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Fio de Prumo



Quinta-feira, 03.12.15

Presidentes da República

 

Não pensei ainda séria e profundamente no perfil do “meu” candidato à Presidência da República. Assaltam-me nomes com mais frequência e outros menos vezes. Para ser fiel a um raciocínio científico, devo começar por uma análise genérica sobre o que quero de um Presidente da República. Vou, em tom ligeiro, lançar aqui as bases desse “estudo”, para, ajudando-me, talvez vos poder ajudar na vossa escolha.

 

Sendo que o Presidente tem funções bem delimitadas na Constituição, começo por me colocar uma pergunta:

— Convém tratar-se de um político experimentado, saído de um aparelho partidário, manhoso, inquinado dos vícios dos bastidores, cheio de ideias feitas e manobrador entre os compadrios existente nas antecâmaras dos gabinetes ou, pelo contrário, alguém que, sendo mero cidadão comum, transporta somente a força das suas convicções, a sensibilidade pessoal adquirida em sociedade e a inteligência e conhecimentos aprendidos?

Vejamos.

O político tem todas as “artes” e toda a “manha” para descobrir os alçapões lançados no exercício da Presidência, mas se possui tais “virtudes” transporta consigo, também, todos os “defeitos” que lhes são inerentes, sabendo usar as “contra-armadilhas” para se não deixar “laçar”. Quem nunca foi político terá de ter, a menos que seja um insensato, a inteligência de reunir na sua Casa Militar e Casa Civil um conjunto de assessores de várias tendências ideológicas capazes de lhe darem perspectivas e criarem cenários onde possa fazer escolhas e tomar decisões ditadas pela afectividade, inteligência e saber de coisas práticas.

 

Olhando o passado, desde 25 de Abril de 1974 até hoje, vislumbro este tipo de Presidente somente em duas figuras, por sinal, militares arredados da prática política: o marechal Costa Gomes e o general Ramalho Eanes. Os restantes foram manhosos políticos capazes de se posicionarem com maior ou menor isenção perante os problemas que lhes foram colocados. E, se de um lado “choveu” do outro “trovejou”. Mário Soares foi o “grande rato velho” da política; Sampaio foi o político discreto, equilibrado, mas nem sempre “fiel da balança” dos poderes em confronto; Cavaco Silva foi o político intelectualmente desonesto, porque, nas suas práticas raivosas, sempre demonstrou as tendências que o animavam.

Deste passado, a melhor imagem vem-me dos militares inexperientes da política (e não se recorde Costa Gomes como um militar e político, pois, na ditadura ninguém “fazia” política para além de Salazar… o resto sobrevivia às intrigas entre apaniguados e opositores!).

 

Julgo ter sido isento nesta análise.

Dirão alguns: “Está já a definir um perfil!” Claro que estou, porque se o não definisse não me valia a pena fazer a análise! Admito ter de fazer a minha escolha no seio dos candidatos sem prática de política partidária, mas sabedores suficientes para se rodearem de conselheiros com conhecimentos bastantes para lhes darem o que lhes falta, sendo que o meu preferido só precisará de ponderação na decisão. Para manhoso chegou-me o Presidente em fase de fim de mandato.

 

Cada um dos meus leitores terá o seu critério, mas espero desse critério uma honestidade estrutural para que o futuro não seja uma repetição maquilhada com cores diferentes, mas sempre uma repetição.

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por Luís Alves de Fraga às 12:10



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