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Fio de Prumo



Segunda-feira, 11.07.16

O Jogo de uma Vida

 

Ontem ganhámos — todos nós Portugueses — uma taça de um campeonato considerado desportivo, mas, efectivamente, muito profissional. Se foi importante? Foi muito importante! E foi, não por causa do futebol, mas por causa dos paralelismos que se podem fazer desse jogo, dessa final decisiva, com a Vida de Portugal e dos Portugueses. Deixem-me tentar ir por aí.

 

A primeira coisa que saltou de imediato à vista foi que quem regulava o jogo — o árbitro — tinha preferências, pois “via” em relação a uns o que não “via” em relação a outros. Mas os “rapazes” em campo souberam disciplinadamente — realço a disciplina — encarar essa adversidade e opor correcção à incorrecção dos jogadores franceses, que tinham um objectivo em mente: retirar a “peça” supostamente mais importante com que o treinador contava dentro das quatro linhas. Os jogadores de França almejaram o seu intento com a total impunidade do agressor. Nisto eu vejo todas as tentativas que na política actual se fazem para derrotar uma táctica de “jogo” de governação que se ensaia em Portugal.

O jogador supostamente mais importante deu mostras de uma grande combatividade e só saiu do campo quando a dor física o impossibilitou. E saiu a chorar — acredito nas lágrimas daquele profissional do futebol, porque eram lágrimas de raiva, de impotência, de revolta e tudo isso não se treina quando se anda aos chutos a uma bola, mas sim quando se tem entranhado o sentido de um dever a cumprir — porque os grandes combatentes também choram de raiva perante a adversidade total. Mas acreditou no espírito da equipa e, porque é o melhor, contra todas as regras, logo que lhe foi possível, à sua maneira, veio apoiar, incentivar, instruir os seus companheiros ainda em luta. Quantas vezes os nossos melhores não poderiam sair do conforto das suas comodidades e seguir na Vida o exemplo deste jogador?! Não jogar, mas, no mínimo, comprometerem-se com o desejo de uma vitória?

 

O jogo continuou, a pressão não diminuiu sobre os jogadores portugueses, mas eles, porque com os olhos postos na vitória, continuaram um combate que parecia desigual. E era-o! Mas prosseguiram e foram sabendo manobrar, em campo, em consonância com as indicações e alterações feitas pelo treinador. Foram-se adaptando às novas situações e cumprindo aquilo para que se haviam treinado. Meu Deus, o que nos falta é esta capacidade de acreditar que há um treinador na Vida, que nos chama a cumprir aquilo para que fomos treinados, e cumprir! Os jogadores cumpriram, lutando, exaustos, mas crentes. E o treinador lançou para o jogo todas as suas possibilidades, porque, homem experiente, sábio, crente na vitória, arriscou, em dado momento, o “ou tudo ou nada” e os “seus” jogadores acreditaram que ele tinha uma melhor visão do conjunto do que eles, que só estavam a cumprir uma tarefa. Quantas vezes nos falta liderança na Vida e, mais do que liderança, crença na visão de quem conduz com verdadeira vontade de “ganhar o jogo e a taça”, ou seja, de ganhar o bem-estar de todos?

Por fim, a sorte bafejou os jogadores. Uma falta cometida, se calhar, involuntariamente, mas cheia de vontade de evitar o pior, que não foi assinalada, e aquele momento de sorte do chuto certo no momento certo, quando toda a gente em campo estava exausta, dado por alguém menos cansado fez toda a diferença e deu a vitória aos jogadores portugueses. Quantos vezes, na Vida, aproveitando a distracção de quem coordena a legalidade do “jogo”, não se pode cometer uma “falta” para o bem colectivo e aproveitar os menos cansados, para alcançar a vitória?

 

Eu sei, a Vida não é um jogo! Mas a nossa postura na Vida pode ser a dos jogadores que anseiam a vitória, acreditando no esforço colectivo e no muito que conta o colectivo, desprezando o individualismo e tendo a humildade de aceitar que importante é a finalidade, quando esta visa o verdadeiro, evidente e visível bem-estar de todos!

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Luís Alves de Fraga às 08:38


1 comentário

De Manuel Joaquim Sousa a 12.07.2016 às 08:59

Completamente de acordo.

Cumprimentos,

Manuel Sousa

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