Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Fio de Prumo



Terça-feira, 16.02.16

Preconceitos e a "correcção política"

 

Ao passar os olhos pelas notícias de hoje dei com uma que ilustra bem a sociedade actual portuguesa onde quem actua fora dos padrões convencionados como os apropriados para o momento é acusado de mil e uma coisas e, mais ainda, de falta de sentido de justiça.

 

A juíza no tribunal onde corre o processo de Bárbara Guimarães criticou a suposta vítima de maus tratos domésticos pela demora em apresentar queixa, por ter deixado cair o manto do silêncio sobre as acções do marido, quando ela, Bárbara, não é exactamente uma mulher desinformada!

 

E agora saltam as associações das mulheres mal tratadas pelos maridos em ataque cerrado à juíza. Ainda por cima uma juíza, veja-se bem! Que descaramento! Que parcialidade! Que falta de sentido de justiça!

 

Mas que raio de país é este? Afinal, acho que o termo usado por Paulo Portas para definir o entendimento da esquerda nacional deve ser usado, não nesse sentido, mas em muitos outros, porque, Portugal é ele mesmo uma geringonça! Uma geringonça onde cada qual condena e iliba no tribunal da opinião pública, sem fundamentos maiores do que alguma notícia divulgada pelos media e segundo a sua simpatia e a opinião geral!

Isto não é um país com sentido da democracia e dos valores que a defendem! Os tribunais existem para julgar — os juízes estão de posse de dados que nos escapam — e eles são, ou devem ser, um dos principais pilares da liberdade e, consequentemente, da democracia. Se a justiça se faz na rua e nas associações disto e daquilo, se se impede o juiz de expressar a sua opinião sobre o comportamento dos indivíduos sujeitos a julgamento, então, então isto não passa mesmo da tal geringonça! Geringonça a desfazer-se por todos os lados.

 

Não há paciência para um povo assim que forma opinião através de "A Bola", de "A Maria", ou qualquer outro pasquim de natureza social onde proliferam aspirantes a jornalistas dotados de um diploma, alguma teoria e completa falta de senso sobre cidadania e sobre hierarquia de honestos e independentes interesses sociais.

 

Temos de começar na escola a ensinar! Não meus amigos, não pensem que vou dizer os alunos! Vou dizer os professores! São eles quem deve ser ensinado para ensinarem, depois, os futuros cidadãos deste país, a respeitar a opinião de quem sabe, porque está em melhores condições para saber!

Entre nós continua a admitir-se que não há hierarquia na liberdade, nem responsabilidade quanto ao que se diz. Ao fim de quarenta anos, continua-se a confundir liberdade com libertinagem e democracia com ausência de respeito, de educação e, acima de tudo, com ausência de diferenças!

Somos todos iguais, “você” não acha?!!!!!

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Luís Alves de Fraga às 10:38


12 comentários

De Sofia a 16.02.2016 às 14:50

O que terá dito a juíza: "Confesso que estive a ver fotografias do vosso casamento e tudo parecia maravilhoso. Parece que o Professor Carrilho foi um homem, até ao nascimento da Carlota [a segunda filha do casal], e depois passou a ser um monstro. Ora o ser humano não muda assim"; "Causa-me alguma impressão a atitude de algumas mulheres vítimas de violência, algumas das quais acabam mortas. A senhora procuradora diz que não tem que se sentir censurada. Pois eu censuro-a! É que se tinha fundamento para se queixar, devia tê-lo feito"; "Mas nunca pensou ir ao hospital?" (Resposta de Bárbara Guimarães: "Não, tive vergonha.") "Com tanta divulgação, tanto apoio que se criou para a violência doméstica? Tenha paciência, esse argumento é fraquinho"; "Ó Bárbara, causa-me nervoso ver mulheres informadas a reagirem assim. Se tinha fundamento, devia ter feito queixa." (Fonte: DN)

Enquanto as autoridades continuarem a reagir assim, a culpar as vítimas de violência doméstica e violência sexual, vão continuar a morrer mulheres e os culpados nunca serão responsabilizados.

De Simão a 17.02.2016 às 14:32

Tem toda a razão, Sofia. As vítimas de agressões domésticas (e/ou de violações) são bastas vezes encaradas como as culpadas. O senhor professor, eventualmente, bateu na mulher?! A culpa tem de ser da mulher, que não tem, sequer, direito a ser dona fulana, ou senhora fulana, é simplesmente, mulher.

De Luís Alves de Fraga a 19.02.2016 às 00:29

Caro Senhor Simão,

Talvez assim lhe agrade o tratamento ("Senhor Simão")!
Mas, sabe, a mim não me agradam os trafulhas que se escondem atrás de um nome sem possibilidade de identificação!
E, para que conste, noutros tempos, Simão era nome de macaco! O célebre macaco Simão que no Jardim Zoológico de Lisboa só fazia macaquices! Era, afinal, o que ele sabia fazer!
Gosto de gente que dá a cara e que se identifica!

De Anónimo a 16.02.2016 às 15:23

Lavagem de roupa suja que deveria ficar dentro da sala de audiência. Não fossem os visados, sedentos de protagonismo, seja por ansia de popularidade ou por tentativa de lavar a imagem e nada disto era falado.
Quantos milhares de Barbaras e Manuéis haverá por esse país, nas mesmas circunstancias mas sobre os quais não se fala? E felizmente que não se fala digo eu, pois a justiça faz-se nas salas de audiência e não em capas de revista.

