Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

O Rei(s) vai nu

Os jornais trazem a notícia da punição de um cabo de Marinha — o Luís Reis — por ter declarado publicamente que a Armada teria convocado exercícios navais para o dia em que estava prevista a manifestação dos militares, contestando as medidas governativas, facto, obviamente, falso segundo todos os órgãos responsáveis por aquele Ramo das Forças Armadas. E digo obviamente, porque, mesmo que fosse verdade, passava a não ser, por falta de possibilidades de o cabo Reis demonstrar o contrário. É exactamente como as contas telefónicas astronómicas, que nos aparecem em casa, de chamadas que nós não fizemos. Temos de pagar, visto o elemento de prova estar na companhia fornecedora do serviço. O capitão Dreyfus não foi condenado a prisão por espionagem quando, efectivamente, era inocente?


O Regulamento de Disciplina Militar (R.D.M.) é um código ético de conduta e, em termos de ética, a fluidez é extraordinária por falta de objectividade. O cabo Reis infringiu um qualquer dever de um qualquer artigo desse código de conduta. Porquê? Disse uma mentira. Uma mentira que podia (pode, pôde) ter influenciado a opinião pública! Realmente o que falta é a existência de códigos éticos, postos em execução por decretos governamentais, para permitirem a punição de todos os «Pinóquios» desta nossa sociedade civil!


O cabo Reis, homem com 40 anos de idade — dos quais, se calhar, metade passados ao serviço da Armada — disse uma mentira. Uma mentira menor à qual os Senhores almirantes decidiram dar grande importância, mais para servir de «medida exemplar» do que pelo facto de uma afirmação feita por um cabo afectar o bom nome do Estado-Maior da nossa marinha de guerra.


Sejamos verdadeiros. Desde quando o que diz um cabo na praça pública, nos órgãos de comunicação social, tem importância para os grandes decisores militares? Importante é a «exemplaridade» da punição que visa atemorizar todos os outros cabos Reis dependentes de um magro pré que recebem no final do mês e lhes garante uma super magra pensão quando forem velhos e já não servirem para nada. Bom, para nada não é bem assim! Servirão para guardas-nocturnos de edificações em construção, por exemplo, como acontece a muitos antigos praças calejados no desconforto de um serviço militar mal remunerado e com uma família já habituada às suas ausências do lar.


Sejamos verdadeiros. O que determina a punição não são as afirmações de um cabo, seja ele Reis ou Príncipe. Assusta é o movimento associativo capaz de pôr em causa uma série de pressupostos bem escorados na tradição do «comer e calar».


Sejamos verdadeiros. O que impõe a punição do cabo Reis é a necessidade de dar satisfação ao senhor ministro Luís Amado, provando que, afinal, os comandos superiores das Forças Armadas continuam a «ter na mão» os seus homens. Mostrar a exemplaridade e de como se jugulam as «rebeliões».


Esquecem-se os chefes militares que, mais tarde ou mais cedo, estarão na reserva e na reforma — como eu já estou —, passando por um processo de «elemento descartável», sem poder nem honrarias — vou ter as que o Regulamento prevê para o meu, o nosso, posto, à porta do cemitério quando for deitado dentro daquela «caixa» de madeira que espera por todos os Homens — no qual as pessoas, por mera educação, ainda nos tratam com deferência, chamando-nos «senhor coronel», «senhor general», «senhor comandante», «senhor almirante». Mas é só mera deferência, porque eles, os políticos, sabem que, nessa situação, já só somos um número para a Caixa Geral de Aposentações onde, se se formar fila junto ao guichet dos pagamentos, à nossa frente pode estar um cabo reformado e atrás de nós um general ou uma contínua de qualquer escola deste país.


É esta a vã glória de ser chefe militar, em Portugal! Não se iludam, meus caros camaradas mais modernos e na situação de activo, a reserva e a reforma inexoravelmente esperam por vós!

5 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2006
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2005
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D