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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Prós e Contras (A Educação em Portugal)

 

Ontem à noite estive a assistir ao programa da Fátima Campos Ferreira, na TV 1. Falou-se de Educação em Portugal.

Confesso que "aprendi" muito sobre o assunto!

 

Primeiro, antes de tudo o mais, "aprendi" que se pode sonhar alto em directo, na televisão!

Sonhar alto foi o que uma série de senhores fizeram naquele tempo de programa. Falaram de um futuro que, segundo afirmaram, vivem já hoje em pleno. O senhor Secretário de Estado falou de uma "escola" que só existe e só pode existir na cabeça dele e na de mais uns quantos visionários presentes ou não presentes no programa. Uma senhora directora de uma escola experimental baralhou-se e deu de novo em ideias curriculares incapazes de serem percebidas por quem quer que fosse. Um jovem, muito jovem, dissertou sobre a "participação dos alunos no processo educativo" nas escolas, tal e qual como eu poderia alvitrar a participação dos doentes internados num hospital sobre o modo de se fazerem operações clínicas e tratamentos de enfermagem. Uns senhores, na plateia, desataram a "delirar" sobre o ensino do presente voltado para o futuro. Às duas por três, pensei que se estava a falar de um outro país e de uns outros jovens bem diferentes de Portugal e dos Portugueses. Essa foi a minha segunda "aprendizagem".

 

Caí na realidade quando a Fátima Campos Ferreira deu a palavra a uma jovem de dezoito anos, aluna de uma qualquer escola, que participou, ou liderou, um grupo de trabalho para fornecer "ideias" para o "novo método de ensino" a pôr a funcionar nos nossos estabelecimentos.

Foi um balde de água fria! A menina mal sabia falar; baralhava-se nas ideias e usava palavras em inglês para dizer coisas que se podem dizer em língua nacional. A jovem foi, de modo bastante eloquente, o "bom" retrato dos nossos maus alunos do ensino básico e secundário!

 

É tão lindo quando ouvimos falar gente que está longe da realidade!

É que a realidade situa-se na incapacidade da esmagadora maioria dos nossos jovens serem capazes de "dar uma para a caixa"; não se sabem expressar, não têm ideias consolidadas, não tem determinação nem sonhos de futuro, porque, realmente, têm um total deficit de leitura seguida e continuada... sabem ler os textos de telemóvel e pouco mais e, nesses, somente aqueles que lhes despertam algum interesse.

 

O único interveniente no painel com os "pés no chão", bem desperto para a realidade do que são a escola e os alunos em Portugal, foi o Professor Paulo Guinote. Esse falou com conhecimento de causa e sem estar a "fazer fretes" ao Governo nem ao Ministério! Esse, sem mencionar a pobreza intelectual dos alunos, mencionou a pobreza material das escolas onde querem utilizar métodos de ensino que exigem uma riqueza que não existe. Esse referiu os milagres que os professores têm de fazer para interessar alunos desinteressados dos programas de ensino e desinteressados de saber seja o que for, a não ser generalidades, que não os integram em sociedade nenhuma e, menos ainda, em trabalho qualquer.

 

Depois de Paulo Guinote a única voz lúcida naquele painel feito de sonhadores, que desejavam ficar bem na fotografia, foi a de um director de uma escola profissional. E foi lúcido, porque tem de laborar com uma "massa" especialmente orientada para o mercado de trabalho, com objectivos bem determinados. Foi lúcido, porque chamou a atenção para aquilo que dá a possibilidade de cumprir com algum êxito o ensino: a ausência de programas rígidos impostos pelo Ministério, com latitude para acrescentar mais conhecimento teórico ao conhecimento prático.

 

Mas, o que não foi dito por nenhum dos intervenientes, é que, no ensino em Portugal, tem de haver, sem complexos e sem receios, a clara distinção entre duas "velocidades": a dos alunos sem capacidades de grandes progressos cognitivos, para quem o ensino de coisas "complexas" e "esquisitas" tem de parar por volta do nono ano e a dos alunos capazes de "irem mais além" e, por isso, com aptidões para entrarem em domínios mais exigentes do saber. Temos de aceitar que a grande maioria dos nossos jovens terá de ficar de fora do ensino superior, pelo menos, enquanto não tiver maturidade para "aprender a saber o que é saber".

