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Fio de Prumo



Terça-feira, 26.05.15

No Ministério da Defesa eles não sabem…

 

No Ministério da Defesa Nacional (MDN) estão colocados alguns militares — escolhidos, suponho eu — para desempenharem missões não decisórias, porque estas são executadas pelo ministro. Quando muito, nelas podem participar os directores-gerais, mas como meros instrumentos de emissão de opinião não vinculativa.

Da consulta dos diferentes mapas de pessoal apresentados no sítio do Ministério, na Internet, garantidamente, conseguem-se apurar, para o ano de 2013, vinte e quatro militares nele colocados. Que sejam mais, não importa, porque, importante é onde estão colocados e como podem interferir na tomada de decisão do ministro. Assim, muitos ou poucos, não invalida nada do que vou dizer de seguida.

 

Comecemos pelo que se entende, entre nós, por governar.

Pois bem, governar é pôr em execução a bagagem de ideias feitas que foram impingidas ao ministro por força de um programa de governação traçado nos gabinetes das sedes dos partidos e que ninguém lê antes de votar no acto eleitoral. Mas, mesmo que leia, acaba não percebendo nada, porque as meias palavras servem para criar uma nuvem de fumo capaz de permitir um entendimento vago de ideias bem determinadas.

Quando o indigitado ministro vai ocupar o cargo já tem o rumo traçado, tendo somente de fazer cumpri-lo, distorcendo vontades mais ou menos fáceis de mudar para manter posições de agrado perante os escalões mais altos da tomada de decisão.

Em suma, o senhor ministro, para as considerações que vou expender, pouco ou nada precisa de saber sobre defesa nacional. Precisa é de fazer cumprir, tendo uma margem de manobra de certo modo ampla, o programa do Governo. Nem precisa de saber os postos militares, nem para que servem as Forças Armadas, nem o que é mais importante para efectivar a missão de defesa do território nacional. Não precisa de saber nada! Não precisa, porque os inteligentes do partido já pensaram as grandes linhas que devem ser levadas a cabo na vigência de um mandato governamental.

E quem são os inteligentes do partido? Ah, bom, são uns senhores que, para o caso em análise, não percebem nada de defesa nacional! São uns tipos, quando muito, que frequentaram o, pomposamente chamado, curso de defesa nacional, ministrado no instituto do mesmo nome, onde ouviram palestras sobre palestras — sem o cuidado de uma avaliação de conhecimentos adquiridos — versando geopolítica, geoestratégia, história e relações internacionais, organização de defesa, vagas noções de armamento decisório e do seu emprego estratégico e táctico, noções de economia relacionada com a defesa, algumas ideias sobre conflitos e resolução dos mesmos e mais uma quantas teorias de estratégia nas suas vertentes operacional e logística. O resto passa por escutar uns conferencistas estrangeiros que ganharam notoriedade internacional, desenvolvendo cenários de conflito que, umas vezes, acabam saindo certos e, noutras, absolutamente errados.

São estes os inteligentes que traçam as linhas mestras da política de defesa nacional nas sedes dos diferentes partidos políticos. Como na actualidade até já nem serviço militar obrigatório se cumpre, estes inteligentes não fazem a mínima ideia do que é pegar numa arma ligeira e transportá-la quarenta quilómetros às costas! Não fazem ideia do quanto ela pesa no início da marcha e no final! Julgam, como inteligentes que são, que pesa o mesmo! Umas bestas! Mas, mesmo que tivessem prestado serviço militar, veriam sempre as Forças Armadas com os olhos do posto que atingiram nas fileiras… No máximo, com olhos de tenente! Ora, um profissional militar — mais ainda se for oficial de elevada graduação — sabe que a visão da defesa nacional vista por um tenente, passado fugazmente pelo quartel, está muito longe do que se ao fim de trinta anos de serviço militar.

 

Por muito que o Dr. Aguiar-Branco tivesse sido militar, — que não foi —, por muito que tenha escutado conferências sobre defesa nacional, — que não deve ter escutado —, só está a executar, com ampla margem de manobra, o que os inteligentes do PSD/PPD puseram no programa eleitoral, que ninguém leu — e se lesse não alcançaria a amplitude das ideias disfarçadas por trás de palavras escritas para enganar —, só está a executar, dizia eu, com mais os acrescentos que a prática governativa em austeridade impuseram, as lições mal aprendidas que uns quantos inteligentes, licenciados em qualquer coisa, ouviram, entre bocejos e graçolas, nas palestras do curso de defesa nacional… se é que o frequentaram!

É altura de começar a distribuir responsabilidades a quem as tem e de chamar os burros — sim, burros e não bois! — pelos nomes.

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por Luís Alves de Fraga às 01:48



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