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Fio de Prumo



Terça-feira, 21.03.17

O BCE e as reformas estruturais

 

Chega-nos a notícia das críticas do Banco Central Europeu (BCE) sobre as nossas "falta de reformas estruturais".

Entre as que deviam ser feitas e não foram, lá estão a elevada quantidade de funcionários públicos e as pensões a aposentados.

 

Para além do quanto tudo isto me irrita, pelo peso da ingerência na nossa política interna, há aqui uma incapacidade de percepção por parte do BCE, que se rege simplesmente por números, equações, gráficos e rácios em vez de olhar para realidades históricas.

 

Estou farto de dizer o que toda a gente sabe: em Portugal, durante mais de cem anos, o grande e "melhor" empregador foi o Estado! Toda a gente queria ser funcionário do Estado, porque este podia pagar pouco, mas pagava, e porque, razão mais pesada, não havia emprego para absorver a mão-de-obra que fugia do trabalho agrícola (sobrelotado e incapaz de garantir o sustento mínimo). Era o jovem soldado que, depois do serviço militar obrigatório, concorria à polícia de segurança pública, que se deixava ficar pela Armada ou conseguia o lugar de contínuo em qualquer repartição do Estado, mas era também o jovem licenciado em Direito que almejava entrada nas Finanças ou na carreira diplomática ou no ensino; o médico que concorria à carreira hospitalar e assim por diante.

 

Este país é assimétrico no que respeita à dependência do Estado, porque é assimétrico do ponto de vista das riquezas naturais! Portugal é pobre! É pobre e não tem saída numa Europa que, durante cinco séculos de História, se foi desenvolvendo de acordo com as suas capacidades económicas.

 

Portugal tinha uma capacidade, mais ou menos rentável e que dava emprego a um largo sector da população, de maneira directa ou indirecta: o mar, as pescas e o comércio marítimo, mas alguém, com a ânsia de "entrar" na Europa, rebentou com essa capacidade! Rebentou, porque não soube negociar, porque não soube olhar para a História, porque vivia de complexos coloniais!

 

Agora temos a Europa a "rejeitar" este "corpo estranho" e mais as suas idiossincrasias. A responsabilidade não é de quem vive de uma pensão ou de quem trabalha para o Estado! A responsabilidade é de todos os que teimaram e teimam em olhar para a Europa com ar subserviente e obediente e não sabem impor vontades e realidades.

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por Luís Alves de Fraga às 10:19


2 comentários

De voza0db a 21.03.2017 às 19:30

Caro Senhor de Fraga,

Peço que reconsidere a definição que deu à sigla BCE!

Na realidade a mesma refere-se ao Banco Comunista Europeu e não como está referido.

Um pequeno trecho do que escrevi:
"E tal como no comunismo soviético…

“O Conselho do BCE é o principal órgão de decisão do BCE.
É composto:

pelos seis membros da Comissão Executiva e
pelos governadores dos bancos centrais nacionais dos 19 países da área do euro.”

Os “seis membros da Comissão Executiva” faz logo lembrar o “Comité Central”…

E o resto “governadores dos bancos centrais” faz logo lembrar o resto das “Comissões” comunistas!

Tenho de admitir que esta forma de Comunismo é muito mais eficaz que a primeira! Vejam-se os resultados…

Milhões de europeus são subjugados à vontade de uma entidade sobre a qual não têm qualquer capacidade de intervenção!

Simplesmente genial! CONTROLAR CENTRALMENTE o motor das economias – ditas modernas – o PAPEL-MOEDA!"

Cumprimentos

De Anónimo a 22.05.2017 às 23:24

UM artigo de excelência. Que a todos dever-nos-ia levar a meditar em que tipo de sociedade estamos inseridos. Numa democracia (grego)ou numa democracia (latim).Uma autêntica lição para aproveitarmos com inteligência (ponham os neurónios a funcionar)e apercerber-nos dos males e hipocrisia que nos rodeiam.
Este artigo tornou-me mais ciente de algumas coisas e concomitantemente mais sapiente. Obrigado.

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