Não é vergonha não ser capaz de se chegar ao ensino superior! Vergonha é "fazer" um curso superior e não conseguir expressar-se por escrito ou oralmente com correcção; ficar sem competências para exercer aquilo para que, supostamente, se devia estar preparado para fazer; ter um diploma e título académico e acabar em caixa de um supermercado. Isso é que é vergonha!

Vergonha é não criar escolas profissionais capazes de habilitar para o desempenho de actividades onde se ganhe a vida sem complexos de inferioridade, porque vergonha é não trabalhar!

 

Quando é que a Fátima Campos Ferreira faz um programa sobre ensino onde os teóricos cedam o lugar aos práticos?

Uma história de coisas militares

 

Há muitos anos, era eu ainda um garoto, criou-se a chamada Obra Social do Exército, cuja finalidade era, num tempo em que não havia apoios de espécie alguma para os militares, ajudar todos aqueles que serviam naquele ramo das Forças Armadas, quer através de empréstimos financeiros, quer de apoios ou subsídios para os filhos estudantes, quer noutras actividades devidamente justificadas.

 

Creio que, com a criação da Força Aérea, em 1952, a Obra Social do Exército foi transformada em Serviços Sociais das Forças Armadas (SSFA), integrando no seu seio um outro organismo de finalidade sanitária: a Assistência aos Tuberculosos das Forças Armadas. Todos os militares dos quadros permanentes continuaram a descontar para os SSFA, cuja gestão pertencia a oficiais dos três ramos, tendo-se ampliado um pouco mais o seu âmbito de actuação: passou a haver casas para arrendar, mediante concurso e regulamento próprio, aos militares, indiferentemente da graduação, a gerir o antigo asilo militar de Runa, proporcionando razoáveis condições de vida para os velhos militares inválidos ou sem família e a dar mais generosos apoios ao filhos estudantes dos militares, independentemente da graduação do progenitor.

Mas os SSFA viram aumentados os seus rendimentos à custa de uma manobra que saía directamente dos bolsos dos militares dos quadros permanentes. Vamos contá-la.

 

O fornecimento dos diferentes combustíveis para consumo das Forças Armadas fazia-se mediante concurso público, optando-se pela gasolineira que apresentava os preços mais baixos. Estabeleceram, os Ministérios gestores dos três ramos, que se poderia vender aos militares uma certa quantidade de combustível (180 litros mensais) para abastecimento das suas viaturas particulares, acrescendo ao preço de custo uma pequena margem, que constituiria receita de duas entidades, em partes iguais: o ramo respectivo e os SSFA.

A contabilização destes dinheiros estava a cargo dos respectivos serviços financeiros das Forças Armadas e dos SSFA. Na Força Aérea, com esses fundos, no final da década de setenta do século passado, construíram-se os edifícios do Estado-Maior e grande parte da Academia, em Sintra, nos terrenos da Granja do Marquês.

Parte do nosso dinheiro foi aplicado nessas edificações, por isso, elas pertencem-nos! Mas, nos SSFA, a outra parte do dinheiro foi utilizada para construir o complexo designado por CASOeiras, onde existe um excelente centro de acolhimento de militares e familiares doentes ou incapacitados, um magnífico lar para recolhimento daqueles que já não têm condições para viver sozinhos e, ainda, um conjunto de edifícios de apartamentos destinados a arrendar a militares idosos com esposa. Também isso nos pertence!

 

Mas os tempos rodaram e, na década de oitenta do século passado, por força da acção dos meios de comunicação social e da maledicência popular, acabou-se o combustível mais barato para os militares! Era uma regalia que os diferençava de todos os restantes cidadãos, dizia-se.

Que tristeza de país! Tristeza, porque foi comum passarem muitas empresas a fazer pagamentos de parte dos salários em senhas de almoço e senhas de gasolina. Depois, veio, para ficar, a moda dos automóveis de empresa! Para esses, já não é uma regalia! Ora bolas!

Mas o combustível mais barato para venda aos militares era uma benesse imerecida! Ora bolas!

Ora bolas, porque a pagavam e com a diferença de custo possibilitaram investimentos que o Estado não tinha condições de levar a cabo!

 

No começo do presente século, um Governo socialista – estranha contradição! – transformou os SSFA em Instituto de Acção Social das Forças Armadas (IASFA), e considerou património do Estado o património do CASOeiras. Sucessivas administrações, incluindo civis, levaram à ruína o que antes era rentável. Parece que não se fica pela ruína o destino do IASFA.

