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Fio de Prumo



Terça-feira, 20.09.16

O que devia ter sido e não foi

 

Anda por aí um grande desassossego por causa do que disse, no seio do Partido Socialista (PS), a Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda (BE).

 

Por enquanto, o que ela disse não indicia mal nenhum, nem nada de grave. O que ela disse, por outras palavras e noutra altura, já deveria ter sido dito pelo PS há muito tempo. Foi preciso a ajuda do Governo PSD/CDS para agora toda a gente perceber que ser socialista não é ser uma espécie de PSD com um discurso mais à esquerda e uma prática mais à direita.

 

Talvez quinhentos mil euros de valor matricial seja uma verba ainda baixa e atinja quem não deve ser atingido. E que tal um milhão de valor patrimonial? É uma verba mais redonda e abrange aqueles que fogem a todos os investimentos por cá e os vão fazer no estrangeiro.

 

O socialismo democrático é isto mesmo: ir buscar dinheiro, através de taxas fiscais, àqueles que o têm para redistribuir socialmente por todos. Ah, mas é pouco! Não interessa o valor! O que interessa é a "cultura" política que assim se estabelece.

Entre nós há uma "cultura", que eu chamo anti-automóvel. Porquê? Porque quando é preciso arranjar dinheiro rápido aumenta-se o preço dos combustíveis, fazendo crer que quem tem automóvel é rico! Pois que se crie a "cultura" fiscal de sacar dinheiro a quem possui património imobiliário com valor significativo!

 

E não venham uns artistas dizer que assim se afasta o investimento em Portugal. Não venham, porque estão só a fazer rugir um tigre de papel. De papel?! Exactamente.

Quem é que garante a esses senhores ou seja a quem for que os proprietários de imóveis com elevado valor patrimonial, para além dos imóveis, investem em seja mais o que for em Portugal? É que investir a comprar imóveis é muito pouco! Paga uma vez e, para além do evidente IMI, não paga mais vez nenhuma. Isso não é investimento, a não ser que se queira vender imóveis e se fique satisfeito! Investir é comprar acções em companhias portuguesas, é criar emprego em Portugal, é aumentar o parque industrial nacional, é fazer com que as exportações cresçam. Isso é que é investir. Ora, para que haja investimento tem de se agilizar a justiça e reduzir a nada a burocracia. Mas disto não falam os que têm medo da fuga do investimento por causa de uma taxa fiscal sobre riqueza imobiliária! Disto não fala o Fernando Medina, edil de Lisboa, gestor da mais pesada máquina burocrática do país! É o falas! Fala é de vender imóveis na Baixa pombalina a estrangeiros ricos, de modo a que o IMI recolhido lhe alimente a megalomania florestal das ruas da cidade!

 

A medida preconizada e muito bem classificada de socialista só peca por chegar tarde. Na minha opinião, está bem de ver...

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por Luís Alves de Fraga às 10:40



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