para o público em geral, uma ideia de concordância e bom entendimento com os governantes, os militares do activo, da reserva e da reforma se deixam de rever nos seus chefes para se identificarem com as associações que, de facto, se batem e defendem os interesses que lhes são legítimos e caros; finalmente, que não mantém canais de diálogo ¾ formais ou informais ¾ abertos e constantes com as associações de militares de modo a existir consonância entre chefias militares, associações e os próprios militares representados.

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