 

É conveniente tornar pública esta história, para memória dos militares do presente, constituindo fundamento para melhor poderem reivindicar junto de todas as autoridades que sobre eles exercem tutela, em especial o ministro da Defesa e do Presidente da República.

Em Itália

 

Li há pouco, no Le Figaro, que a Itália fez um ultimato à UE sobre os emigrantes ilegais que estão algures num navio da Guarda Costeira, recolhidos no mar Mediterrâneo. Impõe que esses emigrantes sejam recebidos por países da UE ou, caso contrário, haverá retaliações, tais como a suspensão italiana para o orçamento da União.

 

Este é o quadro que se começa a esboçar na União: ameaças capazes de levar à falência esse projecto político de prosperidade e de paz na Europa.

 

Para mim, a posição italiana só me demonstra que não há, não houve e não haverá possibilidades de criar a proclamada União Europeia, porque o que prevalece são sempre os interesses nacionais, falando mais alto do que a unidade. A Europa nasceu das independências, de culturas distintas, de projectos políticos com fins diversos e querer esquecer as lutas, que duraram séculos, para cada povo se acomodar no seu território da maneira que mais lhe convém é, simplesmente, uma linda utopia e nada mais.

 

Não se trata de uma explosão da extrema-direita italiana!

Ela fala, porque dá voz ao que cada cidadão anónimo pensa sobre a UE. Ela arrisca afirmar desejos, porque sabe que está a expressar o sentimento mais íntimo dos Italianos (haverá, naturalmente, excepções, mas essas também defendem interesses próprios).

Continuo a dizer: a solução para a Europa era, é, a de se ficar por um mercado comum com livre trânsito de bens e pessoas. A história do euro transformou-se numa grilheta das vontades nacionais e vai conduzir à destruição de todas as outras soluções possíveis. A Itália está a dar o exemplo.

O valor da morte

 

Já aqui defendi que, perante a morte de alguém, me curvo e, respeitando a dor dos seus familiares e amigos, relevo os seus defeitos, sem os esquecer, para enaltecer as suas virtudes. É uma questão de boa educação e de bons princípios. Não se trata de cinismo ou hipocrisia; é tão-só recordar que há pessoas em sofrimento e nada adianta, para a sociedade ou para o leque restrito de amigos e próximos, calcar na imagem negativa do defunto.

 

Mas a minha postura é sempre igual quer se trate do falecimento de um expoente social ou de um Zé Ninguém desconhecido de todos.

 

E se eu tivesse responsabilidades políticas destacadas ou responsabilidades directivas num órgão de comunicação social como reagiria ou mandava reagir face ao falecimento de alguém com significativa notoriedade?

 

No primeiro caso, seria muito cauteloso e discreto na referência à morte desse notável, não esquecendo que, em sentido absoluto, o falecimento dele é tão importante como o falecimento daquele que não deu nas vistas e passou pela vida rodeado de sombras e esquecimentos.

No segundo caso, mandaria que, dando relevo relativo ao acontecimento, especialmente no que toca a dados biográficos e história de vida, se fosse comedido no destaque, ou seja, na colocação da notícia no jornal, revista, rádio ou televisão.

 

Pode inquirir-se sobre o motivo do comportamento que acima tracei. É fácil explicar.

O detentor de cargo político destacado tem de ter presente que ocupa um lugar para servir todos os cidadãos e não só alguns em particular; o responsável por um órgão de comunicação social tem por obrigação informar, dentro dos limites indispensáveis à compreensão da notícia, sem evidenciar simpatia ou antipatia pelo acontecimento.

 

Morreu, há dias, de uma queda no seu iate, em Ibiza, um grande empresário português. Foi noticiado o facto, em minha opinião, excessivamente. O Presidente da República deu destaque ao acontecimento, ainda segundo o que penso, com demasiada ênfase, exactamente por se tratar de um "homem de negócios" com, pela certa, comprometimentos políticos que, ao levarem o Chefe de Estado a referir-se-lhe, o comprometem de forma inconveniente.

Realmente, não é para todos a condição de "homem publico"!

Da cadeira para a Democracia

 

Ocorre neste final de Agosto o cinquentenário da queda de Salazar, a qual acabou por ser a culpada do afastamento do ditador. O almirante Américo Tomás, então Chefe de Estado, teve de o substituir por um dos delfins do regime: Marcelo Caetano, um outro professor de Direito.

