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Fio de Prumo



Terça-feira, 17.01.17

Obviamente, as contradições

 

Discute-se a Taxa Social Única (TSU) no Parlamento e o que aparece imediatamente à vista do observador atento e imparcial são as contradições partidárias. Vota-se e discute-se por causa dos partidos e não por causa de Portugal e dos Portugueses. Vão-se lixar!

Vejamos.

 

O Partido Socialista (PS) quer cumprir uma promessa eleitoral acordada com os seus parceiros de Parlamento: aumentar o salário mínimo. Acho bem. Concordo.

O Bloco de Esquerda (BE) não quer votar o acordo conseguido, porque isso é uma forma de beneficiar os patrões; o Partido Comunista Português (PCP) não vota, porque a medida, para além de beneficiar os patrões, faz baixar, dizem, os salários para o salário mínimo, levando a que todo o novo empregado seja contratado por esse  valor; o Partido dito Social-Democrático (PSD) e o dito Popular (CDS/PP) não votam porque não vão credibilizar uma medida, que aceitavam há meses, para não facilitar a vida ao Governo… Ele que se apoie na “sua” esquerda.

Este é o panorama!

 

Vejamos a realidade.

O tecido empresarial português, excluindo as grandes empresas, que pagarão sem discutir o salário mínimo ou até acima dele quando tal se justificar e for necessário, é miserável! Não aguenta, como se viu, abanões de média envergadura e está a sair de uma crise tremenda de falências em barda. Falta gente que invista em empresas pequenas e médias; o crédito ainda não é suficientemente barato para arriscar; o mercado não está ainda consolidado.

Pois bem, nestas circunstâncias, absolutamente reais, verificáveis e mensuráveis, o Governo, para poder satisfazer a “sua” esquerda, teve de negociar sem extorquir a quem pouco tem para extorquir; teve de encontrar uma saída equilibrada. E encontrou-a: baixar a TSU para quem pagar o salário mínimo! Repare-se que é baixar a TSU, temporariamente, para conseguir melhorar a vida dos trabalhadores, dando-lhes maior poder de compra, o qual se vai reflectir nas aquisições que, por seu turno, vão possibilitar a retoma da economia nacional! A isto eu chamo PENSAR EM GRANDE!

 

Ora, como é que pensam os partidos? Em pequeno! Em miserável!

Pensam em miserável, porque querem fazer crer que as grandes empresas se deixam influenciar pelo raciocínio do patrão do fraco supermercado de bairro, da retrosaria ou do pequeno restaurante! Esses, sim, vão nivelar pelo salário mínimo! Mas nivelam, porque é a forma de conseguir algum lucro que poderão reinvestir — ou não — nos seus negócios e, se o fizerem, estarão a dar mais emprego a quem não o tem!

Gaita, é difícil perceber isto?!

 

Que o PSD e o CDS tomem as posições que tomam, justifica-se. Se eu fosse militante e deputado tomava-as, com relutâncias, mas tomava-as, só para lixar o Governo! Mas o PCP e o BE recusam-se a  acompanhar o PS numa posição de visão larga para, acima de tudo, não perderem eleitorado entre os trabalhadores de vistas estreitas, que são os da grande maioria nacional!

Vejam lá os leitores se os operários de Autoeuropa não sabem negociar com o patronato? Porquê? Porque o patronato tem vistas largas e eles também… borrifam-se nas centrais sindicais!

 

Bolas, deixem de ser mesquinhos! Aceitem que para ter sol na eira tem de chover no nabal!

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por Luís Alves de Fraga às 17:02



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