De Lipe a 16.02.2016 às 17:03

Gostei muito seu texto mas faz-me lembrar um pouco um poder dentro do poder
se calhar seria interessante perceber o porque da tal senhora esclarecida não ter feito queixa.
Queria também dizer isto, ate santos tem pés de barro, e mal de nos não escrutinarmos a justiça os juízes os policias e todas as atividades que estado presta porque só assim podem melhorar.
Não vou contar meu caso com a justiça e a policia porque é de uma tristeza atroz mas queria dizer também que somos nos o povo português que delegamos nos juízes para fazerem justiça, "balança" ,porque isso acho que temos todo o direito de os questionar criticar.
cumprimentos
Filipe

De Alexandre Sousa Bento a 16.02.2016 às 19:00

Srr Fraga tenho um caso muito bizarro que me levou a perder
a minha parte da minha casa para a minha ex .
Sem me poder defender porque o meo ilustre
defensor foi preso e eu fiquei com os tomates a abanar.

De Simão a 16.02.2016 às 19:56

O senhor tem razão. O senhor não tem razão.

Ao referir-se a pasquins, nomeou dois títulos: A Maria, sobre o qual não teço opinião, não conheço senão o nome. Quanto ao jornal A Bola (não sendo o meu preferido de entre os jornais desportivos, já que sou fã do Record) não creio que seja propriamente um pasquim. Tempos houve, até, em que A Bola era um primor de crónicas (desportivas, sim!), mas de uma excelência como poucas vezes se vê em jornais, no que respeito à classe da escrita em português, do humor, da excelência, enfim. Acho que, se queria relacionar títulos de jornais com o substantivo pasquim, tinha outros por onde escolher. Fico sem saber porque não o fez.

Quanto à notícia sobre a juíza e um caso que ela julga, para mim, pessoalmente, tanto se me dá como se me deu se ela (ou outros) opinam ou não em julgamento, se bem que, convenhamos, enquanto pessoa a senhora pode opinar o que quiser, mas enquanto juíza em pleno julgamento, talvez seja melhor meter as opiniões num sobrescrito selado e guardá-las para si. Está lá para julgar, não para opinar, digo eu. E, principalmente, muito principalmente, se for verdade o que a mesma notícia dizia, a saber: a senhora juíza tratava por Bárbara um dos intervenientes e por senhor professor, o outro. Se uma é Bárbara, o outro tem de ser Manuel, "você" não acha?

Quanto ao mais, cumprimentos.

De Bela a 16.02.2016 às 22:02

Ouvi a mesma a informação e a não sei o porque da indignação das 'associações das mulheres mal tratadas pelos maridos,. Uma pessoa como a Bárbara Guimarães, supostamente bem informada e com tantos amigos a quererem defendê-la, de facto foi muito estranho nunca se ter queixado e pior..., após 'às agressões' não ter ido a um hospital para que as mesmas fossem verificadas e registadas.... Aqui há mistério.
Tenho um familiar que a mulher andava sempre a arranjar-lhe problemas, gritava, e dizia-se vitima de agressões, todos nos pusemos contra ele. Um dia após chegar do trabalho, assim que ela começou a gritar, ele foi para o meio da rua, de modo a fazer parar quem passava, ela a gritar a pedir socorro, apareceram os vizinhos e descobriui-se a verdade.

De Sofia a 19.02.2016 às 11:36

Bárbara Guimarães e o marido são figuras públicas, se bem se recordam, há cerca de dez anos, ambos usaram o casamento e o próprio filho para promover politicamente Manuel Maria Carrilho. A mim não me admira que ela tivesse medo de quebrar o conto de fadas que andara a pintar, de passar por hipócrita ou pior. Além disso, com ou sem conto de fadas de fachada, ela sabia perfeitamente que, a partir do momento em que ela fizesse queixa e o público descobrisse, jornais e revistas iam produzir capas à conta da questão, a vida dela e a dos filhos seria exposta, escrutinada, para proveito de outros, as pessoas discutiriam o caso dela nos cafés, nos cabeleireiros, nas redes sociais, quaisquer telhados de vidro que ela pudesse ter (como o alegado alcoolismo) seriam usados contra ela. Não posso censurá-la por ter achado melhor sofrer em silêncio, à semelhança de muitas outras mulheres.

De Pois a 17.02.2016 às 09:15

Este artigo, revela bem ao contrário do que pensa o autor, a sua falta de conhecimento do que deve der um tribunal e o que deveria ser um juiz. Mas que chorrilho de disparates...

De Anónimo a 17.02.2016 às 10:52

E a "garantia de isenção no julgamento" e "imparcialidade" não ficam afetadas quando um juiz manifesta a SUA opinião pessoal em pleno julgamento?

De Luís Alves de Fraga a 10.03.2016 às 21:39

Em consequência dos comentários e da celeuma criada, recordo que este blog tem dono, é moderado e o moderador sou eu!
Assim sendo faço aparecer e desaparecer os comentários que eu entender deverem ser ou não serem publicados no meu blog.
E sem explicações!

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Fevereiro 2016

D S T Q Q S S
123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
2829