 

Portugal respirou fundo quando uma nova figura de um velho sistema, apareceu na televisão a falar ao país, naquilo que chamou "Conversas em Família". Era um bafo de ar fresco numa ditadura carrancuda. Era a "mudança na continuidade", seja isso o que for. Há quem diga que só mudam as moscas e, na realidade, Marcelo Caetano mandou perfumar a trampa e fazer voar algumas moscas.

 

A "Ala Liberal", que alguns políticos do PSD querem, agora, fazer crer que foi a origem do partido, foi, na verdade, a "mudança de moscas" no meio da mesma porcaria, que era a Assembleia Nacional. O fascismo mantinha-se, mas com "rosto humano".

Salazar e a sua sombra continuavam a "fazer" gelo na política interna portuguesa. A solução da guerra colonial era a grande mudança que nem Caetano queria nem Tomás "autorizava". Era o abcesso impeditivo do avanço para a Democracia. Marcelo Caetano bem tentou, com sorrisos e simpatia, convencer-nos, a nós que vivemos com consciência esse período, que havia uma "Primavera" na ditadura, mas a ditadura persistiu.

 

Fui dos que aproveitou ao máximo a "abertura" da censura para escrever em jornais opiniões que podiam ajudar a pensar quem lesse os artigos, mas nunca me iludi: os censores mantinham-se alerta a cortar aquilo que achavam inconveniente para a "tranquilidade" dos leitores de jornais, fossem de grande circulação ou regionais... e estes eram ainda mais "perigosos", porque os liam as elites locais.

 

Salazar caiu da cadeira, mas não caiu a ditadura, nem a "Ala Liberal" de Sá Carneiro, Miller Guerra, Pinto Balsemão foi o ponto de partida para a democratização. Se querem fazer acreditar nessa história, então, sou obrigado a gritar bem alto, que se trata de uma mentira. Mesmo depois de fisicamente morto, Salazar continuou vivo na política de então e há quem o queira ressuscitar para "resolver" a política de hoje! Mera ilusão ou grande ignorância do que foi o Estado Novo.

Viva a Democracia que temos!

A importância de dizer

 

Ouvi de um amigo meu, com idade próxima da minha, uma história assaz interessante, que vos vou contar, por a julgar paradigmática quanto ao calar ou dizer certas palavras.

 

Os pais do meu amigo tinham uma pequena propriedade, com casa de campo, numa região do centro de Portugal. Era no tempo em que, passar o Verão no meio do nada, não representava perigo de espécie alguma. A casa distava da aldeia mais próxima cerca de três a quatro quilómetros; não tinha electricidade nem água canalizada... bebia-se a de um poço existente na propriedade. O meu amigo tinha uma velha e pesada bicicleta, que o pai lhe comprara, para ir todos os dias à aldeia fazer os recados necessários ao abastecimento, em géneros frescos, para a alimentação da família. Passou os Verões da sua juventude com os pais nessa propriedade perdida no centro de Portugal.

 

Casou com vinte e quatro anos e, no ano seguinte, seguiu para África. Lá, recebeu a notícia da venda da casa e terreno. Teve pena que a família se tivesse desfeito daquela propriedade com tantas memórias para ele.

Só muitos anos mais tarde se interrogou sobre a razão da venda. Não se justificava, dado o grande gosto que o pai fazia nas férias lá passadas.

 

Quando me contava isto, o meu amigo, deixou escapar a pergunta:

- Olha lá, és capaz de imaginar o motivo da trasacção?

Respondi-lhe que, se calhar, foram razões financeiras que a ditaram. Sorriu e disse-me simplesmente:

- Não, meu caro, faltava lá eu para ir fazer as compras, de bicicleta, à aldeia mais próxima!

Os olhos ficaram-lhe tristes e confessou com voz cava e num murmúrio:

- O que mais me dói é que o meu pai nunca me disse a importância que eu tinha nas férias da família. Não lhe custava nada e eu teria ficado contente e orgulhoso por ser útil!

 

Muitas vezes calamos palavras que devíamos dizer, elogios que afagam o nosso ego, sem contribuírem para uma balofa vaidade.

A banalidade

 

Toda a gente sabe que a banalização das coisas raras fá-las perder valor e importância. Isto é um conhecimento que os mais carentes de preparação intelectual conhecem desde sempre. Não dou novidade nenhuma.

 

Vem isto a propósito do diploma legal, aprovado e saído há pouco, que permite aos institutos politécnicos conceder o grau de doutor.

A legislação denominada "de Bolonha" veio facilitar a obtenção do mestrado e do doutoramento, comprimindo o tempo de duração da parte escolar para o primeiro dos graus citados e reduzindo o tempo de execução e tamanho da dissertação respectiva. Não é que eu sofra de algum complexo de superioridade, mas, o que me leva a tecer estas considerações é o facto de um mestre, que se "faz" em dois anos, não me dar garantias de especialização de espécie nenhuma, quando obteve a licenciatura ao cabo de três anos de curso. Com cinco anos, fazia-se a licenciatura há coisa de quarenta ou cinquenta anos atrás!

Não faço comparações de conteúdos; faço-as de tempo... E o problema tempo, no saber, é fundamental!

 

O doutoramento fica ao alcance de todo aquele que obtém o grau de mestre. E, agora, também, ao de todos os que são mestres pelos institutos politécnicos.

Para se perceber o que acho de anómalo nesta questão é necessário levar em conta aquilo que diferencia ou diferenciava - já não se isto se mantém! - o ensino universitário do ensino politécnico: no primeiro, aprende-se a solucionar problemas complexos numa determinada área do saber; no segundo, aprende-se a fazer, com base científica, em determinadas áreas técnicas.

Se esta definição foi alterada, então não vale a pena manter a distinção entre institutos politécnicos e universidades!

O doutoramento, por definição, habilita o doutor a fazer investigação científica de modo autónomo e responsável. E é aqui que reside o busílis da questão! A bota não bate com a perdigota!

 

Vamos vulgarizar o que não devia ser vulgarizado, perdendo competências.

Somos assim, com esta ânsia de obter títulos, mesmo que já não tenham conteúdo.

Mentir por necessidade

 

Pablo Casado, o líder do Partido Popular espanhol, mentiu sobre as suas habilitações académicas. Mentiu descaradamente, dizendo que possuía um mestrado e cursos de pós-graduação obtidos na universidade Juan Carlos. Esta desmente categoricamente tais afirmações.

 

Por que mentem, com tanta falta de decoro sobre as suas habilitações académicas, os políticos, em Portugal, em Espanha e um pouco por toda a Europa e, já também, nas Américas?

Eis a questão que me coloco.

 

Sem qualquer estudo com base científica, mas usando a mera dedução, arrisco-me a dizer que este tipo de mentira está intimamente ligado à descredibilização da actividade política, a qual se vem desgastando com o tempo e o "efeito de consumo" no "mercado".

O que é isto?

 

Bom, os políticos, em todos os tempos, foram homens com a necessidade de serem aceites por aqueles sobre quem querem exercer a sua acção propondo-lhes programas e modos de vida. Para tal, têm de apresentar um perfil de responsabilidade, honorabilidade e honestidade para imporem respeito, admiração e credibilidade. No passado, o seu próprio passado, respondia por eles e dava-lhes o que careciam. Dava-lhes, porque o "mercado" político, financeiro e social não lhes desgastava tão rapidamente a imagem. Hoje, esse tal "mercado", por força da força da comunicação social, ou seja, da capacidade de ir mais longe e mais rapidamente aos mais recônditos pormenores da vida de cada um, expondo-os na praça pública, não bastam os valores de ontem para ser aceite pela sociedade, são necessário "pergaminhos" e esses vão buscar-se à instituição universitária, que ainda - não sei até quando - mantém uma imagem de seriedade e honra.

 

Esta é a minha explicação para a necessidade de mentir, de alguns, muitos, políticos sobre os seus graus académicos. Se assim for, acho que as universidades, para não serem arrastadas na praça pública da desonestidade, devem acautelar-se, não deixando os políticos retirarem-lhes o que os académicos levaram tantos séculos a construir.

Voto de pobreza?

 

O "caso" Robles, do Bloco de Esquerda, vem levantar, para mim, uma questão, que reputo importante dissertar sobre ela: a coerência dos votantes e políticos de esquerda, à esquerda do PS.

 

Devem os simpatizantes e militantes do PCP e do BE fazer voto de pobreza?

O mais elementar bom-senso indica que não e que nunca, mas... E é aqui, no "mas", que se levanta o problema. Vejamos.

 

As ideologias marxistas têm como ponto de partida a chamada "luta de classes", ou seja, o confronto ideológico entre a burguesia endinheirada e capaz de dominar a economia de mercado e o proletariado incapaz de sobreviver com mais do que o salário obtido pelo uso da sua força de trabalho, seja ele braçal ou intelectual (note-se que fiz, por minha conta e risco, uma actualização dos termos essenciais de Marx).

 

A mudança dos tempos, entre o século XIX e este começo do século XXI, levou-me a ter de considerar que o "proletário" de hoje pode ser um trabalhador bem pago, com salário elevado, capacidade para gastos significativos, proprietário de um bom automóvel e de um apartamento ou vivenda com largueza e espaço social. Tudo isto, ao levá-lo a consumir como se fosse detentor de uma razoável fortuna, não faz dele um capitalista, ainda que lhe possa dar um estatuto de burguês, contudo ele é, de facto, um trabalhador dependente de quem lhe dá trabalho, aqui ou na China!

Então, a questão que se coloca é onde se situa ideologicamente este trabalhador com salário abastado. É que ele pode optar por se identificar com as doutrinas políticas anti-marxistas ou, pelo contrário, reconhecendo a sua condição de mero assalariado, com as doutrinas marxistas.

 

Se ele se identifica com estas últimas não vai fazer voto de pobreza nem abdicar dos salários elevados, que lhe são pagos, para ser coerente com a ideologia política que aceita. Isso, para além de tudo o mais, seria um acto inútil, estúpido e sem repercussão política ou social.

É isto que os partidos de direita não aceitam, pois consideram que há incoerência política!

 

A incoerência política surge noutras condições.

Surge quando o indivíduo, na prática, usa os mecanismos capazes de explorar trabalhadores assalariados para conseguir ampliar a sua fortuna destinada ao enriquecimento pessoal para aumento da sua capacidade de exploração e, em oposição, diz colocar-se ideologicamente na área do PCP ou do BE.

É que não se pode estar bem com Deus e com o Diabo!

 

Viver bem, porque se ganha bem à custa do esforço pessoal, resultado do trabalho braçal ou intelectual, não impede de se escolher simpatizar com um partido da esquerda.

Anda por aí muita gente equivocada, quer à direita quer à esquerda.

De Tancos ao ódio pelos militares

 

A oposição ao Governo resolveu trazer, de novo, à ribalta política a questão do "roubo" de armamento dos paióis de Tancos.

 

Primeiro que tudo, temos de perceber se houve roubo ou "armadilha" política para "queimar" o Governo. Depois, temos de saber se o Ministério Público tem, realmente, capacidade técnica para acusar uma situação envolvendo rotinas que desconhece em absoluto. Em seguida, a mesma pergunta se pode colocar em relação à Polícia Judiciária.

 

Não foi por acaso que houve sempre um foro castrense para julgar os crimes militares. Claro que compreendo - limitadamente - que a Democracia imponha um único foro judicial para todos os crimes, de modo a que a Lei seja igual para todos, mas, convém não esquecer, os militares são cidadãos diferentes, porque têm direitos constitucionais reduzidos em relação ao comum dos seus concidadãos. Então, o que é diferente não pode ou não deve ser julgado de maneira igual; o diferente impõe a diferença.

 

Mas, o mais estranho de tudo isto não é a possibilidade de haver uma inventona de roubo de armamento em Tancos; é o ódio que se sente contra os militares e a instituição castrense.

Muita gente acusa os militares de serem inúteis, de não fazerem nada, de gastarem dinheiro ao Estado e mais um imenso rol de "mimos". E tudo isto porquê?

 

Simplesmente, porque se perdeu o respeito pela instituição militar e se deixou de explicar a finalidade das Forças Armadas. E a culpa disso foi dos políticos. Raros são os partidos que reconhecem a importância da instituição castrense. Raras são as escolas onde se ensina aos meninos e meninas para que servem os militares. Poucos são aqueles que querem servir Portugal nas Forças Armadas.

E isto está muito mal! Um Povo que não reconhece valor e importâncias às suas Forças Armadas, é porque se tem em fraca conta e aceita que os restantes Estados desrespeitem a sua Nação, a sua História, o seu passado, o seu presente e não querem ver defendido o seu futuro.

 

Lamento que assim seja. E o roubo, se houve roubo, resultou não de descuido dos militares, mas da falta de meios para garantir a missão e a culpa disso não é do actual Governo, mas de todos os que foram reduzindo a capacidade financeira das Forças Armadas.

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